Conjunto de casas associadas com logradouro. Fachada principal rebocada, de vãos emoldurados com elementos em tijolo cerâmico. Recurso a elementos utilizados num período romântico revivalista como as ameias a servir de platibanda.
Conjunto de três casas em banda, de planta rectangular com logradouro., implantadas num terreno com declive. Volume simples com coberturas em telhado de duas águas. A fachada principal, orientada a S, constituída pela associação de três habitações é marcada em cada uma delas, por um vão central correspondente à entrada ladeado por uma janela rectangular de duas folhas. Todos os vãos há mesma altura, de verga recta são emoldurados por elementos em tijolo cerâmico de dois tons, colocados alternadamente formando um contorno recortado. Superiormente em toda a extensão a encimar a fachada dois frisos salientes rebocados encaixam friso decorativo cerâmico em relevo. Sobre este entablamento, uma sucessão de elementos em tijolo tipo ameias. Na fachada posterior rebocada destacam-se três volumes salientes adossados de cobertura em telhado de uma água. A fachada lateral a O. de empena triangular, apresenta pequenas frestas. No INTERIOR, a casa ligeiramente elevada relativamente à rua apresenta um hall com uma escadaria de acesso a um corredor central ladeado por uma sequência de compartimentos, que no seu remate, junto à parede posterior alarga para inserção de uma escada de tiro de acesso ao piso inferior com zonas de serviço, tais como , cozinha, sanitário, despensa e lavandaria. Todos os espaços, à excepção da cozinha são soalhados e apresentam uma caracterização simples e despojada, com rodapés e portas almofadadas pintadas. Dos vãos das traseiras, no último piso, disfrutam-se de vistas sobre a cidade do Porto.
Materiais
Paredes exteriores em alvenaria de tijolo maciço revestidas a reboco; cobertura em estrutura de madeira revestida a telha marselha; paredes interiores estucadas; tectos estucados; pavimento em estrutura de madeira forrada a soalho ou mosaico cerâmico; caixilharias de madeira pintadas; platibanda e cornija com elementos de tijolo cerâmico
Observações
A Fábrica de Cerâmica das Devesas, fundada por António Almeida da Costa possuía incorporada na mesma uma Fundição. Esta Fundição além da produção de artefactos de ferro produzia as máquinas ligadas à produção cerâmica. O sócio de António Almeida e Costa era o Mestre José Joaquim Teixeira Lopes, Mestre de Escultura Cerâmica. A sua formação vinha da Escola de Belas Artes do Porto e da Escola Imperial de Paris. A unidade industrial das Devesas, assim como a do Carvalhinho e a de Massarelos estão ligadas à produção de "azulejo de relevo". Inicialmente era conhecida pela Fábrica A. A. Costa & Cª., depois Fábrica Cerâmica e Fundição das Devesas e posteriormente Companhia Cerâmica das Devesas. Deve-se à Fábrica das Devesas a introdução em Portugal da telha marselha. A ela estiveram ligados grandes artistas cerâmicos, como Teixeira Lopes (pai), Teixeira Lopes, Oliveira Ferreira, Diogo Macedo, Sousa Caldas, Henrique Moreira e etc. Na sua produção, além do fabrico de azulejos relevados, louça artística comum, ferros forjados e fundidos, mosaicos de pavimento distinguiu-se na reprodução de obras da Escola de Gaia, nomeadamente estatuária e painéis decorativos. Dada a importância da Fábrica das Devesas e sendo o Porto um centro de comércio por excelência é construído este edifício na R. D. Carlos I (actual R. José Falcão) como casa-depósito dos materiais produzidos para mostruário e comercialização dos mesmos. *1 - incluído no conjunto da Fábrica Cerâmica das Devesas que fazem parte : A- núcleo fabril 1; B- Núcleo fabril 2; C- Casa António Almeida Costa; D- Bairro dos operários; E- Bairro dos Contramestres; F- Creche Emília de Jesus Costa; G- Asilo António Almeida da Costa; H - conjuntos habitacional do concelho de Vila Nova de Gaia e o Depósito de Materiais na R. José Falcão no Porto; *2 - outrora ocupada por uma pequena unidade fabril: Fundição dos Sã Lemos; *3 - da autoria de Mestre Teixeira Lopes (pai); *4 - estabelecida em Vila Nova de Gaia em 1865, constituía na época uma das maiores e mais bem equipadas unidades fabris no género na Península Ibérica *5 - após o decreto de 6 de Maio de 1884 foram decretadas treze escolas de desenho industrial, uma delas em Gaia; *6 - a data inscrita na placa de ferro de "1875" , poderá anunciar a data de construção; *7 - no testamento " depois de dispor algumas verbas a favor de familiares e de instituições e entidades diversas, legou o remanescente da sua grande fortuna - terrenos, prédios, etc. - ao Asilo António de Almeida Costa e Creche D. Emília de Jesus Costa (nome da sua falecida esposa), cujo funcionamento confiou ás creches de Santa Marinha, designando uma Comissão administrativa, para que se encarregasse da respectiva administração, e conferindo à mesma o direito de, se tal se mostrasse aconselhável e conveniente, transferir a direcção e manutenção do Asilo e da Creche para quem melhor pudesse garantir o seu bom funcionamento."; *8 - " ficando desde então todos os valores da herança assim como o funcionamento do Asilo (actual Lar António de Almeida Costa) e da Creche D. Emília de Jesus Costa a cargo da Misericórdia..."; *9 - caixilharias das janelas empenadas, pintura das mesmas a descolar-se e muros dos logradouros degradados sem qualquer acabamento