Arquitectura civil, manuelina, maneirista. Edifício de planta rectangular constituída por três pisos.
Edifício de planta regular, com três pisos e cobertura em telhado de quatro águas. Fachada principal voltada a O. abrindo directamente para a Pç. de Santa Maria. Apresenta três vãos guarnecidos a cantaria, servindo o do meio de portal e os dois outros de janelas de peitoril. As vergas da porta e da janela do lado direito são assentes em socos. Sobrepujando os vãos existem frontões curvos sendo o da porta interrompido, ostentando o escudo de armas de Portugal estilizado e recente, emoldurado e coroado com peças originais (séc. 15 ou 16). Apresenta ainda um rodapé em pedra e, junto ao beiral, um friso e uma sanca em massa. O alçado N. exibe o mesmo rodapé, embora aqui ele sirva para separar o piso superior do intermédio. No piso inferior existe uma porta, no piso que lhe fica acima, duas janelas de guilhotina (a segunda delas alinhada pela mesma porta) e outras duas janelas, ao lado direito, numa cota ligeiramente inferior; no piso superior existem duas janelas de sacada. No alçado E., apelas se observam três janelas de peitoril ao nível do piso superior. Todos os vãos exteriores são guarnecidos a cantaria, bem como os cunhais. O INTERIOR comporta uma portaria, três gabinetes e um lavabo, bem como uma grande sala; o piso intermédio tem um corredor largo que permite a acessibilidade entre os pisos através de escadaria, duas salas (uma delas com uma lareira) e duas outras salas de grandes dimensões, numa cota mais baixa, a primeira das quais serviu de cadeia, apresentando um tecto original de abóbada de tijoleira e, a segunda, construída em 1998, aberta no subsolo fronteiro à entrada do Museu, também este com tecto em abóbada, de arco abatido. O piso inferior comporta duas salas comunicantes por um grande arco, uma sala de reservas e um lavabo.
Materiais
Paredes em alvenaria, vãos de portas e janelas em cantaria com caixilhos em madeira, estrutura dos pisos e escadaria interior em betão armado, pavimentos em madeira, tectos do piso de entrada em madeira, tecto da sala da antiga cadeia em abóbada de tijolo, cobertura de quatro águas em telha
Observações
*1 - Da construção manuelina apenas subsiste as vergas laterais de cantaria, outrora de comunicação entre o exterior e o actual piso intermédio que, no séc. 16, correspondia ao nível do piso térreo. Nas obras de construção da nova sala do Museu, foram colocados a descoberto vestígios de uma escada exterior, com cerca de um metro de largo, que subia desde o patim onde se encontra o Cruzeiro da Misericórdia, formando um cotovelo no canto entre a Igreja da Misericórdia e o edifício dos Paços do Concelho, continuando até à porta de acesso ao primeiro andar (actualmente piso térreo), a qual seria a do extremo do lado esquerdo. Sob o patamar que se formava junto a esta porta, existia um arco de volta perfeita em tijoleira, pelo qual se acedia ao antigo r/c. Existia um cunhal em cantaria. A alteração da cota da Praça de Santa Maria junto ao edifício dos Paços do Concelho, deu-se, pelo menos, em dois períodos: com as grandes obras de restruturação urbanística da Praça, levadas a cabo por ordem de D. Catarina de Áustria, nas quais se retiraram terras ao desnível natural para alargamento desta, e para instalação do Chafariz da Vila; e no decurso do séc. 17 (cerca de 1665) com a modernização dos Paços do Concelho, e subsequente encerramento do acesso primitivo. No Solar de Santa Maria, no corredor de comunicação entre o piso inferior e o jardim, encontra-se um gradão de ferro que pertenceu a uma porta de acesso à cadeia.