Arquitectura militar, medieval e romântica. Castelo de planta irregular implantado em terreno elevado, formado por duas cinturas de muralhas, sendo a interior reforçada por cinco torres e vários cubelos de planta quadrangular e circular e de alçados verticais. Na liça integra capela visigótica, reconstruída no período românico, de planta longitudinal com nave e capela-mor mais estreita e baixa, rasgada por duas portas travessas, a principal e várias frestas; o portal S. mantém íntegra a decoração dos capitéis com motivos vegetalistas e animais fantásticos. Sem percepção dos limites na maior parte da sua extensão, constituído por vegetação ornamental disposta com um sentido determinado e acompanha de elementos construídos, como banco, canteiros, estátuas e peças de água. Segue uma atitude pictórica sendo estudado numa sucessão de imagens e pontos de vista paradoxalmente inspirado e sugestivo de pinturas de pintores paisagistas de Inglaterra. Rigorosamente projectado para parecer natural e espontâneo numa perspectiva de sobreposição de planos progressivamente mais longínquos e difusos. Este estilo encontra no estilo chinês um profundo conhecimento e domínio da beleza aparentemente natural mas com um conceito temporal radicalmente diferente: assente numa ideia nostálgica do tempo erguem-se nos espaços paisagistas elementos construídos intencionalmente em ruínas. Oferece um cenário lendário a que se pode associar um carácter paradisíaco, insólito e enigmático. O castelo dos Mouros, pela sua situação geográfica e robustez, era considerado, juntamente com o de Santarém, um dos principais pontos da estrutura militar da Belata - província muçulmana que corresponde mais ao menos ao Ribatejo e Estremadura. O imóvel sofreu profundas remodelações ao longo do tempo, predominando essencialmente um carácter de ruína romântica, resultante dos estragos provocados pelo tempo e das obras de D. Fernando II. As torres, que inicialmente deviam ter dois registos, têm feição bastante modificada, sem qualquer vestígio da divisão interna em pisos ou sistema de cobertura. No entanto, a localização destas e dos cubelos parece coincidir com a representada na gravura de Duarte de Armas. O facto da capela estar dentro das muralhas do castelo levou à tradição de considerá-la mesquita. Se bem que é provável a existência de um local de culto para a população islâmica, que parece ter sido numerosa na época, não cremos que possa existir uma associação com este edifício. Será mais lógico pensar-se num possível reaproveitamento para o culto moçárabe. Uma gravura do séc. 19 regista parte dos motivos pintados na parede testeira da ábside com rosetões inscritos em círculos de fundo azul, ornamentos fitomórficos envolvendo a barra exterior e a representação do orago.
Castelo de planta irregular, com cerca de 450 m. de perímetro; implanta-se sobre forte maciço rochoso que, a NO. e N. é aproveitado como defesa natural intransponível. É formado por dupla cintura de muralhas, conservando na liça capela de pequenas dimensões. Na muralha exterior abrem-se, junto à Abelheira e a poente da Tapada dos Bichos, portas de acesso em rodísio, de onde partem caminhos serpenteantes. A 2ª cintura de muralhas é reforçada por cubelos quadrangulares e um circular, tendo adarve inserido na espessura das muralhas com parapeito para protecção, e é coroada por merlões piramidais. É nela que se abre a entrada principal do castelo, protegida por 2 cubelos avançados e por adarve que encima o pano da muralha. Perto dispõem-se ruínas de antigas edificações, correspondentes a celeiros e zona de recolha de animais e a uma cisterna; esta tem planta rectangular com 18 m. de comprimento, 6 m. de largura, 6 m. de altura, da soleira da porta ao pavimento, e 3 m. ao fecho da abóbada, que é de canhão e vazada por duas clarabóias; a água podia ser tirada por bomba no tanque que a encima. Pela muralha distribuem-se ainda cinco torres, de planta quadrangular e uma circular, de alçados encimados por merlões piramidais e junto às quais existem ainda vestígios de antigas construções e uma pequena saída em cotovelo, actualmente entulhada e cheia de silvas, abre para a zona N., a qual talvez correspondesse à Porta da Traição, não correspondendo a uma identificada como tal, em arco de ferradura, que abre para a Praça de Armas. No topo S., surge a torre mais alta, conhecida como Torre Real. No perímetro do castelo existem várias tulhas ou silos árabes, actualmente bastante entulhadas, tendo uma delas, segundo a tradição, ligação com a povoação de Rio de Mouro. A CAPELA, orientada, tem planta longitudinal, com nave e capela-mor rectangular mais estreita e baixa, com fachadas em alvenaria e cantaria aparente, sendo a nave rasgada por duas frestas em cada um dos lados; os acessos processam-se pelas fachadas O., esta arruinada *1, levando a escadas descendentes, e pela fachada S., onde se rasga arco pleno, de dupla volta, apoiados em colunelos de capitéis decorados, com elementos vegetalistas e animais fantásticos: basiliscos e grifos. Fachada N. com abertura a c. 1,5 m do solo, correspondente a uma primitiva porta, elevada devido ao declive acentuado do terreno. Na fachada posterior, são visíveis quatro níveis de aparelho, e pequena fresta. Arco triunfal duplo assente sobre colunas de base semelhante às do portal S. com capitéis de motivos fitomórficos talhados a bisel e vestígios de ter possuído uma porta. Capela-mor com abóbada de berço com vestígios de frescos, visíveis também sobre a fresta da parede, representando um firmamento e a auréola de uma figura, correspondente ao orago, rodeado por motivos florais e geométricos, tudo rodeado por um friso com geométricos. Do lado do Evangelho e da Epístola, pequenos nichos rectangulares para alfaias. Por entre as edificações do castelo cresce de forma aaparentemente natural vegetação exótica e auttóctone que acentua o caractér romântico deste local.
Materiais
Calcário com aparelho "mixtum vittatum", calcário azul de Sintra nos colunelos da capela e frescos na capela-mor.
Observações
*1 - Zona Especial de Proteção conjunta da Igreja de Santa Maria e Castelo dos Mouros. *1 - os capitéis da fachada principal da Capela, com decoração fitomórfica, encontram-se recolhidos no Museu do Carmo. *2 - as escavações na capela revelaram, à sua volta, a existência de uma necrópole medieval, remontando as sepulturas, até agora escavadas, aos finais do séc. 12, inícios do séc. 13.