Colégio da Companhia de Jesus, de planta rectangular simples, desenvolvida em torno de dois claustros, com a igreja na zona central, longitudinal, de nave única, para onde abriam três capelas intercomunicantes, transepto inscrito e capela-mor pouco profunda, seguindo o esquema comum das igrejas da Ordem. Do edifício original, resta uma parte de uma das quadras, com fachada principal de três pisos e mansardas, tendo a zona central simétrica, organizada a partir de um eixo de vãos, composto pela porta rectilínea da primitiva portaria e por janelas de sacada, nos pisos superiores. Fachadas circunscritas por cunhais apilastrados e rematadas por friso e cornija, a lateral direita rasgada regularmente por janelas rectilíneas, apresentando ao centro do segundo piso, uma ampla janela de sacada, rematada por espaldar e cornija contracurvada, marcando os corredores de circulação. Antiga portaria, com cobertura em falsa abóbada de lunetas, ornada por painéis de azulejo, de onde partem as escadas de acesso ao piso superior, organizado por amplos corredores abobadados, para onde rasgam portas de verga recta. Na zona posterior da primitiva igreja, desenvolve-se a sacristia, de planta rectangular, com decoração barroca e pombalina, resultante de reconstrução após o terramoto de 1755. O actual Salão Nobre possui decoração azulejar alusiva a várias disciplinas, aos planetas e continentes, apontando para uma possível utilização como sala de aula. O actual complexo hospitalar é composto por mais quatro corpos, de execução mais recente, alguns deles datáveis do final do séc. 19 e inícios do 20, seguindo esquemas funcionalistas, de arquitectura simples, marcada por amplos vãos rectilíneos. Ampla unidade hospitalar, situada no local onde se implantou um Colégio da Companhia de Jesus, de que resta parte da quadra e corpo do lado direito, a antiga sacristia, actualmente transformada em capela, e a Porta do Carro, tendo sido as restantes dependências demolidas para a construção dos corpos que hoje observamos. Contudo, a estrutura dos corpos da zona colegial e da igreja ainda são discerníveis na planimetria do conjunto, sendo visível a sua invulgar amplitude, especialmente da última, uma das maiores do país, e o único templo jesuíta português que seguiu, de forma rigorosa, as soluções da igreja-mãe da Companhia, em Roma, optando pela utilização de cúpula sobre o cruzeiro. A fachada principal da igreja, visível em vários desenhos oitocentistas, aponta para um esquema maneirista, tripartido, imposto pelas grandes pilastras colossais e pelos três pórticos, ladeados pelos volumes das sineiras, largamente divulgado pela Ordem ao longo de Seiscentos em todos os seus imóveis. No corpo sobrevivente, surge a portaria, com cobertura pintada após a extinção da Ordem religiosa, apontando para esquemas tardo-barrocos, com o escudo português, anjinhos e festões. Deve-se destacar uma enorme sala de três naves, hoje alterada pela introdução de uma escadaria, que pensamos terá constituído um espaço de circulação e, sobretudo, a enorme sacristia, totalmente em cantaria, com abóbada de caixotões em pedra, formando, nos topos, lunetas, os arcazes de madeira exótica, de grandes dimensões e profusa decoração, encimados por espaldar pintado com temática mariana, de produção joanina, o pavimento em embrechados; os topos da sacristia resultam de intervenções pombalinas, com a introdução dos típicos retábulos de cantaria, com painéis pintados centrais, rodeados por molduras contracurvadas. Inovadora para a época, será a solução adoptada para a iluminação deste espaço, com janelas num dos lados, cuja luz reflectia nos espelhos fronteiros, amplamente divulgada em Portugal no período rococó. A decoração azulejar de todo o edifício constitui um importante repositório cerâmico, possuindo azulejos do séc. 17, policromos, na "Porta do carro", bem como azulejos joaninos, nos seus vários tipos de produção, desde as composições seriadas de albarradas ao azulejo de composição figurativa, com molduras rectilíneas ou recortadas, destacando-se os exemplares da portaria, escadaria e actual Salão Nobre representando cenas de caçadas, batalhas, ou episódios do Antigo Testamento. Junto ao corpo do Conselho Administrativo, surgem dois grandes blocos de cantaria esculpida, constituindo os únicos vestígios da primitiva igreja; junto à fachada da antiga portaria, surgem várias esculturas marmóreas, o que subsiste dos Apóstolos que se encontravam no interior do templo, ali mandados colocar por um dos administradores do hospital, no séc. 19. Os corpos mais recentes, pelo seu carácter eminentemente funcional, de linhas simples, ajustam-se à planimetria da construção jesuíta, não destoando do conjunto.
