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Igreja Paroquial de Alcainça

Igreja Paroquial de Alcainça

O ponto de interesse Igreja Paroquial de Alcainça encontra-se localizado na freguesia de União das freguesias de Malveira e São Miguel de Alcainça no municipio de Mafra e no distrito de Lisboa.

Igreja paroquial rural de primitiva construção medieva, possivelmente ocorrida nos séculos 12 e 14, foi alvo de sucessivas campanhas de obras, tendo as mais significativas ocorrido nos séculos 17, 18 e 19, apresentando características góticas, maneiristas, barrocas e tardo barrocas. Planta retangular, simples, longa e estreita, desenvolvida segundo um eixo longitudinal, de um e dois registos, a que se adossa, a norte, o corpo quadrangular de uma torre sineira e, a sul, o retangular de uma capela. As fachadas são rebocadas e pintadas de branco, percorridas por um soco amarelo e as coberturas telhadas maioritariamente a duas águas. A fachada principal, com orientação canónica, apresenta uma feição que se pode filiar na estética maneirista de Seiscentos, com embasamento pouco saliente, desenvolve-se em dois panos separados por pilastras pintadas a amarelo e em dois registos, sendo o primeiro centralizado por portal com dupla moldura de verga reta, sobrepujado por vão retangular de moldura simples de cantaria encimado por relógio e remate em empena angular rematada por fogaréus e cruz de ferro. Ainda na fachada principal, à esquerda, figura um estreito pano de ligação com a torre sineira, entre pilastras simples pouco proeminentes, provido de pequena janela quadrada. A torre sineira, barroca, resultado da reconstrução pós-terramoto, surge vazada, no segundo registo, por quatro sineiras em arco pleno, rematada por cornija, com cobertura em domo bolboso acantonado por fogaréu, motivo que se repete nos acrotérios. O interior, de nave única, terá sido quase inteiramente refeito em Seiscentos, datando dessa altura o revestimento integral das suas paredes murárias a azulejo de padrão geométrico com cercaduras decoradas com desenhos "dente de serra" e registos com figuras de santos, em tons de azul, branco e amarelo, e a estrutura do retábulo-mor, definido por pilastras que encimam um frontão triangular e ladeado por dois nichos de arco de volta perfeita. É ainda no interior do templo que se podem encontrar as únicas reminiscências da antiga construção medieval, presente nas duas pias de água-benta trilobadas, confrontantes, que antecedem as capelas colaterais para as quais se abrem grandes arcos quebrados, de estrutura medieva, revestidos a azulejo. Na parede sul da capela colateral do lado da Epístola, encontram-se semi-embebidas na caixa-murária, duas arcas tumulares com tampas trapezoidais lisas, e, a poente, lápide epigrafada alusiva ao instituidor da capela, Vicente Anes Froes, prior de Cheleiros. Tendo sofrido grandes danos com o Terramoto de 1755, a igreja recebeu obras de reconstrução, que se alongaram pela centúria seguinte, de que datará o arco triunfal, de volta perfeita, emoldurado por azulejos de padrão polícromos, precedido por teia de mármore de lioz. Já de Oitocentos datará a obra de ampliação do imóvel, visível interiormente, pela inexistência de decoração azulejar nas paredes na área do coro-alto, então edificado. Exteriormente, esta intervenção fica marcada pela destruição do alpendre que antecedia a fachada do templo e pela reedificação do atual, ficando gravada a data de 1882 sobre o atual portal.

