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Convento de Balsamão

Convento de Balsamão

O ponto de interesse Convento de Balsamão encontra-se localizado na freguesia de Chacim no municipio de Macedo de Cavaleiros e no distrito de Bragança.

Arquitetura religiosa, setecentista e oitocentista. Santuário setecentista formado por recolhimento disposto no cimo do monte e por oito capelas com Passos da Paixão de Cristo, construídas espaçadamente ao longo da encosta, formando um Monte Santo. Recolhimento Barbadinho composto por igreja e zona regral adossada à esquerda, desenvolvida em torno de um claustro. Igreja de planta retangular, composta por nave e capela-mor, interiormente com coberturas em falsas abóbadas de berço, de madeira, pintadas, e iluminação axial e unilateral. A fachada principal termina em empena, rasgada por portal de verga reta e janela de capialço e a lateral direita, contrafortada, termina em cornija e tem janelas de capialço. No interior, possui coro-alto de madeira, púlpito no lado do Evangelho, arco triunfal de volta perfeita sobre pilastras almofadadas e capela-mor revestida a apainelados pintados oitocentistas e com retábulo-mor em barroco nacional, de talha pintada e dourada e de planta reta e três eixos. Zona regral desenvolvida à volta de claustro de um piso, com alas abertas alpendradas, assentes em colunas toscanas, tendo no centro da quadra poço facetado. As capelas dos Passos apresentam planta quadrangular e cobertura em corochéu piramidal, com fachada principal rasgada por porta de verga reta e as laterais por frestas, albergando no interior retábulos oitocentistas. A exceção vai para a Capela do Divino Senhor da Costa ou Capela dos Cajados, com planta retangular de topo facetado, de maiores dimensões, fachada em empena recortada e interior com cobertura de apainelados e retábulo rococó, de planta reta e três eixos.

Santuário composto por antigo convento, ampliado, e oito capelas com passos da Paixão, dispostas ao longo da encosta, interligadas por escadório e caminho. CONVENTO de planta poligonal irregular composta por igreja e zona regral adossada à fachada lateral direita e posterior. IGREJA de planta retangular composta por nave e capela-mor, exteriormente indiferenciadas e com coberturas homogéneas em telhados de duas águas, rematadas em beirada simples, tendo adossado à fachada lateral esquerda torre sineira quadrangular, coberta por coruchéu piramidal, truncado, coroado por cata-vento em ferro. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, percorridas por embasamento de cantaria, flanqueadas por cunhais apilastrados e rematadas em cornija. Fachada principal, virada a SO., rematada em empena, coroada por cruz latina, de braços quadrados almofadados, e terminados em botão, sobre plinto paralelepipédico, também almofadado; é rasgada por portal de verga reta, com moldura encimada por elemento de cantaria recortada, e janela de capialço. No alinhamento da fachada, dispõe-se a torre sineira, de dois registos separados e terminados por cornija, abrindo-se, no primeiro, fresta longilínea moldurada e, no segundo, em cada uma das faces, sineira em arco de volta perfeita, albergando sino. Fachada lateral esquerda reforçada por três contrafortes, em esbarro, rasgado por janelas de capialço, uma na nave e duas na capela-mor. INTERIOR com paredes rebocadas e pintadas de branco, pavimento em soalho flutuante e coxia e presbitério em cantaria. Coro-alto de madeira, assente em quatro mísulas de cantaria, com guarda em balaústres torneados, e acedido de ambos os lados por portas de verga reta. Portal com guarda-vento de vidro, ladeado, no lado da Epístola, por pia de água benta hemisférica, exteriormente gomeada. No lado do Evangelho dispõe-se púlpito, em talha pintada de branco e dourado, de bacia retangular sobre mísula escalonada invertida ornada de acantos, e com guarda em falsos balaústres planos, sobrepostos e interligados por laçarias e acantos dourados; é acedido por porta de verga reta, com moldura recortada, lateralmente com concheados e dois anjos de vulto segurando palmas, e encimado por sanefa com lambrequim. Junto