Arquitectura agrícola, setecentista e oitocentista. Quinta de produção vitivinícola implantada em solos de xisto de declives de oscilações acentuadas, numa região de clima seco, apresentando diversos tipos de armação do terreno vitícola, correspondentes a diferentes épocas: vinha pré e pós-filoxérica, em patamares e vinha ao alto, com zonas de pomar, horta e mata. Núcleo construído localizado em local estratégico, elevado, dominando a propriedade e os vales do Pinhão e Douro, com edifícios em arquitectura rural vernacular articuladas por pátios e caminhos.
Quinta implantada em monte com declives acentuados e ondulantes e solos cascalhentos de xisto, com os caminhos bordejados por oliveiras e árvores de fruto, que a demarcam na paisagem, contribuindo para isso também os dois ciprestes que se elevam junto aos cardenhos, o ponto mais alto da propriedade. A principal cultura é a VINHA de baixo porte, plantada em fiadas de tamanho e número variável, conduzida por arames sustentados por poios (esteios) de xisto, armada em socalcos pós-filoxéricos (construídos a partir de finais do século 19), de altos muros de xisto aparelhado, ligados por escadas transversais embutidas na espessura dos muros e com sistema de escoamento de águas pluviais. Subsiste, na vertente voltada ao rio Douro (parcela denominada Quinta do Sagrado), uma área considerável de socalcos pré-filoxéricos (anteriores à segunda metade do século 19), de geios estreitos e irregulares. Há igualmente zonas de patamares sustentados por taludes de terra ( vinhas em terraços estreitos, com 1 a 2 fiadas de bardos por patamar) e de vinha ao alto (vinha plantada segundo as linhas de maior declive). Na vertente voltada ao Douro estende-se uma área de MATO rasteiro e, voltado ao vale do Pinhão, uma mata de árvores de grande porte, sendo notável a álea de eucaliptos. O JARDIM, em patamar murado, junto da casa do proprietário, desenha-se a partir de uma fonte central ovalada com taça e vegetação aquática (nenúfares). Em seu redor estão colocados canteiros de flores delimitados por guias de granito (roseiras, etc) e árvores de pequeno porte (fruteiras, japoneiras). A O. do núcleo construído situam-se o POMAR e a HORTA, murados. O NÚCLEO CONSTRUÍDO divide-se em 2 grupos resguardados do caminho público por altos muros: um voltado ao caminho público, constituído por edifícios adossados, que correspondem à casa do proprietário, casa do caseiro e oficina vinária; e outro, fechado ao caminho por alto portão, concentra as estruturas para os animais, lagar de azeite e demais estruturas de apoio. A NE. destas estruturas situa-se a garagem e as oficinas de apoio à actividade agrícola, construções de estrutura simples, destacando-se a casa do lagar de azeite, no interior da qual se conservam o pio ( de tracção animal ) e a prensa industrial fixa. Estes edifícios, adaptados ao desnível do terreno, com coberturas diferenciadas em telhados de 2, 3 e 4 águas, são articulados por pátios, escadas e caminhos. A CASA DO PROPRIETÁRIO, que inclui na sua estrutura a casa do caseiro e oficina vinária, apresenta planta rectangular, simples, de 2 pisos, com orientação S. / N. As aberturas, com janelas de guilhotina e portas de 2 batentes, distribuem-se regularmente, ressaltando no alçado S. a escada paralela à fachada de acesso ao 2º piso, que se prolonga em varanda alpendrada com grade de ferro, que corre ao longo de metade deste alçado e do virado a E., ambos voltadas ao jardim, murado, que se abre para o caminho por alto portão de ferro. Os vãos, de molduras pouco salientes, e embasamentos são decorados por frisos negros. Cobertura de 3 águas. Do interior, organizado por corredor central no piso habitacional , o 2º, destaca-se a frasqueira, situada no 1º piso. A O. Fica a CASA DO CASEIRO, aberta para o caminho através de escada alpendrada paralela à fachada, de vãos semelhantes ao da casa do proprietário, embora menos numerosos. O interior do 1º piso é ocupado pela ADEGA, de chão em terra batida, onde se alinham tonéis de madeira e cubas de cimento e aço inox. O 2º piso, destinado à habitação dos caseiros, é dividido por corredor central, destacando-se a despensa e a COZINHA, com tecto em telha vã. Ao alçado O. da casa do caseiro, encosta-se CASA DOS LAGARES, de planta rectangular, simples, adaptada ao declive do terreno, aberta a S. por porta de guincho de grandes dimensões. A fachada N. é marcada por portal central entre janelas baixas. No interior, os lagares de granito assentes sobre alto plinto, distribuem-se em U. O 2º núcleo, organizado em função de um pátio, apresenta construções térreas de apoio à actividade a agrícola, destacando-se as POCILGAS e GALINHEIROS, de estruturas idealizadas. Afastados daqueles edifícios, a O., estão os CARDENHOS para homens e mulheres, cujos corpos se justapõem. São construções de planta rectangular, simples, com espaço interior único.
Materiais
Paisagem - inertes: xisto aparelhado, xisto metido a cutelo e taludes de terra; vivos: vinha; árvores de fruto, oliveiras, japoneiras, eucaliptos, vegetação arbóreo-arbustiva (cornalheira, urze, esteva, etc.). Núcleo construído: xisto aparelhado, contrafortado nas zonas de maior tensão por blocos de granito; rebocos interiores e exteriores de cal; coberturas em telha portuguesa de barro, sobre armação de asnas de madeira; caixilharias de madeira pintada; embasamentos exteriores e molduras dos vãos pintados a negro; gradeamentos de ferro; tectos em madeira de camisa e saia e pavimentos de madeira.
Observações