Ermida construída no séc. 17, por iniciativa privada, e reformada no séc. 18, devido ao seu estado de abandono, executando-se, nomeadamente, o retábulo de cantaria, documentado na visitação de 1726. Possui planta retangular, interiormente com iluminação axial e unilateral, e a fachada com os elementos estruturais e decorativos sublinhados a policromia, de sabor popular. A fachada principal termina em empena, com cunhais apilastrados, e é rasgada por portal de verga reta, encimado por elementos decorativos de provável feitura oitocentista, criando falso frontão, e óculo, atualmente tapado. A fachada lateral esquerda é rasgada por porta travessa e janela e a oposta é cega, tendo a sacristia, acesso exterior. No interior, de espaço único, destaca-se o retábulo-mor em barroco nacional, inserido em nicho, com arco de volta perfeita, e executado em pedra extraída do vizinho Monte Gordo, de planta côncava e um eixo, muito semelhante ao da Ermida de Nossa Senhora do Pilar (v. IPA.00033828), também na ilha, que deverá ter influenciado e, provavelmente, executado pelo mesmo canteiro. A Ermida da Glória possui ainda altar com o frontal revestido a painel de azulejos barroco, azuis e brancos, datados de 1730-1735, com cartela contendo imagem do orago segura por dois anjos, bastante semelhante aos frontais existentes nas ermidas de Nossa Senhora do Pilar e na de Jesus Maria José, na freguesia de Santa Bárbara, atestando a contemporaneidade das obras. À capela e imagem do orago atribuem-se diversos milagre, devido à existência de uma fonte medicinal na sacristia.
Planta retangular composta de nave, tendo adossado à fachada posterior pequeno corpo para albergar o retábulo-mor e à lateral direita sacristia retangular. Volumes articulados com coberturas em telhados de duas águas na capela e corpo posterior e de uma na sacristia, na continuidade da capela-mor, rematadas em beirada dupla. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, a principal virada a noroeste, com cunhais, cornija e molduras dos vãos sublinhados a policromia verde, terminada em empena, com cornija, levemente truncada no vértice, coroada por cruz latina biselada sobre acrotério. É rasgada por porta de verga reta, com moldura encimada por falso frontão angular, definido por elementos de cantaria ornados de motivos vegetalistas relevados (florões e folhas palmas), encimado por óculo circular, entaipado. Fachada lateral esquerda rasgada por porta travessa, de verga reta e janela de capialço, e a oposta cega; na sacristia abre-se, a noroeste, porta de verga reta e, a oeste, janela jacente, ambas sem moldura. INTERIOR de espaço único, com as paredes rebocadas e pintadas de branco. Na parede testeira rasga-se nicho, em arco de volta perfeita sobre pilastras toscanas, interiormente coberto por abóbada de berço e albergando retábulo de cantaria. Este tem planta côncava e um eixo, definido por seis colunas torsas, assentes em plintos e intercaladas por acantos relevados, prolongando-se no remate da estrutura em igual número de arquivoltas, torsas alternadas com planas ornadas de acantos, e unidas por aduelas no sentido do raio; ao centro rasga-se nicho, em arco de volta perfeita, albergando imaginária, assente em mísula retilínea. Nos intercolúnios, sobrepõem-se duas mísulas com imaginária. Altar paralelepipédico, com frontal revestido por painel de azulejos, azuis e brancos (7 x 15 azulejos), com marcação de sanefa e sebastos, decorados de acantos, e tendo ao centro cartela de volutas, sustentada por dois anjos e contendo a imagem de Nossa Senhora da Glória; a cartela é envolvida de acantos.
Materiais
Estrutura em alvenaria de pedra rebocada e caiada; cunhais, friso, cornija, molduras dos vãos e cruz em cantaria pintada; portas de madeira; retábulo de cantaria; frontal de altar em azulejos azuis e brancos; cobertura e beirada de telha de meia-cana tradicional.
Observações
*1 - Segundo Frei Agostinho de Monte Alverne, nas Crónicas da Província de S. João Evangelista, "(...) andando hua menina pastando ovelhas, que sendo mulher de juízo, contou este caso, que vira junto de si no circuito de huas rasteiras, hua nuvem branca em forma de neve da qual ouviu uma vox que lhe dice: dize ao teu vigario diga ao povo faça penitencia pª aplacar a ira de Des e dito isto se desfez a nuvem e não vio mais cousa alguma". Manuel Chaves Carvalho refere outra versão da lenda. Segundo ele, o local escolhido para construir a ermida era o vizinho Outeiro da Fonte e para aí se havia carregado pedra da pedreira do Monte Gordo. Mas, no dia seguinte, pela manhã, a pedra aparecia no local de uma fonte, onde florescia uma roseira. Nesse mesmo local, a Virgem havia aparecido a uma pastorinha, pedindo para dizer ao padre da freguesia que estava ofendida, e que queria que ali se construísse a sua ermida. Não tendo o padre acreditado na pastorinha, a Senhora volta a aparecer-lhe e marca-lhe a testa com três dedos, o que fez o padre ficar convencido e mandar erguer o templo no local indicado.