ao púlpito surge lápide sepulcral alusiva a Frei Casimiro de São José. Arco triunfal de volta perfeita, almofadado e com fecho relevado, sobre pilastras. A cobertura da nave é em falsa abobada de berço abatido, pintada com cenas da vida da Virgem e os Evangelistas, assente em friso e cornija, pintada a marmoreados fingidos; sobre o coro-alto, a cobertura, com o mesmo perfil, surge rebocada e pintada de branco. Capela-mor com as paredes revestidas a lambril de madeira, almofadado, encimado por apainelados pintados, que se prolongam para a cobertura, separada por cornija pintada. As paredes são seccionadas por quatro pilastras, pintadas a marmoreados fingidos, as que ladeiam a parede testeira quase totalmente ocultas pelo retábulo-mor, e as duas centrais, sobrepostas por motivos vegetalistas, com capitéis coríntios, sustentando cornija reta, flanqueando falso nicho perspetivado; este é formado por arco de volutas, marcando fecho, ladeado por festões de flores, sobre pilastras almofadadas com motivos fitomórficos; o nicho do lado do Evangelho possui frontalmente imagem de roca de Nossa Senhora de Balsamão, sobre mísula galbada, ornada de acantos e querubim, e o do lado da Epístola, tem duas mísulas desnudas. Ladeando os nichos surgem apainelados pintados com motivos vegetalistas, abrindo-se no lado do Evangelho, porta de ligação à sacristia, com moldura pintada, lateralmente almofadada e formando pingentes e a verga com motivo fitomórfico e terminada em cornija. A cobertura é em falsa abóbada de berço abatido, de lunetas, sendo as do Evangelho fingidas, com capialços ornados com motivos vegetalistas, mas todas envolvidas por elementos volutados em grisalle e encimadas por falsas empenas integrando concheados; a cobertura é decorada com quadraturas, albarradas, festões, cartelas com símbolos Marianos, florões inseridos em encanastrados ou rosetões e, ao centro, ampla cartela polilobada com representação de Assunção da Virgem. Sobre supedâneo de três degraus, dispõe-se o retábulo-mor em talha pintada a branco e dourado, de planta reta e três eixos, definidos por seis pilastras e quatro colunas torsas, ornadas de acantos e anjos, assentes em plintos paralelepipédicos ou duas ordens de mísulas, também com acantos e anjos, e as colunas de capitéis coríntios; no eixo central abre-se tribuna, em arco de volta perfeita, interiormente com o fundo pintado de azul, delimitado por friso de flores, lateralmente com apainelados de acantos e albergando imagem sobre peanha galbada, decorada com acantos e anjos; nos eixos laterais surgem apainelados em arco de volta perfeita, pintados de azul e com moldura vegetalista, possuindo frontalmente imaginária sobre mísulas; sobre o entablamento, desenvolve-se o remate adaptado ao perfil da cobertura, com apainelados contendo motivos vegetalistas e anjos de vulto, que centram as três arquivoltas da tribuna, unidas por aduelas salientes e ornadas por anjos e querubins. Sotobanco e banco com apainelados de acantos, este integrando sacrário tipo templete, terminado em domo gomeado, com lambrequim e panejamentos a abrir em boca de cena, e porta com Cordeiro Místico, envolvida por anjos de vulto. Altar paralelepipédico, com frontal almofadado, possuindo ao centro motivos florais pintados. ZONA REGRAL desenvolvida em torno de um claustro quadrangular e amplo pátio posterior retangular, este com os topos posteriores avançados, existindo ainda a SO. e SE. corpos retangulares avançados, um relativamente à fachada da igreja e adossado à antiga portaria e o outro sensivelmente a meio da fachada S.. Volumes articulados com coberturas diferenciadas em telhados de uma ou duas águas. Fachadas de dois ou três pisos, terminadas em cornija de betão, envernizada, e rasgadas por vãos retilíneos. No alinhamento da fachada da igreja, dispõe-se, à esquerda, corpo da antiga portaria, terminado em cornija reta e rasgado por arco de volta perfeita, com chave saliente inscrita com monograma "M", criando nártex, que acede ao claustro, e janela retangular. Perpendicularmente, avança corpo da atual portaria, de dois e três pisos; a sua fachada a SE. tem