Arquitectura de transportes e comunicações, do século 20. Estação ferroviária com construções referenciadas a distintas correntes de influência estética e arquitectónica. Destaca-se a articulação volumétrica do conjunto da arquitectura utilitária, com coerência formal na organização do espaço, de grande dignidade urbana. Modernidade ainda na abordagem em clareza pragmática do programa racionalista utilizado, com contenção de volumes, e expressão plástica tendencialmente geometrizante, da arquitectura do betão, em especial na Torre de Sinalização e Manobra. Azulejaria de composição figurativa de cunho historicista e folclorizante, com enquadramentos e ornatos de inspiração neo-barroco, em painéis tipo postal regional. Estação ferroviária decorada com painéis de azulejo de composição figurativa, ilustrando temas de cunho historicista e regionalista, característica dos anos 20 / 30.
O conjunto engloba o edifício de passageiros, o cais para passageiros e mercadorias - dotado de quatro plataformas para seis linhas férreas -, uma torre de sinalização e manobra ferroviária, além de outras construções anexas ou subsidiárias ao funcionamento da estação como as instalações sanitárias, edifício para armazenamento de mercadorias, abrigos para os passageiros e duas passagens pedonais superiores. EDIFÍCIO DE PASSAGEIROS - Planta rectangular, desenvolvida em dois pisos, de volumetria horizontal e com cobertura em telhado de quatro águas, rasgada por três chaminés de planta rectangular. Nas 4 fachadas painéis de azulejos à altura do primeiro registo, separados por vãos de janelas e portas. Vãos de janelas e portas bem marcados com verga, ombreira e pedra de peito ou de soleira, em calcário; registos marcados por cornija arquitravada; remate em cornija arquitravada e beiral, a que se sobrepõe um frontão rectangular, com inscrição toponímica da estação, com remate em pequeno telheiro e 2 pinhas nos topos. Fachada principal orientada a N., embasamento proeminente em cantaria; 3 panos com o do meio em destaque, divididos por pilastras sobrepostas e cunhais que acompanham o 1º registo; 2 registos: o inferior em aparelho rusticado e o superior de reboco com 3 portas de 2 batentes e bandeiras de arcos plenos; no piso superior, sobrepõem-se àquelas, 3 janelas rectangulares; panos laterais de 2 registos: no 1º, à direita, 4 portas e à esquerda, 2 portas e 1 janela; no piso superior, em ambos os panos, vãos de 4 janelas; a meio dos pisos, em cada um dos lados, logotipo dos Caminhos de Ferro Portugueses. Na fachada da gare, disposição dos panos igual à da anterior, com pilastras e cunhais até à altura do primeiro piso. No piso térreo, telheiro de placa de zinco, assente em armação de ferro e em finos pilares de ferro fundido, separa o registo inferior do superior; sob este, uma série de portadas. No piso superior, rasgam-se janelas em sobreposição aos vãos do piso inferior; nos panos laterais, nos intervalos dos vãos, armações de vigas de betão em ângulo, são o suporte de 4 telheiros; o pano central segue o desenho do correspondente na fachada fronteira. Fachadas laterais de 1 pano e 2 pisos, definidos por cunhais até à altura do primeiro registo, rematadas por cornija e beiral; na da direita, 1º piso com 2 janelas e 1 porta, a que se sobrepõem no 2º piso, 3 janelas. Na fachada oposta, 2 janelas no piso térreo, e 3 no superior; nesta fachada, inscrição toponímica da estação e placas apostas, comemorativas de prémios concedidos à Estação. INTERIOR: espaços diferenciados das salas de serviços, de chefia, de administração, de atendimento ao público, de uso de utentes, de residência com iluminação dada através dos vãos já referenciados; pé-direito de dois andares: de paredes rebocadas lisas e com azulejaria. Coberturas de tectos lisos de alvenaria rebocada. Pavimentos em mosaicos de faiança.
Materiais
Cantaria, alvenaria, betão armado, ferro fundido, tijoleira, mosaicos de cerâmica vidrada, azulejos, madeira, telhas.
Observações