Arquitectura militar, moderna abaluartada. Forte costeiro seiscentista integrado na primeira linha de defesa marítima entre o Cabo da Roca e a Torre de Belém, desenvolvida no contexto da Restauração para protecção da barra do Tejo. Fortificação poligonal simétrica composta por corpo central, de planta quadrada, onde se localizam os corpos da guarda, armazéns de pólvora e bateria alta virada ao mar. Polígono constituído por dois meios baluartes laterais virados ao mar e por dois meios baluartes e redente central, criando estrutura de traçado tenalhado voltada a terra, que poderá corresponder a fosso anterior. Parte integrante da primeira linha de defesa costeira no período da Restauração, permitindo cruzar fogo com o Forte de Nossa Senhora do Vale a E. (de quase já não existem vestígios) e com o Forte de Nossa Senhora de Porto Salvo (v. IPA.00006803) a O. Apesar das suas pequenas dimensões, tinha grande poder de fogo na época da sua construção, conjugando baterias baixas e altas e canhoneiras em vários níveis, rasgadas nos parapeitos ou sob o cordão. Provavelmente a fortificação inicial seria restrita à bateria central rodeada por fosso, o que justificaria a conjugação de estruturas de traçado abaluartado e tenalhado com continuidade espacial.
Fortificação abaluartada de planta poligonal simétrica, apresentando cinco vértices ou ângulos flanqueados revestidos a cantaria, contrastando com os paramentos em talude rebocados e com os vértices ou ângulos flanqueados revestidos a cantaria rusticada. Apresenta corpo central de planta quadrada marcado por cordão e ladeado a SE. e SO. por dois meios baluartes vazios, também ornamentados por cordão e dotados cada um de quatro canhoneiras, constituindo bateria rasante virada ao mar. No lado de terra a N. existe estrutura mais baixa desprovida de cordão mas com banqueta, adossada ao quadrilátero: em volume é observável uma tenalha composta com dois ângulos reentrantes, mas em planta é passível de ser interpretada como a conjugação de dois baluartes vazios ligados por redente através do qual se faz o acesso ao forte, uma vez que forma com os meios baluartes de mar um recinto contínuo apenas interrompido do lado S. Na zona de transição do paramento da tenalha com o baluarte de mar existe uma canhoneira virada a E. e outra a O. A fachada N. do corpo central é rasgada por portal em arco de volta inteira e inscrito numa larga moldura rectilínea, acompanhando o plano do jorramento dos paramentos, com bandeira revestida a cantaria, que inclui lápide inscrita referente à construção, encimada pelas armas reais. Esta fachada possui nos cunhais duas guaritas de base quadrada, assentes em mísulas triangulares simples e com cobertura piramidal. INTERIOR: o portal dá acesso a pequeno pátio de entrada, flanqueado por armazéns de pólvora e corpos da guarda, dotados cada um de uma pequena janela quadrada e chaminé, compartimentos abobadados a que correspondem quatro portas de lintel reto e bandeira vazada. A partir do pátio existe lanço de escada central para acesso à ampla bateria alta, lajeada e com parapeito liso a E. e a O. Desta bateria acede-se ainda por lanço de escadas em cada um dos lados às baterias superiores do lado N., sobre os compartimentos, cujo parapeito tem duas canhoneiras, uma para N., outra para E. e outra em correspondência para S.
Materiais
Alvenaria rebocada, cantaria calcária, tijolo e argamassa de cimento.
Observações