no piso inferior os vãos encimadas por bandeiras revestidas a placas cerâmicas e envolvidos por molduras de cantaria e, no superior, vãos num ritmo mais espaçado, com bandeiras individualizadas, e molduras muito finas. A SO., o corpo termina em empena recortada, tendo ao centro monograma de Frei Camimiro de São José estilizado; é rasgado por três eixos de vãos, os dos dois pisos inferiores enquadrados por moldura de betão e revestimento a placas cerâmicas, abrindo-se, no térreo, porta entre largos vãos; a N. este corpo apresenta as janelas dos pisos inferiores e falsas bandeiras, revestidos a telhas de aba e canudo, envolvidas por moldura de betão, e as do terceiro piso com bandeira individualizada e finas molduras. Neste lado segue-se pano recuado, correspondente ao claustro, com eixo central definido por molduras verticais de betão, enquadrando janela termal e janela de varandim, rematado por elementos curvos estilizados que se elevam sobre a cobertura, e, à esquerda, um eixo formado por porta e janela de peitoril, interligados por faixa revestida a telha de aba e canudo, coroado por cornija curva que se eleva sobre a cobertura com bola. A fachada NO. do claustro possui dois pisos, rasgados por quatro eixos de vãos, definidos por falsas pilastras de betão, formando falsas mísulas sustentando a cornija do remate, enquadrando janelas de peitoril com espaço intermédia revestido a telha de aba e canudo. Segue-se a fachada NO. do pátio moderno, mais avançada e de três pisos, o superior recuado e revestido a alvenaria de xisto, e o inferior percorrido por placas de cantaria; a fachada é seccionada em quatro panos por duplos pilares de betão envernizado, com formas recortadas superiormente, e é rasgado por vãos de diferentes tamanhos, moldurados e num jogo rítmico. No piso térreo rasga-se portal em arco apontado, de três arquivoltas biseladas, a interior de cantaria e as exteriores de betão, ladeado por janelas, molduradas a cantaria e inseridas, duas a duas, em moldura biselada de betão. Na fachada virada a SE. o corpo da capela da comunidade surge avançado, terminado em empena, sobrelevada e sobreposta ao centro por cruz, e lateralmente sublinhada por frisos oblíquos de betão; é rasgada por três eixos de vãos recuados, o central definido por pilares de betão, formado por portal, em frente do qual os pilares são sobrepostos por elementos geométricos dispostos obliquamente, janela de sacada, de perfil curvo, com guarda plena rebocada, pintada e capeada a placas cerâmicas, encimada por bandeira revestida a telha de aba e canudo, frontalmente sobreposta por triângulo, e um outro vão longilíneo; lateralmente os vãos, a toda a altura da fachada, são fechados por tijolo de vidro, possuindo no terço inferior elemento de betão avançado e de perfil curvo e no terço superior três palas curvas sobrepostas. A fachada do pátio grande virada a SE. possui três pisos, o superior recuado e revestido a alvenaria de xisto, e os inferiores rebocados e pintados, com embasamento em placas de cantaria e o segundo piso terminado em cornija decorada inferiormente, a ritmo regular, por elementos curvos e falsas consolas estilizadas; é rasgada por vãos retilíneos, moldurados a cantaria, os dos pisos inferiores seccionados em bandeira. A fachada posterior, virada a SE possui os dois pisos inferiores em alvenaria de xisto aparente e o terceiro, recuado, revestido a cantaria e, superiormente a telha de aba e canudo, possuindo no remate do segundo piso e prolongando-se para o último, falsas consolas estilizadas e recortadas, em betão. Lateralmente avançam corpos torreados, rebocados e pintados, com topos facetados, com faixas verticais revestidas a telha de aba e canudo e definidas por falsos contrafortes dispostos de ângulo; lateralmente são rasgados por eixo de vãos e possui frisos verticais de betão. INTERIOR: pelo falso nártex da antiga portaria ou pela sacristia acede-se ao claustro, de um piso, com alas abertas alpendradas, assentes em colunas toscanas, e fachadas das alas com embasamento de cantaria, rasgadas por vãos retilíneos ou abatidos, moldurados; possui pavimento em lajes de