Arquitectura infraestrutural, tardo-barroca. Chafariz urbano, implantado num pequeno largo, ligado à distribuição de água a Lisboa, através de um ramal das Águas Livres, do tipo caixa de água, de planta rectangular e corpo terminado em entablamento e platibanda plena de cantaria, almofadada, rematado por pináculos piramidais; o centro remata em espaldar curvo, com enrolamentos, sobrepujado por frontão interrompido por urna e esfera armilar com brasão nacional, num esquema muito semelhante ao Chafariz da Junqueira (v. PT031106020373). Face principal em cantaria, formando espaldar tripartido, com pano central definido por estípides e os laterais por pilastras rusticadas; os panos apresentam vários painéis almofadados, com bicas circulares que vertem para tanques semicirculares, de bordos boleados, que centram um tanque rectangular. Cada uma das fachadas laterais é rasgada por porta entaipada e janela quadrada, moldurada e gradeada. Chafariz integrado na denominada quarta linha de abastecimento de Lisboa, sendo abastecido pela Galeria do Campo de Santana que, por sua vez, também servia o Chafariz na Rua de São Sebastião da Pedreira (v. PT031106501077), o de Entrecampos, o da Cruz do Tabuado, o Chafariz do Campo de Santana e o do Socorro. O projecto inicial era mais sumptuoso do que o que foi edificado. Encontrava-se adossado a edifício, tendo sido transferido para um ponto central, onde surge isolado, pelo que foram entaipadas as portas das faces laterais e rasgado um acesso na posterior. É, a par do Chafariz da Esperança (v. PT031106370029), apesar deste ser tipologicamente diferente, o único com espaldar tripartido.
Chafariz de planta rectangular simples, integrando arca de água, com cobertura em terraço e as faces flanqueadas por pilastras rusticadas, excepto na face principal, com gigantes em silharia fendida e pilastras toscanas, rematado por entablamento toscano e platibanda almofadada, a da face principal com o centro em ressalto e rematado por pináculos piramidais, assentes em plintos paralelepipédicos. Fachada principal em cantaria de calcário lioz, de espaldar tripartido definido por estípides almofadadas, assentes em plintos paralelepipédicos, tendo, sobre a platibanda, ao centro, espaldar flanqueado por enrolamentos e tendo almofada côncava contendo elemento campaniforme e fitomórfico, rematado frontão de volutas interrompido por urna, sustentando esfera armilar sobreposta por escudo com as armas de Portugal e coroa encimada por cruz. A zona central do espaldar ostenta grande almofada quadrangular côncava contendo dois semicírculos recortados relevados centrando florão, encimada por uma outra almofada com cartela rectangular recortada tendo a inscrição "AGOAS LIVRES ANNO DE 1824". Os panos laterais, seccionados em dois registos por friso, o inferior mais alto, possuem almofadas rectangulares verticais, de ângulos recortados, as inferiores adaptadas à configuração das bicas circulares e salientes, que vertem para tanques semicirculares, de bordos e bases boleados, cada um deles com duas réguas metálicas para apoio do vasilhame; Fachadas laterais e posterior em alvenaria rebocada e pintada de azul claro, percorridas por embasamento de cantaria, as laterais delimitadas por moldura rectangular e rasgadas por porta de verga recta, entaipada, e janela quadrada, moldurada e gradeada. A fachada posterior é rasgada por portal de arco abatido, com fecho saliente, semi-entaipado criando porta mais pequena de verga recta, encimada por janela rectilínea, moldura e gradeada.
Materiais
Chafariz, pilastras, bicas, taças, frontão, platibanda, pináculos, esfera armilar, coroa e moldura dos vãos em cantaria de calcário; fachadas laterais e posterior rebocadas e pintadas; grades metálicas.
Observações
*1 - Por decreto do Ministério da Cultura (dec. nº 5/2002 de 19 de Fevereiro) foi alterado o Decreto de 16 de Junho de 1910, publicado em 23 de Junho de 1910 que designava o imóvel como "Aqueduto das Águas Livres, compreendendo a Mãe de Água", passando a ter a seguinte redacção: "Aqueduto das Águas Livres, seus aferentes e correlacionados, nas freguesias de Caneças, Almargem do Bispo, Casal de Cambra, Belas, Agualva-Cacém, Queluz, no concelho de Sintra, São Brás, Mina, Brandoa, Falagueira, Reboleira, Venda Nova, Damaia, Buraca, Carnaxide, Benfica, São Domingos de Benfica, Campolide, São Sebastião da Pedreira, Santo Condestável, Prazeres, Santa Isabel, Lapa, Santos-o-Velho, São Mamede, Mercês, Santa Catarina, Encarnação e Pena, municípios de Odivelas, Sintra, Amadora, Oeiras e Lisboa, distrito de Lisboa". A classificação como MN deveria revogar a classificação anterior, como IIP, o que ainda não se verificou. *2 - Conhece-se também um projecto do Arq. Honorato José Correia de Macedo e Sá, de maior simplicidade, mas, apesar disso, a complexidade rocaille da fachada levou à sua não aceitação, tendo sido substituído pelo projecto definitivo da autoria conjunta dos dois arquitectos. *3 - "(...) que na Freguesia dos Anjos há, de que se verifique a graça que a Raynha Nossa Senhora fez de ordenar à Real Junta das Fábricas e Inspecção das Agoas Livres, cuja resolução pára na mesma Real Junta para mandar erigir hum chafariz de Agoa de beber, de que necessitam os habitantes, não só da sobredita Freguesia; mas os das Freguesias de Socorro e S. Jorge, Cruz dos Quatro Caminhos, Bombarda, Olarias, Calsada de Santo André e todo o Bairro do Districto da Mouraria athé Penha de França. (...) declare a mesma Senhora que os sobejos do dito chafariz, se entreguem à minha Inspecção, para eu mandar por elle fazer um tanque na horta (sítio da zona do Desterro) para lavarem as lavadeiras com todas as comodidades, não só para o tanque mas para o estendal para poderem comodamente enxugar a sua roupa; pois V. Exª melhor que ninguém conhece que a maior parte dos habitantes desta Freguesia dos Anjos, Socorro, S. Lourenço, S. Christóvão e Pena, pelas muitas ruas escusas que tem, hé gente pobre e mizerável, e que necessitam deste socorro para poderem hir lavar a sua roupa e dos seus pobres filhos.", (in INA/TT: Arquivo do Ministério do Reino, maço 453, cf. FLORES, 1999, p. 26). *4 - um dos projectos de Guilherme de Oliveira apresenta-se adossado a um muro, com o chafariz dividido em cinco registos, por pilastras rusticadas e por colunas com tambores salientes e ornados por elementos fitomórficos; nos panos exteriores, surgem portas em arco de volta perfeita, inscritas em alfiz, encimados por apainelado almofadado; no central, surge apainelado recortado e emoldurado por concheados, rematado por concha, tendo na base uma bica em forma de carranca; os panos laterais possuíam bicas simples; o tanque eram amplo, tomando toda a largura dos três panos centrais, côncavo ao centro.