Arquitectura religiosa, manuelina e maneirista. Convento franciscano capucho, cujos vestígios de uma primitiva construção encontram-se no embasamento da casa de habitação, do lado S. e E., reconhecendo-se uma estrutura murária que faria talvez parte do antigo dormitório dos frades e o local do antigo claustro conventual franciscano, no actual pátio; capela conventual a N. do claustro, inicialmente coberta por abóbada de nervuras manuelina, com arco triunfal já de proporções maneiristas. A "torre" de perfil e decoração manuelinos (cúpula esguia oitavada, torsais em remate), junto ao tanque e sobre a nascente, terá funcionado como oratório e casa de fresco, à semelhança da "Charolinha" integrada na Mata dos 7 Montes, em Tomar (Vd. Ficha IPA) (Moreira, 1994, p. 60). O "obelisco" seria apenas um marco de posse ou de entrada, com paralelo em idênticos objectos situados no início da calçada do convento de Cristo (Ibidem, p. 61).
HABITAÇÃO: planta longitudinal composta por vários rectângulos adossados, dispostos em redor de um pátio quadrangular; volumes articulados com coberturas diferenciadas em telhado de 2 e 3 águas com beiral; os alçados S., E. e O, formados por corpos escalonados, assentam em parte num elevado embasamento, vencendo o desnível aí existente. A N. do pátio a CAPELA conventual, de planta longitudinal (23x6,5m), orientada, massa simples com cobertura em telhado de 2 águas, empenas angulares a E. e O.; cobertura interna em madeira; nave e capela-mor justapostas, arco triunfal divisório, a meio ponto, assente em pilastras laterais toscanas. "OBELISCO" - volume troncocónico, com c. de 5 m. de altura. "TORRE" - planta quadrangular (7x5m), volume prismático adaptando-se ao desnível do terreno, coroado por coruchéu piramidal, oitavado; a face virada a nascente, com c. de 6m. de altura, com vestígios de encosto de um muro, é rasgada por vão de verga recta, a face oposta, com c. de 12m., assenta em forte embasamento; no remate dos muros exteriores torsal e motivos florais relevados. Interior coberto por cúpula piramidal, sobre trompas; pequeno nicho rasgado em arco canopial, vestígios de frescos.
Materiais
Estrutura em alvenaria de pedra e tijolo rebocada e caiada, com rodapés, faixas e molduras a amarelo (habitação); estrutura em pedra aparelhada ("torre"); alvenaria de pedra e tijolo ("obelisco"); cantaria em algumas molduras; cobertura em telha cerâmica (habitação).
Observações
*1 - DOF "... incluindo a torre manuelina, construção remanescente da antiga capela e o "obelisco" próximo da Aldeia de Cem Soldos. *2 - a Quinta tem grande interesse histórico - foi sede do 1º convento de capuchos na região, granja da Ordem de Cristo e propriedade do Conde de Tomar, sendo amplamente referenciada na documentação do séc. XVII ao 20. 3. O túmulo dos fundadores da quinta, Isabel Teixeira e Antão de Figueiredo, retirado da capela conventual, está guardado no convento de Cristo em Tomar - na sua lastra inscrições em caracteres góticos e elementos decorativos de estilo manuelino-renascentista. 4. O "obelisco" tem sido interpretado como base de um cruzeiro, como o túmulo de um bispo e ainda, segundo entendidos em cabala, como um símbolo fálico que obrigaria as forças telúricas a espalharem-se pelas vizinhas terras calcárias, fertilizando-as (França, 1989, p. 124). 5. Na zona outrora ocupada pelo claustro, foram encontrados muitos vestígios de azulejos de faixa (para formar enxaquetados), de aresta, relevados, podendo ainda testemunhar-se exemplos de azulejos de padrão de ponta de diamante; foram igualmente encontradas faianças utilitárias seiscentistas e setecentistas e barros com decoração de engobes.