cantaria, a da quadra rebaixada e tendo ao centro poço hexagonal, sobre soco do mesmo formato, tendo lateralmente duas pias, uma quadrangular sobre pé facetado e uma cilíndrica. Deste acede-se ao pátio posterior, de três pisos, os dois inferiores formando arcadas facetadas assentes em falsas estípetes de betão e com guarda em ferro, e o superior recuado, ornado por frisos de betão que contornam óculos circulares e os vãos, retilíneos, por vezes, com nembos e friso superior revestido a telha de aba e canudo. Num dos ângulos possui escada de ligação à quadra com laranjeiras. Apresenta pavimento cerâmico, e no ângulo E., do segundo piso, altar marcado por elementos cerâmicos e betão, com a imagem de Cristo na cruz. Entre o claustro e o pátio posterior existe uma sala que funciona como museu. CAPELAS DOS PASSOS DA PAIXÃO DE CRISTO: A S. do convento e numa plataforma inferior ao mesmo, inicia-se escadório e depois o caminho, ao longo da encosta, que estabelece a ligação entre as oito capelas dos Passos, tipologicamente semelhantes, à exceção da Capela dos Cajados. Sete capelas têm planta quadrangular, de massa simples e cobertura homogénea, em corochéu piramidal, assente em beirada simples, exceto a sétima capela que termina em cornija e tem cobertura em domo, revestido a telha, coroado por cruz latina sobre acrotério. A capela dos Cajados tem planta retangular e é de maior dimensão. Possuem fachadas rebocadas e pintadas de branco e faixa bege ou cinzenta, com a fachada principal rasgada por porta de verga reta moldurada, e lateralmente por frestas. Interiormente têm as paredes rebocadas e pintadas de branco, pavimento cerâmico e coberturas em betão, albergando retábulos em talha policroma com painéis pintados e imagens alusivos ao orago. A partir do primeiro patamar do escadório e com leitura descendente da encosta, dispõe-se as capelas de Nossa Senhora da Piedade ou Jesus nos braços da Mãe (8), Jesus Crucificado e Almas do Purgarório (7) e Jesus despojado das vestes (6), as três no mesmo patamar, Capela de Jesus Caído (5), Capela do Divino Senhor da Costa ou Capela dos Cajados (4), Capela do Ecce Homo erradamente denominada de Coroação de Espinhos (3), Capela da Flagelação de Jesus (2) e Capela da Agonia de Jesus (1).

Materiais

Estrutura de alvenaria de pedra rebocada e caiada ou aparente e em betão; embasamento, frisos, cornijas, molduras dos vãos em cantaria de granito ou em betão, por vezes pintado ou envernizado; portas e caixilharia de madeira ou em alumínio; vidros simples ou martelados; grades e guardas em ferro; pavimentos cerâmicos, em solhalho de madeira ou lajes de cantaria de granito ou xisto; coro-alto em madeira envernizada; púlpito e retábulo em talha pintada e dourada; painéis e coberturas interiores da igreja em madeira pintada; pinturas murais; apainelados em placas ceâmicas; revestimentos e coberturas em telha de aba e canudo.

Observações

*1 - Horário do culto e celebrações: de segunda-feira a sábado: 7 horas - Laudes, na capela da Comunidade; 8 horas - Eucaristia, na capela da Comunidade; 19 horas - Vésperas, na capela da comunidade; 21 horas - Oração do Rosário, nos meses de maio e de outubro; Adoração do Santíssimo, no mês de junho e todas as quintas-feiras do ano. Domingo: 8: 30 horas - Eucaristia, na capela da Comunidade; 12 horas - Eucaristia, na Igreja do Santuário; 19 horas - Vésperas, na capela da Comunidade; 21 horas - Adoração do Santíssimo Outras celebrações ou festas anuais que se realizam no Santuário são: Domingo de Ramos - Celebração da Jornada Mundial da Juventude, a nível diocesano, organizada pelos Jovens MIC, com Bênção e Procissão dos Ramos, dramatizando a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, montado num jumento, a partir do sopé do monte até à Igreja do Santuário. Tríduo Pascal - Quinta-Feira Santa, a Ceia do Senhor, às 18 horas; Sexta-Feira Santa, celebração da Paixão e Morte do Senhor, às 15 horas; Sábado Santo, a Vigília Pascal, às 23 horas; Domingo da Ressurreição do Senhor, Missa às 9 e às 12 horas. 