Moinho de vento construído na década de 80 do séc. 20, como réplica dos antigos moinhos da ilha, integrado nos denominados moinhos tipo São Miguel, com corpo fixo de torre e cobertura giratória, piramidal, oitavada. Possui planta circular e corpo troncocónico, de dois pisos, em alvenaria de pedra rebocada, rasgado por vãos retilíneos, apresentado portas, rasgadas em posição oposta. A cobertura, pintada de preto, tem base oitavada, e gira à força braçal, por meio do sistema de rabo do moinho, disposto posteriormente e que vem até ao solo, e sistema de velame, composto por quatro velas de pano montadas sobre grades retangulares, presas no mastro. No interior conserva o mecanismo de moagem operacional, ao nível do segundo piso. Constitui um dos dois únicos moinhos conservados na ilha e que se podem visitar.
Planta circular, de volume simples e cobertura homogénea giratória, de madeira, piramidal, oitavada, pintada de preto, rematada por pináculo piramidal. Apresenta torre fixa troncocónica, com fachadas de dois pisos, rebocadas e pintadas de branco, com faixa e molduras dos vãos pintados a almagre. A nordeste rasga-se portal de verga reta, com porta e bandeira envidraçada, e, superiormente, janela retangular, possuindo duas outras sobrepostas na face lateral esquerda, uma no piso superior da face direita, mas num nível mais baixo, e uma outra porta e janela superior na posterior. A cobertura giratória ou capelo ajusta-se exteriormente à parede da torre, tendo base octogonal. Na face principal emerge da cobertura para o exterior, a ponta do mastro, quadrangular, pintado de preto e reforçado com braçadeiras de ferro, ao qual se aplica o velame. Este é composto por quatro velas retangulares, compridas, formadas por grades de ripas de madeira, aplicadas a uma viga, ou penal, ligado ao mastro, por braçadeiras de ferro, e contra as quais se prendiam as velas de pano; uma das velas já não tem a grade, conservando apenas o penal, e duas outras têm a tábua de fora incompleta. Atrás da ponta do mastro, abre-se vão retangular e, na face posterior, na base da cobertura, um outro, envidraçado. Na face posterior da cobertura saem as pontas de três barrotes grossos, onde se fixam as três varas, inteiriças, do rabo do moinho, que faz girar a cobertura, procurando a orientação mais conveniente para as velas. A vara do meio, o rabo propriamente dito, desce a direito, enquanto as laterais, os braços, se dispõem obliquamente e convergem para baixo, juntando-se-lhe um pouco antes de chegar ao solo; na ponta do rabo, existe uma argola para o amarrar a um dos malhões. INTERIOR com as paredes rebocadas e pintadas de branco, inferiormente mais espessas e de topo rematado por fechal de pedra, onde, pelo lado interno, rodam as rodas de madeira. O piso superior tem pavimento em soalho assente em fortes vigas paralelas, os dormentes, ligados por duas travessas perpendiculares, as travessas dos dormentes, formando um quadrado aberto a meio do moinho, e por travejamento perpendicular exterior a esse. A comunicação entre os pisos é feita por escada de madeira, disposta junto à parede. A cobertura assenta numa armação, o jogo, composta por duas grossas vigas, as madres, que pousam sobre a espessura das paredes, interligadas por travessões igualmente grossos, formando, no setor intermédio, uma grade quadrangular. O mecanismo do motor do moinho é composto, essencialmente, pelo mastro ou eixo horizontal, viga extremamente grossa e possante, de secção quadrangular, que corre na diagonal entre as duas madres, sendo acionado pelo velame. Atrás, a extremidade do mastro adelgaça e leva um agilhão de ferro, que gira numa espessa chumaceira fixa. O mastro, entre os travessões de trás e o do meio, liga-se a uma roda dentada vertical, a entrosga, envolvida por cinta metálica, e igualmente em posição inclinada. Os dentes da entrosga engrenam nos fuselos do carrete, roda horizontal, ligada a um eixo vertical no centro do moinho, que transmite o seu movimento ao mecanismo de moagem ou moenda, que fica em baixo. Esta, dispõe-se a meio do segundo piso, sobre o quadrado central, deixando à vista no piso inferior a face inferior da mó fixa, e a armação e mecanismo do urreiro suspenso no alto. A mó inferior, o pouso, mais alta e fixa, e a de cima, ou andadeira, são rodeadas por celha, de aduelas verticais de madeira, com cinta metálica, que evitam a farinha espalhar-se para os lados; é protegida por tampa e sobre ela dispõem-se os quatro prumos da armação da moega, onde se coloca o grão para moer, que escorre pela quelha para o olho da mó. O cereal triturado é expelido para fora do intervalo das mós pela ação de força centrífuga, para o tremonhado, caixa de madeira fixa à celha. Sob a mó fixa, suspenso do travejamento onde assenta o piso superior, fica o mecanismo do tempereiro, que serve para graduar a distância entre as duas mós e, consequentemente, a finura da farinha, sendo constituído pelo urreiro e o aliviadouro.
Materiais
Estrutura de alvenaria rebocada e pintada; portas, caixilharia, sobrado, escada, cobertura e sistema de moagem em madeira; braçadeiras e outros elementos em ferro; vidros simples.
Observações
*1 - Aquando da inauguração do moinho do Ginjal, foi feito um memorando com a lista das pessoas e instituições que apoiaram a sua construção, e da qual constam: Manuel Tavares, pai de Saul Fontes Chaves e que, dados os seus conhecimentos, permitiu a construção de peças especificas; a Divisão do Equipamento Social de Santa Maria; a Divisão de Agricultura de Santa Maria; a Divisão dos Serviços Florestais; a Câmara Municipal de Vila do Porto; a E.D.A. - EP Santa Maria; a Firma Ângelo e Costa e Auto Jermar. Os colaboradores que apoiaram são: José salvador; Gil de Bairos; José Maria Câmara Resendes; o Dr. Jorge Gago da Câmara; José Joaquim Arruda Monteiro; José de Bairos; José Amaral; António Isidro Figueiredo Bairos; António Resendes Fontes; Manuel Freitas Melo; Manuel Fontes Braga; José Carvalho Paiva; Luís António Andrade Borges; Paulo Sérgio Braga Chaves; José Braga Moura; António Figueiredo Coelho; Luís Figueiredo Coelho; Jofre Braga S. Batista; Hélio J. Cabral Rebelo; José Julião M. Andrade; António M. Cabral; Paulo José M. Ferreira; José Tavares Braga e Vasco António Figueiredo Batista.