Complexo hospitalar composto por cinco corpos rectangulares, construídos em épocas distintas, sem articulação entre si, dispostos num espaço rectangular, de acentuado declive. O corpo principal, correspondente a parte do antigo Colégio, é de planta rectangular irregular, com a ala E. de maiores dimensões, tendo, no lado esquerdo, pátio interno; evolui em quatro pisos, o superior de mansarda, com coberturas diferenciadas de duas, três e quatro águas. Fachadas rebocadas e pintadas de rosa, rematadas em friso, cornija e beiral. Fachada principal virada a S., percorrida por embasamento em cantaria, escalonado, adaptando-se ao desnível do terreno, com dois panos definidos por pilastras toscanas e quatro pisos, os superiores divididos por cornija do mesmo material. No piso inferior, rasga-se, no extremo esquerdo, porta de verga recta de acesso ao pátio e, ao centro, porta com o mesmo perfil e moldura recortada, flanqueada por colunas toscanas encimadas por coroas fechadas e escudo português; servia de acesso à antiga Portaria, à qual se chega através de pequena escadaria, ligando ao primitivo pátio dos Estudos. Encostados à fachada e sobre plintos paralelepipédicos, rematados por cornija, as estátuas de 8 Apóstolos. O piso é, ainda, rasgado por nove janelas de peitoril e uma porta no pano do lado direito, todas com molduras recortadas. No segundo piso, seis janelas semelhantes às anteriores, surgindo, no imediato, 11 janelas de varandim, com guardas metálicas vazadas, surgindo, sobre a porta principal, janela de sacada, assente em 5 consolas, encimada por frontão triangular e flanqueada por orelhas recortadas; no piso superior, igual número de vãos, correspondentes a janelas de varandim, rematadas por cornija, a implantada sobre o portal com orelhas e remate em frontão semicircular. Ao nível das coberturas, onze janelas de mansarda, com cobertura a três águas. A fachada lateral esquerda, virada a O., abre para o pátio, antigo claustro, formando 3 alas de quatro pisos, rasgadas de forma aleatória por portas em arco de volta perfeita e janelas de peitoril rectilíneas. Fachada lateral direita virada a E., de quatro pisos e dois panos definidos por pilastras toscanas, rasgados de forma ritmada por portas em arco de volta perfeita no primeiro piso, a que se sucedem, janelas de peitoril como o mesmo perfil no segundo e quarto pisos, sendo rectilíneas no terceiro; a meio do terceiro, rasga-se amplo janelão de perfil contracurvado, emoldurado a cantaria e encimado por espaldar e cornija contracurvada; é de sacada com guarda de ferro. INTERIOR com acesso pela antiga Portaria, rebocada e pintada de amarelo, percorrida por painéis de azulejo azul e branco, de composição figurativa formando silhares recortados na parte superior e rematados por urnas, representando cenas do Antigo Testamento, truncados por bancos de madeira assentes em consolas de cantaria; tem cobertura em falsa abóbada de lunetas, ornada por anjos, festões de flores e vasos flanqueados por "putti", tendo, ao centro, o escudo português sustentado por "putti" e anjos, sendo o pavimento em lajeado. Lateralmente, as escadas de acesso ao piso superior, a do lado direito de três lanços, com guardas metálicas e arranques volutados, percorridas por silhares de azulejo de composição figurativa; no piso superior, situa-se o Salão Nobre e a Biblioteca. Ao primeiro acede-se por porta de verga recta, flanqueada por pilastras e rematada por friso e cornija, possuindo tecto plano sobre sanca, ornada pelo escudo português, e painéis de azulejo com temática alusiva às Ciências e estratégia militar. Na Biblioteca, silhar de azulejos de composição ornamental representando albarradas. A Sala do Administrador é de planta quadrada, chanfrada nos ângulos tornando-se oitavada, de grande profusão decorativa, com pilastras coríntias, entablamento com embutidos, aletas, portas coroadas por frontões e revestimento em mármore policromo com embutidos. No piso inferior, com acesso pelo pátio, surge a CAPELA, com portal de verga recta e moldura recortada, flanqueado por pilastras coríntias e colunas torças, assentes em plintos paralelepipédicos, de faces almofadadas, ornadas por elementos geométricos; o conjunto é encimado por duplo friso pontuado por querubins e remate em frontão interrompido por pedra de armas, sobrepujados por coroa aberta. É de planta rectangular, totalmente de cantaria, com cobertura em abóbada de berço com os topos em luneta, enquadrando janelas termais, dividida em caixotões de cantaria almofadados, assentes em entablamento, e pavimento em embutidos de mármore e calcário, formando roseta ao centro e motivos geométricos e fitomórficos. As paredes laterais dividem-se em seis tramos definidos