Arquitectura desportiva, modernista. Estádio construído segundo a concepção grega, isto é, edificação integrada na paisagem e tudo em pedra. Caldeira Cabral contesta a proposta pré-existente do Arquitecto Jorge Segurado *1, registando a ignorância do regime dos ventos, o carácter divisório de uma avenida projectada até ao mar e o desajuste entre escala e função. Após um elaborado estudo, puxa o Estádio do vale do Rio Jamor, evitando o encanamento do rio, para uma concavidade existente na meia encosta orientada a O, abrigada dos ventos dominantes e aberta sobre a paisagem possibilitando ter uma vista de conjunto de qualquer desfile ou parada, como era pedido no programa já que o Estádio deveria servir não só ao desporto mas também às grandes manifestações dos regimes nacionalistas. Foi assim construído à Grega"O Estádio grego é aberto [...]. Assim os jogos e concursos realizam-se, tendo como fundo a paisagem. Para Caldeira Cabral "As construções não devem ser colocadas numa baixa mas sim num ponto donde se domine a paisagem. Assim o edifício fica livre e para quem o vê adoçado a uma encosta ou coroando um cabeço, forma um conjunto harmónico com a natureza" e "Não desejamos apenas integrar o estádio na paisagem afastada mas ligando-o aos montes e árvores mais próximas conseguimos alargar-lhe o âmbito estreitando o seu contacto com a natureza. Criamos assim um recinto natural, formado pelas encostas e que nos permite apreciar verdadeiramente a grandeza do vale." E ainda "Podemos apontar como principais características do Estádio de Lisboa as seguintes: 1 - È o primeiro grande estádio moderno situado em plena natureza e que se abre sobre uma paisagem grandiosa. " 2 - Pela primeira vez nos tempos modernos se constrói segundo a concepção grega isto é edificação integrada na paisagem e tudo em pedra. 3 - È o primeiro grande estádio completamente construído em escavação numa depressão natural do terreno. 4 - Diremos ainda que é o único estádio moderno na Europa que só tem lugares sentados (ANDRESEN; Teresa, 2003).
De planta em U, aberto sobre o Vale do Jamor, o edifício organiza-se em 23 sectores definidos por escadas radiais, reconhecendo-se a eixo da alameda de acesso, o denominado pórtico de honra ou tribuna presidencial, corpo de planta rectangular, coberto em terraço suportado por pilares e lateralmente plolongado por 2 braços rectos (colunatas). No centro, reconhece-se o campo de jogos relvado (com 70 m x 110 m), rodeado pela pista de corrida, separada das bancadas por um fosso. Os passeios estreitos entre as bancadas são de calçada à portuguesa e os passeios principais de lagedo.
Materiais
Betão armado e moldado, cimento, cantaria de calcário, de lioz e mármore, ferro forjado e fundido
Observações
*1 - No concurso participaram os arquitectos Carlos Ramos (1897 - 1969) em colaboração com o holandês Jan Wils (1891 - 1972) autor do Estádio Olímpico de Amesterdão, e Cristino da Silva (1896 - 1976), com a colaboração de Constantino Constantini, autor do Fórum Mussolini de Roma. Estes intervenientes, segundo indicações expressas da Comissão Administrativa do Estádio Nacional, de acordo com o programa do Concurso, acabaram por elaborar, se comum acordo um esbocêto conjunto de um Plano Geral à escala 1/4000 resultando uma nova distribuição geral, aproveitando-se o melhor dos dois partidos, obtendo-se uma unidade lógica, harmónica e maior economia. Baseado neste esbocêto o arquitecto Jorge Segurado vem a elaborar a proposta da conciliação, uma versão definitiva do Plano Geral numa escala mais pormenorizada. Este foi o Plano Geral entregue a Caldeira Cabral, quando pela primeira vez se deslocou ao local, a par de uma cópia das sondagens. Baseado nestes documentos nas suas impressões recolhidas na sua visita, Caldeira Cabral elabora um parecer, começando por tecer considerações de terreno, baseadas no relevo, ventos e solo e só depois sobre o projecto, expondo a sua ideia para o Estádio demarcando-se logo de início da proposta existente (ANDRESEN, Teresa, 2003); Caldeira Cabral, ainda estudante de Arquitectura Paisagista na Alemanha, solicitou a colaboração do seu professor Wiepking, que já tinha trabalhado no Estádio de Berlim com o arquitecto Werner March. Começou então a trabalhar activamente no anteprojecto com o arquitecto assistente de Wiepking, Konrad Wiesner que se encontrava na altura a trabalhar no Estádio de Nuremberga (ANDRESEN, Teresa, 2003).