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Convento de Santo António de Ferreirim

Convento de Santo António de Ferreirim

O ponto de interesse Convento de Santo António de Ferreirim encontra-se localizado na freguesia de Ferreirim no municipio de Lamego e no distrito de Viseu.

Convento masculino franciscano observante, com igreja de nave única, coro-alto, capela-mor e capela lateral. Semelhança da torre com a de Cárquere ( Resende) e do Castelo de Lamego (v. PT011805010003).

Planta composta, irregular com volumes articulados e disposição horizontalista das massas. Coberturas diferenciadas de telhados de duas, quatro e cinco águas. Fachada principal com corpo central destacado, ladeado por dois outros de menor altura e em plano ligeiramente mais recuado. Três vãos de acesso a galilé, encimados por três fenestrações rectangulares, sendo a do meio inscrita por frisos e encimada por óculo. Corpo central rematado por frontão triangular armoriado coroado por cruz sobre pedestal. Pilastras encimadas por pináculos enquadram a fachada. Galilé, portante do coro-alto, composta por porta lateral de acesso ao corpo do lado esquerdo e pelo portal da igreja. Este é formado por duas arquivoltas de vergas rebaixadas, com o pé direito interior adornado com florões alternados com troncos de árvores com botões. O exterior decorado com folhagem. Sobre o fecho da abóbada um arco de querena centralmente armoriado. Alçado do lado esquerdo composto por corpo com duas fenestrações dispostas irregularmente, que se adossa ao muro da nave. Neste, quatro fenestrações de arco abatido e uma de pequenas dimensões em plano superior. Capela de planta octogonal de menor pé direito. Fachada tardoz com embasamento e duas fenestrações assimétricas. Face da torre que se junta à capela-mor pelo muro de altar lateral. Fachada do lado direito com duas portas. INTERIOR da igreja com nave única; coro-alto e capela-mor. Do lado do Evangelho, uma capela de arco a pleno centro policromado, planta octogonal e, assente sobre mísula, púlpito policromado. Do lado da Epístola, uma porta comunicante com o exterior; altar e púlpito. Tecto de caixotões de madeira. Arco triunfal policromado. Capela-mor com retábulo de talha dourada e, lateralmente, arcossólio armoriado, policromado, de D. Francisco Coutinho, composto por pilastras com capitéis que ladeiam um arco a pleno centro, que, no seu interior, recebe a arca tumular. Entablamento, frontão triangular, pináculos, medalhões e cogulhos completam o conjunto. Tecto de caixotões de madeira policromada com imagens de santos. Torre de planta quadrada com acesso em nível superior; balcões com cachorrada, gárgulas ameias e merlões. Interior iluminado por vão; frestas e janelas geminadas. Tecto de madeira piramidal.

Materiais

Granito, rebocos e madeiras.

