Casa-torre medieval, de planta quadrangular, com três pisos abobadados. Integra apontamentos da arte manuelina de influência mudéjar, frequente no Alentejo, tais como coruchéus cónicos e vãos mainelados com arcos em ferradura. Enquadrada no grupo de construções senhoriais que constituem símbolo de apropriação do território (domus-fortis), conjugando a função residencial temporária ou permanente com características formais associadas à arquitectura militar (torre). Faz ainda parte do grupo de construções tardo-góticas que testemunharam a passagem da utilização do paço fortificado para a torre residencial, no decorrer da renovação da importância política do Alentejo durante a 1ª dinastia (Silva, 1989). As suas características arquitectónicas, decorativas e funcionais aproximam-na da Torre do Carvalhal (v. PT040706050026) e da Torre da Camoeira (v. PT040705090077) com as quais tem em comum, entre outros elementos, uma escadaria helicoidal interior rematada por coruchéu cónico visível no remate.
Torre de planta rectangular (mas quase quadrada) dividida em três registos, coberta por telhado de duas águas, com cornija de meia-cana e merlões chanfrados de remate curvilíneo, incluindo chaminé de ressalto rectangular, alongando-se no remate da fachada S. Na mesma fachada, encontra-se, a nível do segundo piso, um vão de porta mainelado, formando dois arcos em ferradura, mostrando colunelo ornamentado; a nível do terceiro piso, um vão de janela também mainelado, formando dois arcos canopiais duplos, tendo o colunelo do mainel capitel em mármore. Esta fachada está caiada de branco até ao nível do segundo piso. A fachada E. apresenta três vãos de janela de lintel recto, sendo o do piso térreo gradeado e de menores dimensões, tendo um pouco abaixo um orifício quadrangular. A fachada N. apresenta dois vãos de janela de lintel recto nos pisos superiores e um vão de pequenas dimensões e enxalço profundo. A fachada O. não possui aberturas e encontra-se adossada a um dos edifícios anexos até ao nível do segundo piso. No cunhal que une a fachada O. e a fachada N. encontra-se uma torrela cilíndrica projectada para o exterior, rematada por coruchéu cónico de friso simples. Nesta torre insere-se uma escadaria helicoidal que permite o acesso ao 2º registo e ao terraço. Pisos interiores cobertos por abóbadas de nervuras muito rebaixadas. Os edifícios anexos, em parte talvez correspondentes ao antigo paço, articulam-se com a torre, partindo do volume a O. uma escadaria de acesso ao primeiro piso da torre com voluta no arranque no corrimão; ao lado no piso térreo uma arcada tripla em alvenaria rebocada e contrafortes no lado oposto sugerem que os baixos sejam abobadados.
Materiais
Granito
Observações
A povoação mais próxima terá sido a de Nossa Senhora da Boa Fé, a cerca de 3km da torre, razão pela qual também seria conhecida como Torre da Boa Fé. Esta povoação terá sido a mais importante das imediações, tendo sido substituída, ao longo do tempo, pela de São Sebastião da Giesteira.