Arquitectura religiosa renascentista, maneirista. Edifício de planta circular, com cobertura em cúpula esférica, com protótipos italianos do alto renascimento, do tipo bramantino. Modelo invulgar no país, a capela enquadra-se na tipologia das cubas alentejanas aqui defendida por dupla cintura de muralhas ameadas. Os vestígios do pórtico de entrada, em frontão semicircular, conduzem sempre aos formulários italianizantes de quinhentos (4).
Planta centralizada, composta pelo corpo da capela circular. Massa simples disposta na vertical, cobertura homogénea em domo. O corpo da capela é apenas rasgado pelo pórtico com vestígios de frontão semicircular; os paramentos rematam em cornija moldurada. No INTERIOR, paredes cegas e no muro oposto ao da entrada, vestígios de um altar.
Materiais
Alvenaria de tijolo rebocada e caiada.
Observações
Em tempo chuvoso, e dada a natureza arenosa do solo, o acesso ao imóvel só é possível com veículos de tracção às 4 rodas. No caso de deslocação não motorizada, atenção ao gado bravo que poderá investir; o visitante deverá ter o cuidado em deixar sempre fechados atrás de si os vários portões. (1): A Herdade da Barroca encontra-se integrada numa zona de abrigo ao Dec. Lei 172/88 de 16 de Maio que cria o regime de protecção aos montados de sobreiro; (2): A designação de "Ussa", termo utilizado até ao Séc. 16 para designar um urso, poderá ter origem nalgum milagre ocorrido no local, devendo-se a construção da capela ao cumprimento de um voto em agradecimento; (3): segundo as recordações de Ratton (RATTON, 1920): "Havia mais no valle chamado de Santo António da Ussa, junto a hum pego rodeado de salgueiros, hum pequeno edifício arruinado, e isolado em forma de pombal, cousa de 18 palmos de diametro, e pouco mais de 20 até 25 de altura, coberto de abobeda, e circundado, na distância de 10 a 12 palmos, de hum muro com ameias à maneira de hum pequeno forte; o que tudo mostrava existir de tempo immemorial. No interior deste edificio se achavaõ signaes de ter ali existido hum altar, e ter sido huma ermida dedicada a Santo Antonio, cuja imagem havia tradiçaõ ter sido transferida para outra ermida contígua às casas de que já fallei"; (4): Tendo em conta a invulgaridade do edifício é de considerar a hipótese de reaproveitamento de um primitivo moinho, que os havia na zona em relativa abundância já no séc.16, transformado em capela; resta enigmática a presença da dupla cintura de muralhas, assinalando talvez uma primitiva atalaia ou um "reduto romano ou godo aproveitado pelos árabes" (ESTEVAM, 1950). Não foi possível o acesso ao interior da capela. Aparentada por vários autores com o Castelo de Almourol, na realidade nada apresenta de semelhante, excepto a envolvência.