Observações

*1 - a igreja de Ferreirim fazia parte do desaparecido convento de Ferreirim. *2 - o remate do pórtico foi cortado pelo coro-alto; marcação no exterior de um arco a pleno centro. *3 - "desde o cunhal do dormitório até ao cunhal da livraria se há-de fazer o pano de cantaria para dizer com o dormitório, e entablamento da mesma sorte que tem o dormitório, ao nível um com o outro; nesta parede se hão-de pôr dois balaústres, um no meio outro na quina, a parede será de grossura da do dormitório e rebocadas as janelas de cal; na casa da cozinha se há-de fazer, para a parte da Cerca, duas janelas de batente, de seis palmos de alto e três e meio de comprido, com suas grades de ferro, de sorte que por elas não possa entrar uma pessoa. Na casa em que fica a cozinha se hão-de fazer duas celas com duas janelas de batente para a parte da copa, de assento e peitoril que condigam com as do dormitório, e na casa última se hão-de fazer duas janelas da mesma sorte e para a mesma parte; a chaminé se há-de acomodar entre dezasseis palmos de comprido e catorze de largo, e nela se há-de abrir uma janela de dois palmos e meio de largo e cinco de alto, com grades de ferro. As paredes terão até ao sobrado quatro palmos e meio, e para cima até ao telhado três e meio, e no telhado, em redondo da chaminé, um caleiro de pedra assentado em cal, com duas gárgulas para a parte da Cerca, e do telhaod até buscar o olivel há-de ser de perpianho com seus buracos; há-de ter a chaminé um arco abatido de pedra lavrada e outro mais por cima, de pico grosso, assentos de cantaria pelas duas bandas, ladrilhada toda de pedra e uma pedra furada ao alto da parede, para andar o pau do caldeirão, e há-de ser toda a chaminé rebocada de cal pela parte de dentro e por quanto, diz à cozinha, como também a mesma cozinha. Há-de fazer-se, na parede da parte do Eirado, duas frestas de batente com grades de ferro que hão-de ter dois palmos e meio de largo e cinco de comprido, para darem luz à despensa, na qual se há-de fazer pela parte de dentro uma parede atravessada. Na parede de fora se hão-de fazer duas janelas no corredor que vai para a casa última, de assento e peitoril, de quatro palmos de largo e cinco de alto, e na casa da cozinha, o cano da água, para a parte direita que despeje para a Cerca, com as pias de pedra, e fazer-se o cano de chumbo com o repuxo que for necessário. Na área das secretas se há-de fazer um cano de pedra de seis palmos de largo, lajeado pelas partes, descoberto por cima (...)" (ALVES, pp. 132-133). *4 - a porta da casa da tulha será mudada para a casa "Deprofundis" e a que está na entrada desta, metida no meio da parede antes da última casa; serão ladrilhados a casa "Deprofundis", com "assentos de bocel e filete e colarinho e sua meia-cana com seus cachorros em modo de quartelas, bem feitos e escodados e ladrilho de pico miúdo e junta de cinzel"; o refeitório será acrescentado, passando a ter 65 palmos de comprido com 6 mesas de cada banda e mais uma, todas com 16 palmos de comprido, "com seus encaixes dos cachorros para se meterem as gavetas de pau, e com, seus assentos em redor", um púlpito de pedra e escada do mesmo material; as 3 frestas do refeitório ficarão todas ao mesmo nível e com molduras de pedra; a casa adiante da tulha será ladrilhada, com 3 talhas de pedra e um "bueiro que deite a água para fora"; a estrebaria e alpendre onde se mata a vaca, feito de novo, em madeira e telha, surgindo, na estrebaria, duas manjedouras de pedra lavrada; desentulhar a casa por baixo da livraria e endireitar as pias da cozinha; conserto da coelheira e arranjo dos telhados onde for necessário (ALVES, pp. 275-276). *5 - a obra consistia em fazer o forro do refeitório, com florões e rompantes lisos, formando 65 painéis, tendo, no central, uma tarja com as armas dos fundadores, forro semelhante na Casa de Profundis, porta almofadada no refeitório, outra do claustro para a Casa de Profundis, outra desta para a cozinha e outra do refeitório para a casa que lhe fica anexa, assentos da Casa de Profundis e refeitório e respectivos pavimentos em soalho, 22 gavetas paras as mesas do refeitório e outras no armário embutido, fechar 3 tulhas, forrada com o forro antigo do refeitório e rótula na fresta, porta para a fresta da loja, porta da cozinha para a cerca, banca na cozinha, reparo dos respectivos armários e mesa e feitura de rótulas para as 3 janelas, porta do claustro para a Casa dos Moços, onde se farão duas portas e uma terceira na estrebaria; sobrado da Casa dos Moços e celas, porta na cerca de cima, 3 janelas no dormitório novo, 3 bancos de espaldas, adufas para as janelas sobre a portaria, rótula para a janela da livraria, reparo dos sobrados da torre e respectivas escadas, porta do jardim para a cerca, estante para o púlpito, para o refeitório e "dois mancebos para os candeeiros" (ALVES, vol. II, pp. 80-83).