Arquitectura comercial, moderna do Estado Novo. Mercado construído segundo uma abordagem funcionalista com utilização do betão e do vidro, que prevaleceu nas construções públicas da época, que favoreceu o bem servir, em detrimento do aspecto de fachada. Modernismo no contraste entre a continuidade horizontal com o a tónica fortemente verticalizante da torre do relógio. Arte Nova na planta arrojada, no emprego do betão que permitiu o grande vão do pavilhão central, nas faixas verticais e horizontais que esquadriam a fachada, na rejeição à simetria. Peça arquitectónica construída com autonomia urbana, numa composição formalmente pesada e ambígua, com forte contenção volumétrica, com algumas características de art déco, como o uso de superfícies planas e linhas muito puras, na série de planos laminares, uso do vão grande aberto em grande austeridade desenhando uma escala inusitada, aplicação da janela em comprimento.
Planta quadrangular, irregular, composta por corpos justapostos que formam uma quadra irregular à volta de um pátio, sem coincidência exterior - interior. Composta por volumes articulados por adossamento de parte de fachadas, com disposição horizontal. Cobertura exterior em terraços. Fachada principal orientado a O. de dois registos, sendo o inferior de corpo com avançamento, interrompido a dois terços da sua largura, por torre alta de cinco registos, de base quadrangular, em destaque, adiantada no pano murário, com dois mostradores no topo dos seus alçados a E. e a O., destacando-se no primeiro registo uma pedra de armas com o brasão da cidade de Montijo. Na fachada a N. abre-se o portal do Mercado, largo vão rectilíneo sob uma vasta pala de betão. Adossado a este desenvolve-se o corpo principal do mercado: as fachadas a N. e a S. são idênticas, com o primeiro registo marcado por panos lisos e série de pequenos vão de iluminação em friso na fachada a N. e com portal central na fachada a S.; o remate é em amplo arco rebaixado, sanqueado; o segundo registo dos alçados são vazados por uma série de bandas colocadas em paralelo. Os corpos que se adossam lateralmente a este, são de planta longitudinal, desenvolvem-se num só piso, com uma série de janelas rasgadas na horizontal com portas de acesso às casas de comércio, rematando em platibanda lisa, linear; ou tem o registo térreo composto por uma série de janelas rasgadas na horizontal, as montras das casas de comércio que se abrem no interior do edifício, sendo o registo superior recuado e formado por platibanda desenvolvida por friso composto pelo mesmo tipo de bandas paralelas, de iluminação do mercado. A fachada posterior dá acesso a um pátio a céu aberto, ladeado por corredores formados por palas assentes em colunas de betão que se desenvolvem à volta dos alçados interiores dos corpos do mercado. A entrada por esta zona para o mercado é feita por ampla portada, com portões de ferro a toda a largura. Articulação do exterior - interior é desnivelada, o que leva a que os acessos a alguns dos corpos se faça por curtos lances de escada. INTERIOR de espaço diferenciado em mercado de verdes, mercado peixe, zona de venda de carne e enchidos, zona de escritórios. O edifício principal é formado por um vasto vão com o pé-direito marcado por uma série de contrafortes que se prolongam a todo o comprimento dos panos murários que são o suporte onde assenta igual número de arcos rebaixados que suportam a placa de betão em abóbada rebaixada.
Materiais
Betão, cantaria, alvenaria, tijoleira, telhas.
Observações
1*: Este Mercado faz parte do grupo de três edificações de equipamento citadino edificado e inaugurado no Montijo na década de 50 deste século. Além do Mercado foram edificados o Cine-Teatro Joaquim de Almeida (1953-1956) e a Praça de Touros (1957).