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Jardins do Solar de Mateus

Jardins do Solar de Mateus

O ponto de interesse Jardins do Solar de Mateus encontra-se localizado na freguesia de Mateus no municipio de Vila Real e no distrito de Vila Real.

Espaço verde de recreio. Jardins de linguagem revivalista neobarroca. O palácio, acedido por caminho atravessando parte da quinta, é orlado por mata, criando efeito surpresa, e é precedido por amplo espelho de água que reflecte a sua fachada principal. Possui jardim envolvente, de planta em L invertido, organizado em terraços ou parterres, de suave declive, a maioria com canteiros de buxos talhados com formas geométricas, de linguagem formal, de influência francesa, sendo parcialmente estruturado por eixo longitudinal conferido pelo centro da fachada do palácio, que atravessa um dos terraços, se acentua por túnel de buxo e se prolonga para a quinta através de uma latada. Para além do jardim, surgem os terrenos de cultivo, plantados com vinha, pomares e as hortas. Quinta com extraordinária articulação entre o palácio, considerado um dos expoentes máximos da arquitectura barroca do norte de Portugal, e os seus jardins, que, apesar de serem essencialmente de meados do séc. 20, seguem em parte uma linguagem barroca e se submetem a um eixo central definido pela arquitectura. É o caso do parterre junto à fachada posterior, onde ficava o principal jardim no séc. 18, com composição geométrica de buxo talhado, cujo eixo é conferido pelos portais rasgados nos pátios do palácio e se prolonga pelo incomum túnel de buxo, sobre as escadas de acesso aos jardins de baixo e depois se prolonga por uma alameda e latada assente em esteios tipo obeliscos, possivelmente as únicas subsistências do primitivo jardim. À composição formal do primeiro parterre a E., assemelha-se sensivelmente o que lhe sucede, mas os restantes são distintos, já que existe ladeando o túnel um pequeno jardim de água, com tanques recortados dispostos sucessivamente, um parterre a SE. com buxo talhado rente ao chão com grande graciosidade e leveza de desenho, integrando a meio da sebe definidora espaldar barroco, e o disposto a S., seccionado em pequenos talhões por caminhos delimitados por sebes que numa das alas formam arcos de verdura em buxo, e têm canteiros dispostos irregularmente. Apesar dos jardins se inspirarem numa determinada tipologia tradicional, eles reinterpretam algumas sugestões do barroco, mas com este revivalismo coexistem efeitos de carácter romântico e intimistas, como o da zona de fresco criada pelo maciço de japoneiras antes do túnel de cedro. O espelho de água construído fronteiro à fachada principal, com desenho neobarroco em sintonia com o da casa e integrando inovadoramente ao longo do seu perímetro interior um talude relvado, embora concebido e realizado no séc. 20, ao reflectir a fachada da casa, confere-lhe uma grandiosidade que nunca seria igualada com um simples parterre ajardinado. Além disso, juntamente com a frondosa arborização, cria o efeito surpresa e acentua a tranquilidade do conjunto. O tanque reservatório setecentista conserva ainda as condutas de abastecimento de água ao palácio e a outras zonas da quinta.