2º Domingo de Páscoa ou Domingo da Misericórdia - Festa da Misericórdia de Deus, com o Sacramento da Reconciliação, durante a manhã, e a Eucaristia, às 12 horas; às 16 horas, Adoração e Bênção do Santíssimo e envio (a festa é precedida pela Semana de Espiritualidade sobre a Misericórdia de Deus). 14 de setembro - Festa da Exaltação da Santa Cruz, na Capela do Senhor dos Cajados, com o Sacramento da Reconciliação, durante a manhã, e a Eucaristia, às 12 horas. 4º Domingo de outubro - dia Mundial das Missões e Dia do Frei Casimiro, com Sacramento da Reconciliação, pela manhã; Eucaristia pela beatificação do Servo de Deus Frei Casimiro, pelos Cooperadores Marianos e pelas Missões, às 12 horas; Encontro Anual da Associação dos Cooperadores Marianos da Imaculada Conceição, pelas 15 horas. 8 de dezembro - Solenidade da Imaculada Conceição, Padroeira de Portugal e da Congregação dos Marianos. *2 - Segundo a lenda, existia no monte um castelo ocupado por mouros que oprimiam os cristãos com pesados impostos, entre os quais o denominado "Tributo das donzelas", que consistia na obrigação de todas as noivas dos seus domínios passarem a noite de núpcias no castelo, com o emir. Um dia, realizou-se na vila de Castro, a cerca de 15 km de Balsamão, um casamento e a noiva, após a cerimónia, foi raptada e levada para o castelo. O noivo, filho do chefe dos Cavaleiros das Esporas Douradas da vila de Alfândega, e os habitantes de Castro e das redondezas, ocorreram ao sopé do monte a desafiar os sarracenos para o combate, de modo a libertar a noiva. Não estando habituados a lutar, os cristãos foram caindo mortos e feridos, enquanto as esposas e crianças rezavam em casa, apelando a Nossa Senhora. Surge então no campo de batalha uma Senhora vestida de branco, a curar os cristãos, trazendo nas mãos um raminho de flores e um vaso de bálsamo. Os cristãos recuperam e voltaram à batalha. Ao declinar da tarde, ouviu-se do cimo do monte um grito de vitória; tratava-se dos cavaleiros das Esporas Douradas de Alfândega que tinham ocorrido pela outra encosta ao monte e, entrando no castelo, decapitaram o rei mouro e libertam a noiva. Os soldados mouros vencidos dispersaram e os cristãos purificaram a mesquita e transformaram-na em capela, dedicada a Nossa Senhora com invocação de Nossa Senhora de Bálsamo na Mão, que viria a evoluir para Senhora de Balsamão. Ao lugar onde os mouros sofreram a chacina deram o nome de Chacim, a vila de Castro, pela vitória alcançada passou a chamar-se de Castro Vicente e a de Alfândega, pelo testemunho da Fé, de Alfândega da Fé. Uma outra versão da lenda refere que, na véspera do casamento, o jovem jurou à noiva que não a deixaria passar por aquela desonra. A noiva, receosa da vingança do tirano, implorou fervorosamente a proteção de Nossa Senhora de quem era muito devota e prometeu levantar-lhe uma capela se ela lhe valesse naquela aflição. No dia do casamento, depois da boda, o jovem recém-casado, disfarçado com o vestido da esposa, e acompanhado dos amigos com quem tinha combinado a revolta, apresentou-se no castelo, pedindo licença para, todos juntos, oferecerem presentes e prestarem vassalagem ao senhor. Aceite o pedido, a comitiva entrou na sala do castelo com as facas de matar porcos, dissimuladas nos açafates, ao jeito de presentes. Quando o rei mouro apareceu, para receber os presentes e levar a noiva, o jovem puxou do punhal e cravou-o no coração do tirano, ao mesmo tempo que os companheiros matavam os guardas. Inicia-se assim uma luta terrível e desigual, que culmina com a intervenção da Senhora com um vaso de bálsamo na mão, que ungiu e sarou as feridas dos cristãos, permitindo a sua vitória. A partir de então, as romarias ao santuário nunca mais terminaram. *3 - Na doação do Monte do Caramouro pela Câmara de Chacim aos congregados dos Barbadinhos refere-se que "a Igreja de Balsamão no termo desta villa hé huma das antequissimas deste Reyno, e a Imagem da Senhora pordegiosamente milagroza a cujas merces, e prodigios concorrem destas comarquas da Torre, e Miranda, ...com suas procicoeins tanto em os dias das Ladainhas de Mayo com em outros tempos do Anno expecialmente em o dia de Nossa Senhora dos Prazeres em memoria e devidos agradecimentos ao