Catedral instalada, no séc. 20, num antigo convento dominicanode fundação medieval, mas reconstruído nos sécs. 17 e 18, de que apenas subsiste a igreja e o perímetro da cerca, transformada em cemitério. Da primitiva estrutura medieval, surgem, integrados nos paramentos, um campanário e alguns vãos em arcos apontados, desentaipados e colocados à vista, no braço do Evangelho do presbitério, bem como um cruzeiro tardo-gótico proveniente do terreiro e colocado na galilé, na primitiva capela lateral do Evangelho; encontra-se esculpido com cenas da Paixão e ornado por decoração vegetalista, terminando as hastes em flores-de-lis, tendo sido alvo de classificação como Monumento Nacional, em 1910. Era de planta poligonal composta por igreja e zona regral adossada ao lado esquerdo, com um corpo perpendicular à estrutura, criando um terreiro, onde se implantavam a portaria, encimada pela biblioteca. A zona regral desenvolvia-se em torno de dois claustros, o principal amplo, tendo, na ala perpendicular à capela-mor, a Sala do Capítulo e adega, ladeada pelo acesso ao claustro secundário, tendo, no lado oposto, a cozinha e refeitório, ligados pela ministra, com as escadas regrais e o lavabo. A adega e arrumação estavam na ala da portaria. No claustro secundário, existiam várias capelas domésticas. No segundo piso, a botica, enfermaria e os dormitórios. A igreja era de planta poligonal composta por nave central e capelas intercomunicantes, tendo transepto inscrito e capela-mor profunda, com sacristia adossada, transformada no séc. 20, em uma catedral de planta em T, composta por galilé, sobre a qual se desenvolve um coro-alto, três capelas intercomunicantes e um presbitério amplo, com coberturas interiores em falsas abóbadas de berço e de lunetas e com cúpula no centro do presbitério, fortemente iluminada por óculos elípticos e amplas janelas na cabeceira. Fachada principal em empena reta, tripartida, dividida por pilastras, com três eixos de vãos, os laterais retilíneos, surgindo, ao centro, portal enquadrado por colunas maneiristas, encimadas por tabela do mesmo período, e óculo ovalado, mantendo a sua estrutura maneirista, redecorada no séc. 18, com a inclusão de fragmentos de frontão concheados e a introdução das três Virtudes Teologais. As primeiras capelas da antiga nave foram desativadas no séc. 19, abrindo para a atual galilé, sob o coro; este é de perfil côncavo e com guarda balaustrada, acedido pela torre sineira, também ela de construção oitocentista, de dois registos e com cobertura em domo cego. Possui, no interior, dois retábulos em pedra de Ançã com vestígios de policromia, estruturas retabulares maneiristas, um deles, o da Misericórdia, rematado em tabela, surgindo um semelhante, mas de talha dourada na atual Capela de Santa Joana; o segundo, da Visitação, é de dois andares com edículas e várias imagens, apesar de mutilada no remate. Destacam-se as Capelas do Rosário e do Santíssimo com tetos em caixotões, o primeiro com temática alusiva à vida de Cristo, atualmente sem qualquer disposição lógica, revelando que terá sido muito intervencionado ao longo do tempo; o do lado oposto, possui pintura de grotesco. Existência de um túmulo maneirista, de D. Catarina de Ataíde, ornado a grotesco e com o sepulcro da mesma, ostentando inscrição e pedra de armas. O retábulo do Santíssimo é de talha dourada do estilo barroco nacional, com a zona inferior intervencionada mais tardiamente. Destacam-se, ainda, o retábulo-mor, proveniente de outra igreja local, com interessante decoração e estrutura rococó, de que se destaca a tribuna, de perfil ovalado e recortado, o cadeiral com vários santos dominicanos e o órgão que apresenta cinco castelos na sua caixa, sendo mais vulgar o recurso a nichos, e os tubos de montra decorados com pintura. A cúpula em estuque decorativo, ornada com instrumentos da Paixão, contrasta fortemente com a modernidade dos materiais e demais decoração parietal do presbitério.