por pilastras coríntias, assentes em paralelepípedos, os quatro centrais rasgados por amplas janelas rectilíneas, encimadas por pequenas janelas jacentes, as interiores protegidas por espelhos; os panos exteriores são compostos por portas de verga recta, de acesso ao espaço, encimadas por nichos em arco de volta perfeita, com molduras rectilíneas de embutidos a formar motivos fitomórficos, e por janelas jacentes, algumas entaipadas. Os topos são semelhantes, apresentando, ao centro, altares inseridos em nichos de volta perfeita, assentes em pilastras toscanas e com o fecho saliente, flanqueados por colunas coríntias sobre dupla ordem de plintos paralelepipédicos com as faces almofadadas, encimadas por cornija muito saliente e anjos de vulto; no interior do nicho, retábulo em cantaria, de planta recta e um eixo definido por duas pilastras com os fustes ornados por elementos fitomórficos, sobre plintos paralelepipédicos, surgindo, ao centro, painel pintado envolvido por moldura contracurvada; remate em frontão interrompido por espaldar recortado e rematado por cornija interrompida em volutas. A estrutura retabular é flanqueada por dois nichos rectangulares, os do lado E. contendo o túmulo da Fundadora da Igreja, com lápides epigráficas, e altar de Nossa Senhora de Fátima, surgindo, nos do lado O., pequenos altares; são encimados por nichos semelhantes aos das paredes laterais, contendo imaginária. Às paredes laterais adossam-se amplos arcazes de pau-preto, encimados por espaldar que integram os plintos das pilastras definidoras dos tramos e painéis pintados, flanqueados por quarteirões. No lado direito da capela, desenvolve-se a ala N. do primitivo claustro, sendo visíveis os pilares e as coberturas em abóbada de aresta, dando acesso ao actual bar, antecedido por amplo átrio de três naves assentes em pilares toscanos e com cobertura em abóbadas de aresta, tendo, ao fundo, escadas de acesso ao piso superior, ornadas, no primeiro patamar, por painéis de azulejo azul e branco, representando Nossa Senhora da Misericórdia e, no lado esquerdo, uma "Visitação". Estas escadas levam aos amplos corredores dos antigos dormitórios, abobadados e percorridos por silhares de azulejo policromo, com padronagem geométrica, rasgados regularmente por portas de verga recta. Nos topos das alas do claustro, surgem novas escadas, revestidas a azulejo monocromo, azul sobre fundo branco, formando painéis de composição figurativa, a representar cenas campestres e de caçadas, flanqueados por figuras antropomórficas, na forma de atlantes que sustentam açafates de flores. O CORPO da Administração constitui um edifício de planta rectangular simples, de três pisos definidos por frisos de cantaria, com fachadas rebocadas e pintadas de rosa, tendo cunhais apilastrados e remates em friso e cornija. Fachada principal virada a S., simétrica, de três panos marcados por pilastras toscanas colossais, com eixo central composto por dois arcos de volta perfeita em aparelho rústico, que acede a pequeno átrio, rasgado por duas portas de verga recta; no piso intermédio, duas janelas com sacada comum, assente em bacia de cantaria e com guarda metálica, surgindo, no piso superior, duas janelas de peitoril; nos eixos laterais, surgem duas janelas de peitoril em cada piso. Todos os vãos apresentam molduras recortadas, de cantaria. Fachada lateral esquerda, virada a O., rasgada por janelas rectilíneas de peitoril, semelhantes às da fachada principal. Fachada lateral direita, virada a E., parcialmente adossada ao corpo principal, sendo visíveis os vãos rectilíneos dos pisos superiores, com tratamento semelhante às anteriores. INTERIOR formado por amplo vestíbulo, rebocado e pintado de amarelo, com as paredes percorridas por silhares de azulejo de composição ornamental representando albarradas, de produção recente, encimadas por apainelados de estuque, com tecto plano e pavimento em ladrilho cerâmico branco e preto, formando xadrez; para ele, abrem várias portas rectilíneas e, frontal à entrada, escadaria de 3 lanços, os superiores divergentes, que acedem ao segundo piso, também com várias portas de verga recta, que ligam a estreitos corredores laterais, para onde abrem vários gabinetes. No lado esquerdo do edifício da administração, surgem vários corpos, ao longo de via em forte declive, destacando-se um de planta rectangular e cobertura a duas águas, com fachadas rebocadas e pintadas de rosa, evoluindo em dois pisos, definidos por friso de cantaria, percorridos por embasamento de cantaria e remates em friso e cornija; fachada principal virada a E., rasgada uniformemente por vãos rectilíneos, com porta central e janelas de peitoril, algumas agrupadas e com molduras comuns em cantaria.
