Igreja de provável fundação quinhentista, reconstruída em finais do séc. 17, inícios do séc. 18, e, novamente, em finais da mesma centúria, de que deverá datar a estrutura da capela-mor, com cunhais e cornijas de pedra, assim como a dupla sineira encostada ao topo da sacristia. Com planta retangular composta por nave única e capela-mor, mais estreita, ladeada por duas dependências simétricas, interior com iluminação regular axial e bilateral. Fachada principal de desenho austero, resultante da sua reconstrução no reinado de D. Maria I, possivelmente terminada em empena com as insígnias de São Pedro, hoje na Igreja das Águas de Moura, seccionada em dois registos, rasgados por portal e janelas laterais retilíneas e janelão superior. Nas fachadas laterais existem dois corpos semicilíndricos que albergam, interiormente, as escadas de dois púlpitos, de características renascentistas. No interior, nave de dois registos separados por cornija, apresenta quatro arcos de volta perfeita, sobre pilastras, abertos na espessura das paredes laterais, integrando as portas travessas e as capelas laterais, tendo, a meio, púlpitos confrontantes com base em cantaria decorada. Arco triunfal de volta perfeita e, também este, muito simples. Capela-mor com estrutura re-entrante na parede testeira, onde se adoçava o altar-mor, possivelmente barroco, e elaborado na encomenda de 1734. À última campanha de obras pertencem os dez painéis de azulejo figurativo alusivos à vida de São Pedro, que revestiam a nave e a capela-mor e hoje figuram no Seminário de São Paulo de Almada, os quais apresentam similitudes com os existentes na Igreja de São Pedro da Ericeira (v. IPA.00002613), com a mesma temática e autoria de Francisco Jorge da Costa.
Planta retangular, composta por nave única e capela-mor, mais estreita, tendo adossadas duas dependências simétricas, a sacristia, a norte, e uma arrecadação, a sul (ao serviço do cemitério). Volumes articulados, atualmente sem a cobertura, que remataria em beirada simples. As fachadas são rebocadas e pintadas, percorridas por um soco de alvenaria calcária, apresentando algumas zonas, sobretudo na fachada principal e na lateral esquerda, o aparelho rusticado de pedra e tijolo à vista. A fachada principal, virada a oeste, sem remate e cunhais de cantaria, apresenta dois registos, marcados por cornija, abrindo-se no inferior o portal, de verga reta simples, encimado por friso e cornija, que se sobrepõe ao da divisão dos registos, ladeado por duas pequenas janelas quadrangulares com molduras de alvenaria simples; no segundo registo abre-se um janelão retilíneo, superiormente incompleto e já sem moldura. Fachadas laterais idênticas, com a nave terminada em friso e cornija, rasgada por duas janelas retilíneas molduradas e gradeadas, centralizada por um corpo semicilíndrico com cúpula correspondendo à escada do púlpito, abrindo-se ainda uma porta travessa de verga reta rematada com cornija. Os dois corpos semelhantes adossados à capela-mor são rasgados por uma pequena porta com verga de alvenaria simples e uma janela retilínea moldurada. Fachada posterior da capela-mor de cantaria e remate em empena com cornija, tendo sineira dupla encostada à capela-mor. INTERIOR: paredes com vestígios de reboco, e, na zona inferior, a marcação, em negativo, dos painéis de azulejo removidos *1. A parede fundeira tem estrutura tripartida de suporte ao antigo coro, desaparecido, que assentava em três arcos, o central abatido e os laterais de volta perfeita, formando, no sub-coro, abobadas de berço abatido ao centro e de berço, lateralmente, correspondendo, do lado do Evangelho, ao batistério, e, do lado da Epístola, à escada de caracol que servia o coro. As paredes laterais apresentam dois registos marcados por friso e cornija, tendo, de cada lado, dois arcos de volta perfeita sobre pilastras, o do primeiro contendo as portas travessas e o do último uma capela lateral. A meio situam-se dois púlpitos confrontantes, de bacia pétrea retangular, inferiormente decorada, acedidos por porta de verga reta já sem moldura, a partir de porta inferior; a base do púlpito do lado da Epístola encontra-se tombada no centro da nave. Arco triunfal de volta perfeita sobre pilastras toscanas. Na capela-mor são visíveis as pilastras e as colunas do antigo retábulo. Nas paredes laterais abrem-se as portas da sacristia e de um anexo; sobre o supedâneo do altar, conserva-se, igualmente, as marcas de dois painéis de azulejos. Na antiga sacristia, é visível, numa das paredes, o vão de onde foi retirado o lavabo, hoje na Igreja de Águas de Moura.
Materiais
Estrutura em alvenaria mista, rebocada e pitada, molduras dos vãos, cunhais, cornijas e lajeado em cantaria de calcário; base dos púlpitos e parte inferior dos ábacos de todos os arcos e cornijas em mármore; grades das janelas em metal.
Observações
EM ESTUDO. *1 A Igreja de São Pedro da Marateca continha, na nave, dez painéis de azulejos policromos representando cenas da vida de São Pedro. Recolhidos no Seminário de São Paulo de Almada, estiveram largos anos encaixotados. Neste momento, nove desses painéis encontram-se recolocados em diversas dependências do seminário. Os painéis são inteiramente pintados a azul sobre branco, com exceção do friso de pedra torta e das molduras, esponjadas a manganés. O enquadramento é exuberante e praticamente idêntico em todos os painéis, tendo uma estrutura arquitetónica com três pedestais e pilastras laterais ondulantes, terminadas por ábacos de remate reto, no meio dos quais pousam albarradas, sendo a cena historiada envolvida por concheados, volutas e elementos vegetais; inferiormente, possuem cartela com inscrição identificando a cena. Os painéis apresentam: São Pedro faz andar um coxo em nome de Jesus; Cornélio Centurião é batizado por São Pedro; Oração de São Pedro e queda de Simão Mago; Pregação de São Pedro no Cenáculo; Entrega das Chaves a São Pedro; São Pedro curando os enfermos; São Pedro e a visão dos animais impuros; Pregação de São Pedro em Jerusalém; Encontro de São Pedro e São Paulo em Roma; um outro painel, sem cartela identificativa, parece representar a Pesca Milagrosa.