Capela seguindo a estrutura dos modelos maneiristas, mas reformada ou ampliada em 1733, conforme inscrição na frontaria, e, possivelmente na segunda metade do séc. 18, altura em que se deve ter aberto o portal da sacristia e feito as pinturas da cobertura da capela-mor. Tem planta retangular composta por nave e capela-mor, exteriormente indiferenciadas e interiormente com iluminação axial e coberturas de madeira, tendo adossado à fachada lateral direita sacristia retangular. A fachada principal termina em empena e é rasgada por portal de verga reta, entre pilastras sustentando entablamento com pináculos relevados, e janela de moldura terminada em cornija. A fachada lateral esquerda é cega e a oposta é rasgada por porta travessa, de verga reta; a posterior termina em empena. As mísulas dos pináculos sobre o portal axial são muito largas e a janela rasgada na capela-mor apresenta modinatura mais recente. No interior possui púlpito de madeira no lado do Evangelho, arco triunfal de volta perfeita sobre pilastras, retábulo-mor em barroco nacional, de planta côncava e um eixo, e cobertura em falsa abóbada de berço, com pinturas tardo-barrocas.
Planta retangular composta por nave e capela-mor, exteriormente indiferenciadas, tendo adossada à fachada lateral direita sacristia retangular. Volumes articulados com coberturas diferenciadas em telhados de duas águas na capela e de quatro na sacristia, rematadas em beirada simples na lateral esquerda da capela e dupla nas restantes. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, a principal, virada a O., com soco de cantaria, pilastras toscanas nos cunhais, coroadas por pináculos tipo pera, e terminada em empena com cornija, coroada por cruz latina, de braços biselados sobre acrotério. É rasgada por portal de verga reta, com moldura ladeada por pilastras, sustentando entablamento, com cornija intermédia, sobreposto por dois pináculos laterais relevados sobre mísulas bastante largas. Encima o portal pequena janela quadrangular, de moldura inscrita e terminada em cornija reta. Fachada lateral esquerda cega e a direita rasgada, na nave, por porta travessa de verga reta e moldura simples e, na capela-mor, por janela retangular moldurada; sensivelmente a meio da capela-mor surge, sob a beirada, gárgula de meia cana. A sacristia possui a fachada virada a O. com faixa pintada a bordeaux, remate em friso e cornija, cunhal apilastrado e é rasgada por eixo de vãos composto por portal em arco em asa de cesto, com moldura percorrida por filete e recorte superior, e janela de peitoril, igualmente com moldura percorrida por filete e com pano de peito em cantaria. A fachada lateral é cega. Fachada posterior da capela-mor cega e terminada em empena e a da sacristia rasgada por janela de peitoril, moldurada. INTERIOR com as paredes rebocadas e pintadas de branco e pavimento em cantaria, com lápides sepulcrais numeradas. Nave com púlpito de madeira, no lado do Evangelho, de bacia retangular, acedido por escada de madeira, com guarda em balaústres e pilastras. Arco triunfal de volta perfeita sobre pilastras revestido a madeira. A capela-mor possui cobertura em falsa abóbada de berço, em madeira, pintada com quadraturas, açafates, cartelas de concheados seguras por anjos tenentes e, ao centro, com cartela oval contendo a representação do orago, envolvida por concheados e drapeados. Retábulo-mor de talha dourada e policroma, de planta côncava e um eixo, definido por duas pilastras exteriores, ornadas de acantos, e seis colunas torsas, assentes em mísulas e de capitéis coríntios, que se prolongam pelo remate, em igual número de arquivoltas, unidas por aduelas. Ao centro possui nicho com apainelado, sobreposto por mísula com imaginária. O retábulo é envolvido por apainelados de talha, ornados de acantos e elementos volutados, revestindo toda a parede testeira e adaptando-se à cobertura. A sacristia possui dois pisos, tendo no inferior arcaz e lavabo, pintado, de espaldar retangular, disposto na vertical, com uma bica, encimada por reservatório em arco, sobreposto por inscrição, e rematado por cornija; em frente dispõe-se bacia retangular, sob a qual existe elemento decorativo pintado. Apresenta ainda teto de madeira, sobre travejamento. No segundo piso fica uma pequena arrecadação.
Materiais
Estrutura em alvenaria de pedra rebocada e caiada; soco, pilastras, friso, cornijas, molduras dos vãos, pináculos e gárgula em cantaria de basalto aparente; porta e caixilharia de madeira; vidros simples; rede metálica; grades de ferra; púlpito de madeira; arco triunfal revestido a madeira; pavimento de cantaria; retábulo de talha dourada e policroma; cobertura de madeira, pintada; lavabo de cantaria pintada; cobertura em telha de meia-cana tradicional.
Observações
EM ESTUDO. *1 - São Pedro Gonçalves Telmo é o padroeiro dos marinheiros e a sua devoção difundiu-se a partir das grandes navegações, ligada ao chamado "Corpo Santo", as faíscas azuladas que, por vezes, durante as tempestades, se observavam no topo dos mastros das embarcações, e que também foi chamado de "fogo-de-santelmo". Antigamente, durante a festa do orago, a Irmandade distribuía o chamado "pão do fastio", um pão bento, muito procurado pelos homens do mar e pelas gestantes como remédio contra o enjoo. A tradição ligava esse pão a um milagre atribuído ao santo, quando pregava o dogma da Santíssima Trindade. Segundo Jaime de Figueiredo, anualmente, no dia da procissão, os fiéis, de opas brancas, rodeiam uma nau de velas soltas, que serve de andor à imagem do padroeiro (p. 46).