Arquitectura militar seiscentista, barroca, estilo chão vernacular. Equipamento militar da Restauração da época barroca, evidenciando uma construção de grande racionalidade, no uso das muralhas abaluartadas com perfil em talude, aproveitando a topografia do terreno, adaptadas à guerra que então se fazia, e aos materiais que então se usavam, com dispositivos de vigilância e de ataque; realçado ainda em pormenores decorativos, como frisos, entablamentos, gárgulas, pormenor da escada exterior. O estilo chão tradicional evidencia-se no despojamento decorativo, na construção de alçados com monumentalidade austera de grande sobriedade de feição ostensivamente militar.
Compreende uma parte rústica, uma construção fortificada, um edifício de 2 pavimentos (moradia do governador militar do forte, secretaria do governo militar do forte, antigo quartel de inferiores, antigo quartel de veteranos, antiga casa do material de guerra), de um paiol, de pequenas dependências várias (referentes às antigas latrinas, prisão, cavalariça, etc.), incluindo a garagem, um pátio murado grande que se abre por detrás do edifício principal a que se acede por curto lance de escadas adossadas a fachada lateral, e de um outro espaço, outrora ajardinado. A entrada do forte faz-se por meio de portão que comunica com o terreno adjacente, coberto por mato, que leva ao portão de entrada de acesso ao edificado. O Forte: entra-se para o terrapleno da esplanada, com os pavimentos em lajeado muito irregular (onde se situavam as peças da bateria) de planta trapezoidal (31,80 m x 15,30 m), para o qual dá o edifício de 2 pisos, apresenta um recanto também trapezoidal (8,00 m x 6,70 m) de onde partem uma escadaria exterior de acesso ao edifício de 2 pisos e à sua cobertura, e uma escada de acesso ao logradouro da garagem. O forte tem frente abaluartado, constituído por muralhas à barbeta, com jorramento, de grossas paredes (1,5 m) de alvenaria, sobre escarpa, com parapeito, realçando exteriormente um cordão continuado nas 3 faces que dão; estas dão, uma sobre a praia e os outras duas sobre o estuário. O Edifício: o corpo principal é de planta longitudinal, quadrangular, simples, regular, está construído num eixo NO. / SE., apresentando coincidência exterior / interior; justapõe-se por adossamento a outras pequenas edificações que se erguem a E; a disposição volumétrica faz-se em horizontalidade; as coberturas são de telhado de 2 águas sobre o edifício principal, esgotando as águas pluviais por gárgulas para caleiras periféricas, e por terraço em outras dependências. As fachadas são de parede de alvenaria larga (1,35 m), têm embasamento forrado a cantaria, são definidas lateralmente por cunhais, rematam superiormente por friso e cornija de entablamento continuada e por platibanda; a fachada principal apresenta-se orientada a SO.. No encontro das fachadas SO. / NE., no topo, interrompendo a platibanda, realça uma guarita de planta circular, assente em mísula; as fachadas desenvolvem-se de modo semelhante, divididas em dois pisos; no térreo rasgam-se os vãos de portas e no superior as janelas, são emoldurados a cantaria com modinaturas rectilíneas, encontrando-se todas entaipadas*2; a S. evidencia-se o lanço da escadaria com guarda corpo ornamenta. Existe um pequeno farolim no topo de uma fachadas virada à Barra. INTERIOR: é de espaço diferenciado, a entrada para as divisões do piso térreo faz-se pelas portas que dão para o terrapleno ou pelas que dão para o pátio nas traseiras; a articulação interior entre os pisos faz-se por 2 grupos de escadas interiores, ou pela exterior que se eleva do terrapleno. No pátio posterior destaca-se uma edificação adossada ao edifício principal (a antiga prisão) adossado a esta existe outra construção, o paiol, cercado pelo caminho de ronda. Há coberturas interiores em abóbada e em plano direito; há pavimentos em mosaico e os do pavimento do 2º piso nas duas casas do canto e na do extremo, são em madeira assente sobre estrutura de vigamento de pinho. A iluminação é feita pelos vãos abertos nas paredes, atingindo algumas janelas as superfícies laterais das abóbadas principais, formando abóbadas menores cruzadas com aquelas.
Materiais
Pedra: calcário, brecha da Arrábida; cerâmica: tijolo maciço, ladrilho, telha; estuque pintado; metal: ferro; alvenaria: mista, de pedra; laje de betão; madeira.
Observações
*1 Não se sabendo ao certo qual a explicação para o nome Albarquel, são apresentadas várias interpretações: corrupção do Árabe Al Beiq el-Mahomed (Capitão Mahomede); corrupção de Albarcar, palavra árabe que significava, gado vacum; corrupção do português antigo Barrachel, nome de um oficial militar, cujo cargo era prender os desertores; sendo o artigo el usado pelos antigos, pode inferir-se ser palavra portuguesa com o significado de barquinho, sendo referência à praia do barquinho (LEAL, 1880). *2 Não foi possível o acesso ao interior das edificações. *3 desde Julho de 2006 passou a Centro de Informações e Segurança Militar (CISM).