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Castelo de Albufeira

Castelo de Albufeira

O ponto de interesse Castelo de Albufeira encontra-se localizado na freguesia de Albufeira e Olhos de Água no municipio de Albufeira e no distrito de Faro.

Castelo islâmico almorávida, de planta poligonal, originalmente com nove torres, uma das quais albarrã, e quatro portas, dotado de alcáçova rectangular e cisterna. Torre quadrangular de protecção de uma das portas da cidade, construída com grandes silhares bem aparelhados, com ténica de socalco na base. A Porta Norte, designada da "Porta da Praia", compunha-se de uma entrada em cotovelo, protegida por duas torres, uma das quais mais avançada, sistema característico de algumas construções análogas de Silves do período almorávida (GOMES, 2001). A Torre Norte constitui o único vestígio coerentemente conservado da cronologia islâmica do castelo, sendo, por isso, um dos mais importantes testemunhos do passado medieval da cidade. Castelo integrado na rede de castelos islâmicos do Algarve central, a meio caminho entre Faro e Silves, as duas mais importantes cidades de época islâmica. Castelo de frente marítima, como os de Cacela (v. PT050816010002), Alvor (v. PT050811010010) e Porches (v. PT050806040001). A Torre do Relógio é, ainda hoje, o mais imponente monumento da cidade, verdadeiro ex-libris que chegou a funcionar como edifício-memória da autarquia, sendo mesmo o que possui maior impacto urbanístico em todo o núcleo antigo.

Castelo de planta poligonal, originalmente defendida por nove torres *2, com alcáçova rectangular adossada à porta O., formando uma linha paralela à linha de costa. TORRE NORTE ou TORRE DA PRAIA: planta quadrangular regular. Massa simples disposta verticalmente, não restando vestígios da cobertura. Restos da torre definindo uma planta quadrangular, subsistindo grande parte das secções S. e O., parcialmente ocultadas por heras e outros arbustos. Secção E. desapareceu quase por completo, inflectindo os vestígios para o interior da torre, que se conserva ao nível da cota média do terreno. Secção N. parcialmente conservada ao nível dos cunhais O., mas destruída na sua quase totalidade para E., conservando-se apenas ao nível da cota do terreno. Aparelho: cunhais e fundações realizados à base de blocos de cantaria, bem aparelhados e dispostos horizontalmente em aparelho plenamente isódomo; grosso da torre com pedras miúdas, em aparelho pseudo-isódomo, unidas com argamassa. PORTA DE SANTA ANA: resta o topónimo, assinalado por um painel de azulejos alusivo *3. PORTA DA PRAÇA e TORRE DO RELÓGIO: anexa à muralha, junto à antiga porta de armas da cidade; torre quadrangular, parcialmente integrada no Hospital da Misericórdia (v. PT050801010002); eleva-se a uma altura de quatro andares, em tantos outros registos; dois registos inferiores não visíveis, integrados em edifícios de construção posterior; o terceiro registo, alçado O. compõe-se de uma janela em arco de volta perfeita, com moldura policromada; último registo aberto nas quatro faces por janelas de arco de volta perfeita semelhantes às do terceiro piso, com impostas bem marcadas; na face O., imediatamente antes da janela, figura um relógio circular; torre termina em empena triangular, sobre a qual se ergue uma estrutura de ferro que suporta o sino e eleva ainda mais em altura o conjunto. Alcáçova, de planta rectangular (GOMES, 2001), de que não se conserva qualquer vestígio, ocuparia o espaço imediatamente a E. da Torre do Relógio. A Cisterna, integrada no Museu Municipal de Arqueologia (v. PT050801010015), possui planta rectangular simples, com abóbada de berço, com paredes bem construídas por cantaria bem aparelhada.

Materiais

Pedra aparelhada e miúda; argamassa

Observações

*1 - O Castelo implantava-se numa península rochosa bastante elevada em relação ao nível médio das águas do mar, com acesso por terra apenas a partir de O., onde a cota dos terrenos também descia consideravelmente. Até ao assoreamento da ria de Albufeira, as secções E. e N. eram protegidas por um curso de água, que entrava pelo território a partir do mar, a S. No último século, o extraordinário desenvolvimento urbanístico da cidade, determinou a destruição de grande parte das muralhas, perdendo-se a memória das secções a E. e a O. e a maioria dos testemunhos a N., atenuando-se igualmente a diferenciação em altura da construção dentro do castelo e da que se localizava já fora das muralhas; *2 - De acordo com os estudos de Mário Varela Gomes, o perímetro amuralhado ocupava uma área de 13.000 m2 c., abarcando uma população de 1200 pessoas, para o séc. 13; *3 - Porta de Santa Ana assim designada por dar acesso à Capela de Santa Ana, destruída aquando do Terramoto de 1755; *4 - é esta a opinião "mais coerente" para Adelaide Amado ainda que nenhum vestígio arqueológico possa ser reclamado que garanta esta cronologia. "A construção do seu castelo deve remontar à épocas castreja, mas muitos autores consideram-no árabe" (AMADO, 1998).