Núcleo urbano sede de freguesia. Vila situada em margem fluvial. Vila medieval de jurisdição de ordem religiosa militar (ordem de Santiago) e porterior jurisdição régia. Malha sensivelmente reticulada acompanhando a orla ribeirinha de um dos esteiros do Tejo. Núcleo primitivo localizado em torno da Igreja Matriz, de onde partem os 2 eixos estrurantes que atravessam a vila longitudinalmente.
Núcleo urbano com malha sensivelmente reticulada, acompanhando a O. a orla ribeirinha de um dos estuários do Tejo. A estrutura urbana inicial ter-se-á formado em torno da Igreja matriz (v. PT031506010001), onde também se localizam a Capela da Santa Casa da Misericórdia (v. PT031606010002) e o Pelourinho (v. PT031606010003), ambos do séc. 16. Eixos viários do núcleo paralelos, entrecortados por ruas e formando quarteirões quadrangulares. A configuração morfológica actual dos quarteirões resulta de um preenchimento ao longo dos tempos de edificado tipologicamente diferenciado, visível ainda na Rua Cândido dos Reis e na Rua 5 de Outubro. Nos limites, a O. e SE., quarteirões com grandes áreas, de antigo uso industrial. Lotes de largura média, com logradouros nas traseiras, hoje preenchidos com anexos. Da Igreja matriz partem as duas principais vias do núcleo, a antiga Rua da Cadeia (Rua Cândido dos Reis) e a Rua 5 de Outubro. Estas ruas articulam-se com espaços estruturantes, que se distribuem de S. para N., ao longo do núcleo. No Largo da Misericórdia, onde arranca a antiga Rua da Cadeia, de forma triangular e provavelmente o mais antigo do núcleo ainda existente, estão localizados a Capela da Santa Casa da Misericórdia, o Hospital concelhio (v. PT031506010017), hoje devoluto, e o Pelourinho. É um espaço de pouca permanência, provavelmente por ter confrontações com vias com tráfego automóvel. A meio da Rua 5 de Outubro, localiza-se a Praça com o mesmo nome, recentemente reabilitada, onde se localiza o coreto. A NE. da vila, o antigo Largo do Cais (Largo do Descarregador), de forma quadrangular e junto ao esteiro, é também provavelmente um espaço do antigo núcleo, uma vez que aí se localiza o Palácio dos Condes de Sampayo, do séc. 18, hoje muito degradado e o moinho de maré, do séc. 17, adquirido pela autarquia para pólo museológico. É notória a presença de quarteirões com grandes áreas onde se localizavam fábricas de cortiça e de confecções, hoje praticamente sem nenhum uso. Poderão ser brevemente objecto de pressão imobiliária, alterando certamente a imagem e dinâmica da vila. Do núcleo urbano fundacional, existem pouco vestígios: a igreja matriz ou de São Lourenço, o Pelourinho e a Capela da Santa Casa da Misericórdia, e no final do séc. 20, ainda existiam as ruínas da antiga cadeia, situada na esquina da R. Cândido dos Reis (antiga R. da Cadeia) e da Rua Arnaldo Cortiço, recentemente destruídas para darem lugar a um bloco habitacional. A habitação corrente caracteriza-se por casas térreas, normalmente com acesso principal centralizado. Destacam-se algumas casas abastadas (Casa com jardim na Rua 5 de Outubro e Casa modernista na Rua Humberto Delgado, de antigos proprietários de fábricas corticeiras). Também ainda existem, muito degradas e na maior parte devolutas, habitações operárias em banda (bairro Madeira e bairro junto da Igreja matriz). A telha Marselha predomina no revestimento das coberturas, que normalmente são de duas águas, com a cumeeira paralela à rua. Os pormenores decorativos das fachadas, à semelhança da arquitectura, também são simples: platibandas, alguns beirados duplos, e molduras de vãos em argamassa (em risco de desaparecimento total).
Materiais
Não aplicável
Observações
*1 - Foi aí desmantelado o navio "Tolan". As festividades de N. Sra dos Anjos, a romaria mais antiga do concelho, terão origem, segundo a lenda, na ofensiva levada a cabo por Almansor, emir Almorávida, que terá tentado recuperar Palmela, conquistada por D. Afonso Henriques. A população terá fugido para a zona de Alhos Vedros, pedindo protecção à Santa. Em 1521, aquando da criação do concelho do Barreiro, D. Manuel determina no foral que haja uma contribuição à população vizinha para a procissão de N. Sra dos Anjos.