Núcleo urbano sede municipal. Cidade situada em margem fluvial. Vila medieval do couto de Ceras de jurisdição de ordem religiosa militar (ordem do Templo), com castelo e arrabalde. Traçado urbano que se enquadra num conjunto de iniciativas urbanísticas da segunda metade do séc. 13, implantado em terreno sensivelmente plano. Conjunto com malha urbana regular definida por dois eixos perpendiculares correspondentes à Rua da Corredoura no sentido E./O. e às Ruas Direitas da Várzea Pequena e da Várzea Grande. Núcleo com origem em dois arrabaldes do Castelo de Tomar e nas vias que estabeleciam a ligação entre o castelo e a zona ribeirinha. Existência de dois espaços funcionais, representados nas duas praças mais importantes: a Praça da Ribeira, centro administrativo, e a Praça de São João, espaço com vocação mais comercial, que posteriormente evoluiu, como Praça D. Manuel, para centro cívico administrativo e religioso da cidade. A estrutura cadastral caracteriza-se por lotes estreitos e pouco profundos, que resultam numa arquitectura corrente de edifícios predominantemente de dois pisos, e mais raramente os edifícios de três pisos. A vila tem um dos melhores exemplos de malha urbana regular medieval, conservando até hoje a estrutura definida entre os séc.12 e 16. Apesar de apresentar um tecido edificado adulterado, mantém predominantemente as características urbanas do lote medieval. Persistem bons exemplos de elementos de arquitectura civil quinhentista.
Núcleo urbano com malha tendencialmente regular, formando uma retícula composta por 9 eixos paralelos de orientação E./O, e por 3 eixos com orientação N./S., definindo quarteirões rectangulares. Tomar pode enquadrar-se num conjunto de cidades com malha urbana de padrão geométrico que surgiram em Portugal na idade média, tendo ficado o actual traçado perfeitamente definido até ao séc. 15. O eixo estruturante de todo o conjunto é a rua da Corredoura (actual rua Serpa Pinto), que tem orientação E./O. e apresenta maiores dimensões que os restantes (cerca de 9,5 m de largura e 250 m de comprimento). Este eixo fazia a ligação da colina do castelo e do arrabalde do Pé da Costa ao rio e à ponte que o atravessa para N.. Paralelas a este eixo, para S., as ruas de São João Baptista, da Judiaria (actual rua Joaquim Jacinto), da Palmeira (actual D. Aurora de Macedo) e do Calça Perra (actual Pedro Dias) correspondentes ao núcleo inicial, que se desenvolveu entre dois arrabaldes pré-existentes: o arrabalde do Pé da Costa, que corresponde aos quarteirões entre as ruas do Pé da Costa de Cima e do Pé da Costa de Baixo, e o arrabalde da Ribeira, que se desenvolveu na margem do rio, na zona hoje correspondente à Praceta Alves Redol e ao início da Rua dos Moinhos. A N. da Rua da Corredoura encontram-se a Ruas dos Oleiros (actual Alexandre Herculano), a Rua Gil de Avô, a Rua da Capela (actual Sacadura Cabral) e a Rua do Camarão. Este segundo núcleo, com uma configuração triangular, desenvolveu-se posteriormente, condicionado pela margem do rio, apresentando quarteirões de tamanho decrescente de S. para N.. O eixo fundacional no sentido N./S. corresponde à Rua Direita da Várzea Grande (actual Infantaria 15) e à Rua Direita da Várzea Pequena, que faziam a ligação do Rossio ou Várzea Grande à Várzea Pequena, que correspondiam às entradas da cidade de Lisboa e de Leiria respectivamente. No núcleo inicial e paralelamente à Rua da Várzea Grande encontram-se as Ruas do Pé da Costa de Cima, do Pé da Costa de Baixo e dos Moinhos. Existem ainda duas travessas igualmente paralelas a estas, a Travessa do Arco e a Travessa do Quental. A Rua da Graça (actual Avenida Cândido Madureira) corresponde ao local onde corria uma ribeira. Esta zona era denominada por Riba Fria e foi desde cedo um importante eixo E./O., que ligava um antigo caminho para a porta da Alcáçova à zona da Ribeira. A Praça de São João, (actual Praça. da República) é o espaço fundamental deste conjunto. Tem uma configuração rectangular com aproximadamente 46 m por 63 m e abre-se no encontro da Rua da Corredoura com a Rua Direita da Várzea Grande. No topo E. encontra-se a Igreja