Planta poligonal irregular, composta por vários anexos e igreja em T, com nave única, antecedida por galilé e com capelas laterais intercomunicantes, e amplo presbitério de feitura moderna, tendo sacristia adossada ao lado esquerdo e uma sala - museu adossada à fachada posterior, e torre sineira adossada ao lado direito, de volumes articulados e escalonados com coberturas diferenciadas em telhados de uma e duas águas, sendo em domo na sineira. Fachadas rebocadas e pintadas de branca, rematadas em cornijas nos corpos mais antigos. Fachada principal virada a SO., tripartida por pilastras toscanas colossais, encimadas por pináculos bolbosos e torsos, sobre a empena reta, em entablamento; os pináculos centram espaldar curvo e volutado, encimado por plintos e cruz latina, ostentando resplendor. É rasgada por portal saliente, de verga reta e moldura almofadada, flanqueado por duas colunas torsas, com o terço inferior liso e ornado por losangos e capitéis coríntios, assentes em plintos paralelepipédicos com as faces almofadadas e decoradas por cartelas enroladas e ovaladas; sobre as interiores, fragmentos de frontão concheado, onde assentam figuras alegóricas representando a Caridade e a Esperança. O portal encontra-se sobrepujado por friso de acantos e cornija, sustentando tabela de perfil curvo, ladeado por pilastras e aletas, sobrepujado pela figura da Fé. Sobre a estrutura, óculo ovalado. Os panos laterais possuem janelas retilíneas, em capialço e com molduras simples, em cantaria. Está flanqueado por dois panos de muro cegos e, no lado esquerdo do terreiro, construção de planta retangular. No lado direito, a torre sineira, de dois registos definidos por frisos e cornija, com a face principal possuindo um terceiro definido por friso, onde se inscreve o mostrador do relógio, circular. O registo inferior possui porta de verga reta e óculo circular, surgindo, no topo, quatro ventanas de volta perfeita assentes em impostas e com fechos salientes. A estrutura remata em platibanda plena com pináculos cónicos nos ângulos. Fachada lateral direita com o corpo da nave central rasgado por três óculos ovalados. Às capelas laterais adossam-se dois corpos retilíneos e, no braço do presbitério, porta retilínea, encimada por amplo vão com tijolo de vidro. INTERIOR com galilé formada sob o coro, com teto em falsa abóbada de berço e pavimento em lajeado, para onde abrem duas capelas laterais, dedicadas a Nossa Senhora da Misericórdia, no lado do Evangelho, e com o Cruzeiro de São Domingos, que se achava no exterior, no lado oposto; ambas têm acesso por arcos abatidos, sustentados por pilastras dóricas, assentes sobre plintos paralelepipédicos, almofadados em losango. A ladear o portal, painéis de azulejo figurativo e, no lado oposto, pias de água benta concheadas, em cantaria. Coro-alto assente em três arcos de volta perfeita, assentes em pilares toscanos e mísulas, com fecho saliente volutado, protegidos por portadas e bandeiras de madeira e vidro, tendo perfil côncavo e guarda balaustrada; tem acesso por porta de verga reta, a partir da torre sineira. A nave tem as paredes rebocadas e pintadas de branco, com cobertura em abóbada de lunetas, com arestas e pingentes de estuque nos fechos, assentes em mísulas decoradas por pingentes; as lunetas são formadas por amplos vãos ovalados; pavimento em ladrilho cerâmico. Possui três capelas laterais, intercomunicantes por portas de vergas retas e molduras simples em cantaria, dedicadas a Santa Joana, Coração de Jesus e Nossa Senhora do Rosário (Evangelho) e à Visitação, Senhor dos Passos e Santíssimo Sacramento (Epístola), surgindo, nos panos entre as mesmas, painéis de azulejo com simbologia mariana. Confrontantes, dois púlpitos quadrangulares, assentes em mísulas de cantaria e com guardas de madeira balaustrada, com acesso por portas de verga reta, encimadas por sanefas de talha dourada, a partir das últimas capelas e por escadas rasgadas no interior dos muros, revestidos a azulejo de padrão polícromo. Arco triunfal em arco abatido, assente em pilastras toscanas, de acesso ao amplo presbitério, formado por dois braços, com as paredes rebocadas e pintadas de branco, percorridas por lambris de cantaria e com tetos planos, exceto ao centro, onde surge uma cúpula de estuque decorativo branco, formando elementos vegetalistas e ornada com atributos da Paixão. Ao centro, sobre supedâneo de cantaria, a mesa de altar, as cadeiras do bispo e celebrantes, com cobertura central em No braço do Evangelho, o ambão paralelepipédico e em cantaria, e possui vestígios da antiga construção quinhentista, com uma porta em arco apontado, encimada por um nicho com a imagem de Nossa Senhora da Escadinha, surgindo, no lado esquerdo, duas portas em arcos apontados e de arestas biseladas, sobrepujadas pelo órgão de tubos. No braço oposto, um órgão elétrico e a pia batismal, em cantaria, composta por pequeno pedestal, em toro, e taça hemisférica, decorada por lóbulos e elementos fitomórficos, surgindo, ainda um nicho com a imagem da Senhora de Fátima. Confrontantes, nos topos dos braços do presbitério, o cadeiral. Na parede testeira, em pequeno nicho retilíneo, o retábulo-mor, de talha pintada de marmoreados fingidos e dourados, de planta convexa e três eixos definidos por quatro colunas de fustes lisos, com o terço inferior marcado por anel e folhagem, que se repete junto ao capitel coríntio, assentes em três ordens de plintos galbados. Ao centro, tribuna de perfil contracurvo e ovalado, com moldura saliente, envolvida por motivos vegetalistas; contém peanha de dois degraus com a imagem do orago e fundo em caixotões de acantos. Os eixos laterais possuem mísulas ornadas por acantos, de que evoluem molduras, dando origem a apainelados, fechados por concheado projetado para o exterior, formando um falso baldaquino e enquadrando imaginária; na base, as portas de acesso à tribuna. A estrutura remata em fragmentos de frontão concheados e espaldar recortado e vazado por acantos, ornado por acantos, asas de morcego e um escudo português, encimado por coroa fechada. Altar paralelepipédico, encimado por amplo sacrário em forma de templete, com cobertura em domo e flanqueado por cartelões, tendo na porta um ostensório.
Materiais
Alvenaria com rebocada, calcário (cantarias e superfícies retabulares), madeira (superfícies retabulares e decoração avulsa), tijolo (pavimento e cobertura), estuque (cobertura interior e decoração avulsa), granito (campanário original).
Observações
*1 - Frei Luís de Sousa aponta na sua Crónica a data de 12 de fevereiro.