Propriedade murada, implantada em terreno plano, com algumas zonas organizadas em patamares de suave declive, composta por palácio de planta em U com ala transversal, criando pátio interno descoberto, precedido por amplo espelho de água e arvoredo, capela longitudinal colocada a N. no topo da casa (v. IPA.00005990, jardins em L invertido envolvendo o palácio a S. e a E., organizados em terraços ou parterres, articulados por túnel de buxo, e a partir dos quais surgem os terrenos de cultivo, plantados com vinha, pomares e as hortas. Portão da quinta em cantaria, de arco em volta perfeita, com brasão no fecho *1, flanqueado por pilares, pano de muro almofadado encimado por balaustrada e pilares sobrepostos por asas de morcego. O caminho totalmente envolvido pelo arvoredo, culmina inesperadamente no palácio, precedido por grande terreiro, em cascalho, com espelho de água rectangular de ângulos recortados, reflectindo a sua fachada, composto por lajes exteriormente de perfil côncavo e convexo e topo saliente, integrando ao longo do perímetro interior canteiro de verdura e hortenses, tendo ao centro do muro frontal, bica carranca, e no ângulo NO. escultura de mulher em mármore sobre a água. No topo O. da ala S. do palácio e perto do espelho de água, ergue-se um enorme Cedrus Deodora e uma Chamaecypris Lawsoniana. Ao longo da fachada S. do palácio surge canteiro de pedra estreito, com perfil exterior decorado com um jogo de formas côncavas e convexas, e largo caminho de saibro, paralelo ao qual se desenvolve parterre rectangular, longitudinal, seccionado transversalmente em seis, por caminhos de saibro, ladeados bilateralmente por buxo talhado, possuindo no extremo S., no cruzamento dos caminhos e sobre o longitudinal, também ele delimitado a S. por buxo recortado, arcos de verdura em buxo; cada um dos compartimentos do parterre, relvado, tem pequenos canteiros de flores dispostos irregularmente, sendo alguns deles pontuados de árvores. O centro do palácio, com portais sucessivamente colocados em eixo, define um eixo longitudinal estruturador do jardim desenvolvido para E., com parterres de suave declive. O primeiro é enquadrado pela fachada posterior do palácio, a N. pela fachada lateral da capela, ambas percorridas por estreitos canteiros de pedra, e a S. pelo limite do parterre S.; é composto por composição quadrangular de buxos talhados, formando canteiros, com ângulos encimados por bolas de buxo, de pequenos labirintos trapezoidais e, por vezes, pontuados por arbustos, que conferem volumetria ao espaço, com caminhos de saibro em cruz rodeada, centrada por taça de água elíptica, com bica, envolvida por buxos talhados, igualmente de planta elíptica, e tendo de permeio florões geométricos de buxo. A E., ladeando a escadaria do portal posterior, entre duas estátuas, surgem dois canteiros de buxo talhado com arbusto, e a S. quatro canteiros rectangulares longitudinais de buxo talhado, centrado por árvore. Sensivelmente a meio do topo E., existe cameleira, assinalando o início de uma escadaria de granito de acesso aos parterres inferiores, coberta por um túnel de ciprestes talhados, formando um tecto abobadado que cria, no seu interior, um cenário inesperado, marcado pela presença dos troncos nodosos e retorcidos. No fim do túnel, o caminho, ladeado por Cupressos semprevivaens, conduz a um portal em cantaria, de verga recta, marcando o prolongamento do eixo que se prolonga por uma latada de vinha, suportada por esteios de granito, em forma de obeliscos, alternadamente assentes em plintos galbados. A N. do túnel, dispõe-se pequeno jardim de água, com três tanques dispostos em patamares de suave desnível, de planta quadrangular e topos recortados, mas todos diferentes, que se alimentam entre si, e um Ácer, bordo-chorão do Japão. A S. do túnel surge parterre com jardim de buxo talhado de composição semelhante ao que se desenvolve junto à fachada posterior do palácio, apenas com algumas variações e sem o tanque central, e tendo os canteiros preenchidos por flores e pontuados por arbustos de pequeno e médio porte. O parterre paralelo a S., delimitado a E. e S. por sebe de buxo aparado e separado do anterior por sebe aparada em curvas e contra-curvas, possui composição de buxo aparado rente ao chão e sobre um saibro mais claro, com amplo medalhão central recortado, centrado com um camacíparis do Japão (Chamaecyparis obtusa), e florões recortados nos ângulos; ao centro da sebe E., surge espaldar rectangular, rebocado e pintado de branco, centrado por ampla cartela recortada, limitado por pilastras, sobrepujadas por pináculos, terminado em friso e cornija, encimado por frontão interrompido por pináculo adelgaçado; o espaldar, assente num soco de cantaria, é flanqueado por balaustrada. As relações com a paisagem agrícola envolvente são privilegiadas para S. e para E., ficando parcialmente contidas em direcção a O. Aí, fica a eira, rectangular, de cantaria, e o tanque de rega e reservatório, também rectangular, do meio do qual emerge obelisco composto por pilar quadrangular coroado por pináculo, com bica dando para pequeno tanque adossado. Nas terras mais baixas, destaca-se a S. o pomar de pereiras, amendoeiras e cerejeiras.

Materiais

Vivos: buxo anão (Buxus sempervirens var. nana); Inertes: alvenaria, cantaria de granito e saibros.

Observações

*1 - Este brasão foi retirado da casa da R. da Fonte do Chão, actual Marechal Teixeira Rebelo, nº 33, em Vila Real, onde viveram os Morgados de Mateus (anteriores ao morgado de D. Luís António de Sousa Botelho Mourão). Jardim visitável em : Junho a Setembro 9H00 - 19H30, Outubro, Março, Abril e Maio 9H00 - 13H00 e 14H00 - 17H00