de São João Baptista (v. PT031418120004) e no topo O. ergue-se o edifício dos Paços do Concelho (v. PT031418120021). A Praça da Ribeira (actual Praceta Alves Redol) é hoje uma rotunda, com uma utilização quase exclusivamente viária, tendo perdido a função administrativa, judicial e comercial que deteve até ao séc.16. O Rossio da Vila ou Várzea Grande foi parcialmente ocupado por construção, sendo a restante área utilizada como parque de estacionamento (à excepção dos dias em que aqui decorre a feira e mercado). A Várzea Pequena (actual Largo do Pelourinho) é um largo irregular, sem função específica além do estacionamento automóvel. O traçado urbano é composto maioritariamente por quarteirões rectangulares compostos por um tecido parcelar muito heterogéneo, predominando o lote estreito na Rua de São João Baptista, Rua da Judiaria, Rua do Camarão e na Rua Gil de Avô. Os logradouros têm dimensões reduzidas, à excepção dos quarteirões compreendidos entre as Ruas da Judiaria e do Calça Perra, onde surgem logradouros de maiores dimensões, geralmente associados a casas abastadas e solares. O espaço edificado é muito heterogéneo e tipologicamente muito diversificado. Encontram-se um grande número de casas abastadas, solares e palácios, como por exemplo o Solar dos Tassos de Figueiredo (v. PT031418120074), a Casa de Antero de Quental (v. PT031418120077), o Palácio de Alvim (v. PT031418120079) ou a Casa Silva Magalhães (v. PT031418120083), a par de uma arquitectura corrente dominada pelas casas de 2 e 3 pisos com loja, geralmente de frente estreita. Nas vias principais, correspondentes aos eixos de utilização mais comercial, predominam os prédios de rendimento, com loja no piso térreo. A habitação multifamiliar de 2 e 3 pisos com frente estreita ou larga tem uma presença significativa no núcleo urbano. É de referir que, apesar do conjunto manter as suas características principais, quer pela regularidade do seu traçado quer pela existência de um tecido parcelar relativamente preservado, ao nível do edificado surgem adulterações significativas que comprometem a riqueza formal e morfológica do conjunto. São correntes os casos de reutilização de cantarias de edifícios demolidos datadas dos séc.15 a 17 em edifícios da segunda metade séc. 20. Tomar destaca-se pela riqueza de elementos arquitectónicos e decorativos na arquitectura corrente, com grande incidência de trabalhos decorativos de pedra e ferro, bem como de cimalhas, platibandas decoradas e beirado duplo. Os edifícios mais significativos concentram-se naturalmente na zona nobre da cidade, na envolvente da Praça de São João, na rua da Corredoura e nas ruas Direitas da Várzea Pequena e da Várzea Grande, nomeadamente a igreja de São João (v. PT031418120004), o edifício do Paços do Concelho (v. PT031418120021), o Palácio D. Maria Silveira (v. PT031418120078) e a Casa Manuel Guimarães (v. PT031418120012). Outro pólo de imóveis significativos localiza-se nas margens do rio Nabão, junto à Ponte Velha (v. PT031418110086). Na margem O. concentram-se os edifícios industriais e agrícolas, a saber os Moinhos e Lagares de El Rei (v. PT031418120036), o Ed. da Geradora Eléctrica de Tomar (v. PT031418120030) e os edifícios da Fábrica Mendes Godinho (v. PT031418120087). Na margem E. encontra-se o complexo de edifícios que pertenceram ao Antigo Convento de Santa Iria e a Igreja de Santa Iria. Na Av. Cândido Madureira, a O., junto ao Edifício do Turismo (v. PT031418120013) encontra-se o Antigo Hospital de São Brás (v. PT031418120076), a Casa dos Tectos (v. PT031418120075), o Antigo Hospital da Misericórdia (v. PT031418120035) e a Igreja de Nossa Senhora da Graça (v. PT031418120035). Na Rua da Judiaria encontra-se a Sinagoga e Antigos Banhos. A utilização é predominantemente residencial e comercial, concentrando-se a última nos eixos fundamentais que correspondem à Rua da Corredoura, à Rua dos Moinhos e ás Ruas direitas da Várzea Grande e da Várzea Pequena. Também as Ruas da Levada e da Graça apresentam uma percentagem considerável de utilização comercial, bem como a zona na margem E. do rio.
Materiais
Não aplicável
Observações