Materiais
Estrutura em alvenaria de calcário, tijolo e betão, rebocada e pintada; modinaturas, colunas, plintos, pilastras, pavimentos, cobertura da sacristia, retábulos, túmulos em cantaria (de calcário e mármore); portas, caixilhos e arcazes de madeira; silhares e painéis de azulejo tradicional e industrial; janelas com vidro simples; janelas da sacristia com espelhos; coberturas exteriores em telha.
Observações
*1 - Igreja com fachada virada a S., ladeada por duas torres e antecedida por terreiro, com acesso por 3 portas flanqueadas por colunas e nichos; sobre estes, 5 janelas, a do meio de maiores dimensões, duas delas a iluminar as tribunas, surgindo, sobre a central, uma janela flanqueada por nicho com frontão triangular; no interior, possuía guarda-vento em madeira de angelim, estando o coro-alto assente em colunas de pedra; a nave possuía 3 capelas de cada lado, com acesso por arcos de volta perfeita, encimados por tribunas, constituindo dois registos separados por friso e cornija; possui cobertura de abóbada e, sobre o cruzeiro, zimbório; a capela-mor não se achava concluída, tendo tapume com retábulo fingido, em pintura, o mesmo sucedendo com os retábulos do transepto; no lado do Evangelho, a Capela de Nossa Senhora do Socorro, com sepultura do instituidor e painéis laterais representando a "Última Ceia" e "Natividade"; tinha retábulo de talha dourada com nicho para a imagem do orago; a segunda Capela ainda não tinha ornato, sendo a terceira dedicada a Santa Luzia, com retábulo de talha e banqueta de embutidos de mármore; no lado da Epístola, a Capela de Nossa Senhora da Piedade, com cobertura pintada e dourada e retábulo com a imagem do orago e as pinturas de São João Evangelista e Santa Maria Madalena; nas ilhargas, quadros com molduras de talha, representando Passos da Paixão; a segunda capela era dedicada a Cristo Crucificado e a terceira a Santo Antão, com retábulo de talha e nicho do santo, tendo banqueta de embutidos e, nas ilhargas, quadros com a vida do orago; nos topos do transepto, os retábulos de São Francisco Xavier, no lado do Evangelho, com relíquias "que se ocultam", a imagem e painel com o Santo; no lado oposto, a Capela de São Francisco de Borja, reservada para sepultura de Francisco de Sá, irmão da padroeira da Igreja, tendo retábulo com nicho e escultura do santo, encimado por painel com o mesmo a celebrar missa; sobre cada uma das capelas, 3 janelas; na capela-mor, estão previstos dois nichos para túmulos, surgindo nichos para estatuária, um Evangelista e São Pedro; o altar será de pedraria, tendo painel pintado com "Visão que Santo Inácio teve da Santíssima Trindade"; no colégio, 2 corredores com 22 cubículos cada, existindo, ainda, mais cinco cubículos; no lado direito, ficaria o Pátio dos Estudos. *2 - no Inventário, refere-se a existência das imagens de Nossa Senhora do Socorro e São José, no retábulo-mor, surgindo, nos demais, São Francisco Xavier e Santa Luzia; na sacristia, as imagens de São Francisco de Borja, São Luís Gonzaga e São Estanislau; sobre a banqueta do altar-mor, surgiam 3 meios-corpos de prata, um Crucificado de prata com cruz em bronze dourado; lâmpadas de prata nas capelas de Santa Luzia, Nossa Senhora da Piedade e Santo Antão; no altar da Portaria comum, um Santo Cristo de vulto e quatro quadros, com molduras acharoadas, representando Padre António Vieira, Padre Sebastião Barradas, Padre Francisco de Mendonça e Padre Pedro da Fonseca; no patamar do 3.º lanço da escada, um quadro de São Francisco Xavier, surgindo, no último lanço, quatro quadros de D. João III, D. Sebastião, Cardeal D. Henrique e Papa Paulo III; no Refeitório, 12 quadros com a vida de Santo Inácio de Loyola, uma "Última Ceia", um São Pedro de Alcântara e São Francisco Xavier; na Casa dos Lavatórios, quadros de Santo Inácio e de São Estanislau Koska com a Virgem; na Capela, quadros de "Santo Inácio e São Francisco Xavier", "Santo Inácio e a Santíssima Trindade", Nossa Senhora, "Sacrifício de Abraão", "Despedida de Agar", "Adoração dos Magos" e o "Trânsito da Virgem"; existência de vários instrumentos matemáticos e mapas; na Capela da Confraria dos Estudantes, dedicada a Nossa Senhora; a botica tinha 3 salas. O Colégio tinha o Padroado das igrejas de Nossa Senhora da Assunção de Enxara do Bispo, São Silvestre do Gradil e bens da Colegiada da Igreja de Ourém.