Fortificação medieval, construída no cimo de um monte, de que subsistem apenas dois troços de muralha, de perfil curvo, com paramentos aprumados em alvenaria de pedra e integrando cubelo quadrangular e o arranque de um outro. Castelo construído num monte com ocupação humana desde a Idade do Ferro e com excelentes condições de defesa natural, mas de que subsistem poucos vestígios devido à forte humanização do local e às obras de construção do convento e do seminário, respetivamente no séc. 18 e no 20. O próprio remate dos panos de muralha e do cubelo a O. resultaram das obras de restauro do séc. 20.
Muralha de perfil curvo, não fechando o circuito, por se encontrar incompleta, com paramentos aprumados em alvenaria de pedra mista, rematados atualmente em parapeito liso, escalonado no pano virado a S.. Pelo interior não possui adarve, mas é possível circular junto ao parapeito, devido ao grande desnível do terreno. A O. integra cubelo de planta quadrangular, disposto para o exterior da muralha e bastante avançado relativamente à mesma, com paramentos aprumados, remate em parapeito ameado, com ameias prismáticas, e cobertura em terraço, a que se acede por escada de pedra adossada na face interna. No limite O., onde o pano de muralha é interrompido, existe troço derrubado que avança da muralha, não sendo percetível a sua planimetria. Na zona mais elevada do monte, a NE., perto do local onde se ergue o depósito de água potável do santuário, existem ainda restos de mais um troço da muralha.
Materiais
Estrutura em alvenaria de xisto; argamassa nas juntas.
Observações
*1 - Segundo a lenda, existia no monte um castelo ocupado por mouros que oprimiam os cristãos com pesados impostos, entre os quais o denominado "Tributo das donzelas", que consistia na obrigação de todas as noivas dos seus domínios passarem a noite de núpcias no castelo, com o emir. Um dia, realizou-se na vila de Castro, a cerca de 15 km de Balsamão, um casamento e a noiva, após a cerimónia, foi raptada e levada para o castelo. O noivo, filho do chefe dos Cavaleiros das Esporas Douradas da vila de Alfândega, e os habitantes de Castro e das redondezas, ocorreram ao sopé do monte a desafiar os sarracenos para o combate, de modo a libertar a noiva. Não estando habituados a lutar, os cristãos foram caindo mortos e feridos, enquanto as esposas e crianças rezavam em casa, apelando a Nossa Senhora. Surge então no campo de batalha uma Senhora vestida de branco, a curar os cristãos, trazendo nas mãos um raminho de flores e um vaso de bálsamo. Os cristãos recuperam e voltaram à batalha. Ao declinar da tarde, ouviu-se do cimo do monte um grito de vitória; tratava-se dos cavaleiros das Esporas Douradas de Alfândega que tinham ocorrido pela outra encosta ao monte e, entrando no castelo, decapitaram o rei mouro e libertam a noiva. Os soldados mouros vencidos dispersaram e os cristãos purificaram a mesquita e transformaram-na em capela, dedicada a Nossa Senhora com invocação de Nossa Senhora de Bálsamo na Mão, que viria a evoluir para Senhora de Balsamão. Ao lugar onde os mouros sofreram a chacina deram o nome de Chacim, a vila de Castro, pela vitória alcançada passou a chamar-se de Castro Vicente e a de Alfândega, pelo testemunho da Fé, de Alfândega da Fé. Uma outra versão da lenda refere que, na véspera do casamento, o jovem jurou à noiva que não a deixaria passar por aquela desonra. A noiva, receosa da vingança do tirano, implorou fervorosamente a proteção de Nossa Senhora de quem era muito devota e prometeu levantar-lhe uma capela se ela lhe valesse naquela aflição. No dia do casamento, depois da boda, o jovem recém-casado, disfarçado com o vestido da esposa, e acompanhado dos amigos com quem tinha combinado a revolta, apresentou-se no castelo, pedindo licença para, todos juntos, oferecerem presentes e prestarem vassalagem ao senhor. Aceite o pedido, a comitiva entrou na sala do castelo com as facas de matar porcos, dissimuladas nos açafates, ao jeito de presentes. Quando o rei mouro apareceu, para receber os presentes e levar a noiva, o jovem puxou do punhal e cravou-o no coração do tirano, ao mesmo tempo que os companheiros matavam os guardas. Inicia-se assim uma luta terrível e desigual, que culmina com a intervenção da Senhora com um vaso de bálsamo na mão, que ungiu e sarou as feridas dos cristãos, permitindo a sua vitória. *2 - Todo o terreno do monte de Balsamão encontra-se fortemente humanizado por ruas calcetadas, pequenos jardins, várias capelas, edifícios de apoio agrícola, habitacionais, e outros, impossibilitando a deteção de outros vestígios, nomeadamente fragmentos de cerâmica, que não chegaram a ser observados no local. Na encosta S., no entanto, em terrenos lavrados fora do complexo conventual, detetaram-se alguns poucos fragmentos de cerâmica manual da Idade do Ferro.