benefício que os fieis christãos receberão na Expulsão dos Mouros que naquelle Cabeso e Monte viviam acastellados em hua Expugnavel fortaleza de que ainda se conservão parte dos seus Muros, e parecendo em o mesmo sítio em a ocazião de Batalha a Imagem de Nossa Senhora com huma redoma de cellestial Balsamo do qual corrompendo-se o bocabullo tomou o monte por nome o cabeço de caramouro e a Senhora da Virgem de Balsamão deduzido e derivado da mesma Senhora, ... curando os feridos com aquelle divino Balsamo, pelejarão tão valorosamente que não somente os Expulsarão da dita fortaleza, mas tão de outras partas de toda a comarca...". Na doação refere-se ainda que, atendendo à pobreza da terra e aspereza do sítio, não se permitia mais de seis congregados e estabelece-se a condição de, extinguindo-se, o monte, igreja e suas obras, ficavam sob a jurisdição e domínio da Câmara como sempre esteve. *4 - Frei Casimiro foi sepultado na capela-mor, no lado da Epístola, junto ao altar de São José e com a inscrição: "P. F. CASIMIRUS WYSZYNSKI / EX-PROEPOSITUS GENERALIS IMMACULATAE CONCEPTIONIS B. M. V, / INREGNO POLONIAE / ET PRAESIDENS IN BALSEMÃO 1755. N. II". Desde logo Frei Casimiro alcança fama de santidade, constando que o seu cadáver permanecera flexível, ganhando o epíteto de Santo Polaco. Fizeram-se três processos sobre as virtudes e milagres de Frei Casimiro: um na diocese de Miranda, a 22 de outubro 1763, no qual depuseram 85 testemunhas; outro em Lisboa, em 1768, depondo 8 testemunhas; e outro na Polónia, em 1775, depondo 9 testemunhas. *5- O inventário iniciou-se pela igreja, enxoval da Senhora, sacristia, capelas dos Passos, livraria, refeitório, cozinha, dispensa, adega, lagar da cera, forno de cozer pão, casa do despejo, para armazenar os produtos do campo, trastes da lavoura, "semoventes" e frutos. Pelo inventário sabe-se que na capela-mor existiam cinco altares: o da Padroeira, Nossa Senhora de Balsamão, com as imagens de Nossa Senhora do Bom Despacho, Nossa Senhora da Conceição Velha, São Domingos, São Francisco, Santo António, São Tomás de Aquino, São Vicente Ferrer, São Gonçalo de Amarante e São João Nepomuceno, avaliadas em 79$180; o altar de Nossa Senhora da Conceição, com imagens avaliadas em 20$200; o altar de São José com imagens avaliadas em 8$640; o altar de Nossa Senhora das Dores com imagens avaliadas em 5$640; e o altar de Nossa Senhora da Conceição Pequena, com as imagens de um Menino Jesus envidraçado, um Menino Jesus no Presépio e a árvore Genealógica da Virgem, nascendo de uma açucena que brota da união de Santa Ana com São Joaquim, avaliadas em 36$000; nos espaços vazios da capela-mor existiam ainda os quadros do Ecce Homo, São Pedro, Sagrada Família e Arcanjo São Gabriel, avaliadas em 10$000. O corpo da igreja tinha duas imagens de Cristo, e os quadros representando Santa Joana Valésia, a Congregação Mariana, Nossa Senhora junto à Cruz, a Senhora da Divina Providência, São Miguel Arcanjo, as Almas do Purgatório, a Senhora da Conceição e Santa Joana. No âmbito da igreja, o Inventário refere ainda o Senhor Crucificado, O Senhor da Coluna, Santa Joana Valésia, Santo Aleixo, São Manuel, Arcanjo São Rafael, Santo Onofre, a Virgem Maria, a Virgem com o Menino, O Venerável Estanislau, duas imagens de Santo António, Estampas e os Pertences do Venerável Casimiro. No total, as imagens, quadros, relíquias, mobiliário e chapas da igreja foram avaliadas em 211$760. A sacristia era pobre e tinha apenas um crucifixo, uma cómoda e cinco pares de galhetas, avaliadas em 3$000. As oito Capelas dos Passos, ao longo da encosta, tiveram a seguinte avaliação: a capela do Senhor do Horto 12$000; a capela do Senhor da Coluna 9$600, a capela do Senhor Ecce Homo 9$600, a capela do Senhor da Costa 28$800, a capela do Senhor Caído em Terra 7$000, a capela do Senhor do Calvário 19$200, a capela do Senhor da Amargura 6$000 e a capela do Senhor Descido da Cruz 15$800. A livraria constava de 1064 volumes de Teologia, Paranética, Mística, História, Literatura, Linguística e outros. O Inventário refere ainda um órgão hoje inexistente, com tubos de estanho (150 arráteis).