Planta retangular, simples, desenvolve-se segundo um eixo longitudinal, de um e dois registos, a que se adossa a norte, o corpo retangular de uma torre sineira e, a sul, o corpo retangular de uma capela. As fachadas são rebocadas e pintadas de branco, percorridas por um soco amarelo. Coberturas diferenciadas, telhadas, a duas águas sobre a igreja, a uma água sobre a capela lateral e em domo bolboso acantonado por fogaréu, motivo que se repete nos acrotérios, na torre. Fachada principal orientada, com embasamento pouco saliente, desenvolve-se em dois registos, sendo o primeiro centralizado por portal inscrito em moldura dupla de verga reta, encimada por lápide diminuta com data inscrita de 1864. Sobre o portal, segundo registo rasgado ao centro por vão de verga reta e moldura simples de cantaria encimada por relógio, remate em empena angular rematada por fogaréus e cruz de ferro. Ainda na fachada principal, à esquerda figura um estreito pano de ligação com a torre sineira, entre pilastras simples pouco proeminentes, provido de pequena janela quadrada. A torre apresenta-se cega no primeiro registo, sendo o segundo, mais estreito, vazado por quatro sineiras em arco pleno, rematado por cornija. Fachada lateral esquerda, a norte, de um único registo e um só pano, apresenta-se rasgada por porta transversa com moldura verga reta em cataria, junto ao muro do adro, e duas janelas retilíneas com moldura de cantaria simples, todo o pano é rematado em cornija. Fachada posterior, a nascente, desenvolve-se em dois registos, com remate em empena angular rematada por cruz pétrea, tem adossado à esquerda um pequeno corpo com gavetões envidraçados e o muro do cemitério, à direita uma pequena porta retangular encimada por óculo circular, desnivelada, a que se acede por escada descendente. Fachada lateral direita, a sul, apresenta-se em dois panos e um só registo com remate em cornija. O primeiro pano, da nave da igreja, é rasgado por porta travessa de verga reta em cantaria, o segundo, corpo da capela lateral, a que se encosta muro do cemitério e três campas, é cego a ocidente e rasgado por dois vãos retilíneos, em planos diferentes, com molduras de cantaria, a sul. INTERIOR: nave única, parede fundeira com coro-alto retangular com balaustrada sobre duas colunas, iluminado por janela retangular emoldurada por vão em arco rebaixado, sob este, a norte, um arco pleno dá acesso à capela batismal onde figura uma pia pétrea, prismática. Após o coro a nave apresenta um revestimento integral das suas paredes murárias com azulejos de tapete, polícromos (azuis, amarelos e brancos), com cercaduras decoradas com desenhos "dente de serra" e registos com figuras de santos. A parede norte apresenta, sensivelmente a meio, púlpito incrustado sobre mísula pétrea, guarda plena decorada com azulejo figurativo, e baldaquino. Em ambas as paredes duas pias de água-benta trilobadas, confrontantes, a anteceder as capelas colaterais para as quais se abre grande arco quebrado revestido a azulejo. Do lado do Evangelho capela dedicada a Nossa Senhora da Conceição com retábulo de talha dourada, verde e marmoreada com imagens de vulto. Na Capela da Epístola retábulo com imagens de vulto de São Silvestre e de Nossa Senhora do Rosário; parede sul desta capela revestida de azulejos de padrão azuis e brancos, rasgada a meio por janela retangular, apresenta, semi-embebidas na caixa-murária, duas arcas tumulares com tampas trapezoidais lisas, e, a poente, lápide epigrafada. Cobertura da nave em teto de masseira, branco com caixotões de molduras retilíneas verdes e douradas. Cobertura das capelas laterais em teto de madeira pintado com motivos vegetalistas. Pavimentos lajeados. Arco triunfal de volta perfeita emoldurado por azulejos de padrão polícromos, antecedido por teia de mármore. Capela-mor com parede testeira vazada por duas portas retangulares encimadas por dois nichos em arco pleno rematados por concheado e volutas estilizadas a ladear a tribuna, esta é vazada, com trono, emoldurada por arco pleno entre duas pilastras encimadas por frontão triangular. Na parede norte porta retangular para acesso à sacristia.

Materiais

Cantarias de calcário e mármore; alvenarias rebocadas; azulejos; madeira; telha.

Observações

*1 - DOF: Pórtico da Igreja de São Miguel de Alcainça; a classificação abrange unicamente o portal e foi feita na suposição de que este era manuelino, erro que adveio da proximidade física da Capela do Espírito Santo, essa sim com um portal de estilo manuelino, subsistindo uma confusão entre os dois imóveis; *2 O documento, intitulado "Último testamento feito em Belmonte aos 31 de março da era de 1401" (publicado por José Joaquim de Ascensão Valdez, 1895, pp. 85-87), ora o documento estará ainda consonante com o calendário juliano, adotado em Portugal até à carta régia de D. João I, de 22 de agosto de 1422, que adota formalmente o calendário cristão, assim ao ano 1401 da era de César corresponde ao ano de Cristo de 1363.