Igreja paroquial manuelina, renascentista, maneirista e barroca, revelando na sua estrutura afinidades com as igrejas mendicantes: planta longitudinal, 3 naves, sendo a central mais elevada, com sinais de antigo clerestório entaipado por campanha decorativa posterior, cabeceira escalonada. Torre sineira prismática, com silhares irregulares nos cunhais, coberta por cúpula piramidal, vestígio da campanha de obras manuelina. Capela colateral de Nossa Senhora da Piedade, com túmulo integrado em altar de estrutura e ornatos renascentistas. Portal axial, em arco de triunfo, de influência serliana, repetindo soluções adoptadas para os altares em talha do período. Retábulo em talha, enquadrando telas e sacrário templete, de estrutura maneirista, na linha do retábulo de Nossa Senhora da Luz, em Carnide. Dinamização dos panos rectilíneos do interior conseguida pela decoração barroca de revestimentos azulejares, pinturas e talha dourada. Conjunto escultórico do túmulo obedecendo aos cânones e à temática ornamental do Renascimento, integrado no centro de produção coimbrã (pelas ligações desta igreja com o Mosteiro de Santa Cruz, pelo material empregue e pelas ligações de D. Isabel de Sousa com esse centro: era irmã de D. Diogo de Sousa, humanista, arcebispo de Braga e seu testamenteiro). Segundo alguns autores (R. Santos, Dias) as figuras em vulto do túmulo não fariam inicialmente parte do conjunto escultórico, integrando um primitivo retábulo escultórico da igreja. Segundo Reinaldo dos Santos constitui o protótipo do túmulo de D. Jorge de Melo no Mosteiro de São Bernardo em Portalegre (v. PT041214080003) atribuido a Nicolau de Chanterenne. A capela sepulcral da sacristia pretence a um dos priores da Igreja que mais obras fez no seu interior, nomeadamente a instalação do revestimento azulejar.
Planta rectangular composta por três naves e presbitério com capela-mor e capelas colaterais, endonártex ladeado por capelas laterais e torre sineira quadrangular, e sacristia rectangular adossada a S.. Volumes articulados com coberturas escalonadas, em telhado de uma e duas águas. Fachada principal virada a E. , com corpo central saliente, marcado por cunhais apilastrados e pináculos nos acrotérios, rematado por frontão triangular, com cruz no vértice e rasgado por portal de arco redondo, com moldura almofadada, rodeado por dupla colunata estriada, saíndo de pedestais, com capitéis coríntios sustentando entablamento lavrado e cornija com óvulos e dentículos; no intercolúnio dois nichos sem imagens; acima deste corpo um nicho com frontão triangular, com a imagem de Nossa Senhora da Assunção, orago da igreja, ladeado por dois corpos rectangulares com cartelas em mármore negro ao centro, enquadrados por pilastras laterais e coroados por frontões com pequenas cartelas ovais e volutas laterais. Este portal é encimado por óculo moldurado em oval; torre sineira a S. rasgada por ventanas e rematada por coruchéu piramidal; adossada à sineira um oratório com frontão contracurvado. A cabeceira é marcada horizontalmente por moldura, acima de um registo que deste lado vence o desnível do terreno, verticalmente por cunhais apilastrados; óculo ovalado sob a empena triangular. Fachada N. rasgada por portal de frontão rectilíneo, e a S. por portal com frontão de volutas - Porta em arco redondo, com moldura almofadada, ladeada por colunas dóricas, acima de pedestais, sustentando entablamento com tríglifos, rematado por frontão redondo, com volutas nas vertentes e anjo relevado no tímpano. INTERIOR: pavimentos diferenciados. Endonártex encimado por coro-alto, ladeado por capelas abertas em arcos de volta perfeita sobre pilastras. O endonártex é coberto por azulejos bícromos azuis e brancos setecentistas, com friso de albarradas e de padrão e tem abóbada pintada com enrolamentos de folhagem e grutescos, rodeando medalhão figurativo, com a representação de Nossa Senhora da Assunção. No coro-alto, surge órgão positivo de armário. As naves, de quatro tramos, são divididas por arcadas de volta perfeita sobre colunas toscanas, assentes em altos plintos. Nos seguintes dos arcos da nave central existem telas pintadas com santos e evangelistas, e sobre as arcadas 16 telas, atribuídas a Baltazar Gomes Figueira, com pequenos quadros separados por colunas torsas, sustentando entablamento, em talha polícroma, encimado por friso de embrechados de mármores de várias cores. As paredes das naves laterais e o frontal do presbitério são revestidas por azulejos seiscentistas, em azul e branco, com guirlandas, enrolamentos, meninos e pássaros, enquadrando cartelas com figuração de santos e legendas em latim; nas enjuntas dos arcos das naves laterais surgem albarradas. As naves têm cobertura em arco rebaixado, a central mais elevada, pintada com motivos idênticos, rodeando uma cartela com a Virgem da Assunção, ao centro da nave central. No baptistério surge o retábulo seiscentista de São Lourenço e o púlpito surge adossado a uma das colunas da nave central, do lado da Epístola, possuindo bacia decorada com cartelas, assenta em coluna balaústre. No topo da nave lateral do Evangelho existe capela com túmulo de D. João de Noronha e sua mulher, D. Isabel de Sousa. A capela-mor e as colaterais apresentam arcos de volta perfeita, sobre pilastras, sendo o central mais alto. A capela-mor tem as paredes revestidas a azulejos polícromos de padrão seiscentista, a azul e branco, e retábulo-mor de estrutura maneirista, com colunas coríntias, integrando sacrário em templete e a imagem da padroeira, com telas atribuídas a João da Costa, com passos da vida de Nossa Senhora, separadas por pilastras, rematando o conjunto um frontão em cujo tímpano se inscrevem telas ovais. As capelas colaterais têm as paredes revestidas a azulejos de padrão; a do lado Evangelho, dedicado a São Brás, tem retábulo de estrutura barroca, em talha joanina, e a do lado da Epístola, é dedicada a Santa Catarina, possuindo retábulo em talha dourada de estrutura maneirista com telas de Josefa de Óbidos; os frontais dos altares têm azulejos mudéjares e as paredes laterais telas com moldura em talha dourada. Anexa à sacristia a capela sepulcral do Dr. Francisco de Azevedo Caminha, com altar com frontal em embrechados de mármore e retábulo em talha dourada seiscentista, abóbada a berço pintada com enrolamentos de folhagem, revestimento azulejar em azul e branco, atribuído a Gabriel del Barco (Meco, 1989).
Materiais
Cantaria e alvenaria de pedra calcária, alvenaria de tijolo, betão, telha cerâmica, mármores, azulejos, madeira, vidro, ferro.
Observações
*1 - DOF: Igreja Matriz de Óbidos / Igreja de Santa Maria e Túmulo ou Monumento Funerário de D. João de Noronha.