Edifício residencial multifamiliar e comercial pombalino, reedificado em estilo ecléctico e modernista. Edificação residencial pombalina, de volumetria compacta, perfurada por saguões, com 5 pisos (um deles ao nível da cobertura), e piso térreo integralmente ocupado por estabelecimentos comerciais com fachadas decoradas ao gosto ecléctico, com excepção para a Livraria, já de linhas modernistas. Apresenta alçados dominados pela regularidade - quer no que respeita à abertura de vãos quer no tratamento dos mesmos. Fachada principal com 1º e 2º andares iguais, marcados pela presença de janelas de sacada com varandins em toda a extensão murária que, dado o seu comprimento, asseguram a dinamização da respectiva fachada. Apesar da discrição que caracteriza o tratamento dos respectivos alçados, o edifício destaca-se da malha urbana onde se insere pela grande extensão do alçado principal, que integra, ao nível do piso térreo, um notável conjunto de estabelecimentos comerciais, alguns deles abertos ao público no final do século 19. A Livraria Sá da Costa apresenta uma das poucas montras feitas no Chiado ao gosto modernista. Estes estabelecimentos constituem memória residual da vivência do Chiado, têm todos eles actividade dentro da exploração comercial inicial, bem como mantêm a decoração exterior e interior, pesem algumas modificações.
Edifício de planta quadrangular, perfurada ao centro por dois saguões de planta rectangular, com disposição horizontal de volumes e cobertura em telhado de duas e quatro águas. Devido ao desnível do terreno, a fachada principal (S.) é composta por cinco pisos (um deles ao nível da cobertura), além da metade E., beneficiada de sobrelojas, enquanto a fachada posterior se compõe de três pavimentos. A composição do edifício obedece à sua ocupação: piso térreo integralmente ocupado por lojas (CAFÉ "A BRASILEIRA DO CHIADO", LOJA DAVID & DAVID, PASTELARIA BÉNARD e LIVRARIA SÁ DA COSTA), tendo todas decorações diferenciadas, de acordo com o gosto da época em que foram remodeladas; os restantes pisos servem de instalação ao HOTEL BORGES, com acesso pelo piso térreo - rasgado a eixo na frontaria -, mantendo-se nos alçados o risco primitivo. O imóvel caracteriza-se por uma ampla fachada principal, apresentando, acima do piso térreo, cunhal em cantaria no ângulo E. e panos de muro em reboco pintado animados pela abertura de vãos de verga recta com emolduramento simples de cantaria, a ritmo regular: nos dois primeiros pisos, 12 janelas de sacada - individualmente servidas por varandins de base em cantaria e guarda metálica em ferro fundido - e no último andar, 12 janelas de peito. A fachada posterior, à face de uma rua a cota superior, tem 3 pisos, também eles rasgados por 12 vãos em cada um: o piso térreo é marcado pela alternância de vãos de verga curva com vãos de verga recta, e os pisos superiores - separados por friso de cantaria - por janelas de peito. O edifício é rematado por cornija continuada, acima da qual se eleva platibanda em balaustrada ritmada por plintos *2. CAFÉ "A BRASILEIRA" - Planta rectangular, de dois pisos, incluindo cave. Antecede a frontaria troço de calçada portuguesa com a designação do estabelecimento e respectivo número de polícia. Fachada estreita, em cantaria, com com um único vão, cuja decoração assenta na diferenciação textural e policromática dos seus elementos: um arco de volta inteira, assente em base pronunciada e vazado nas cantoneiras, onde se encontram duas esculturas debruçadas sobre o extradorso do arco; dois pilares de secção quadrada dividem o vão, criando três portas envidraçadas, seguida de bandeira, envidraçada e gradeada; na superfície entre a bandeira e o intradorso do arco observa-se decoração relevada, tendo por motivo central uma figura masculina tomando café, envolvida por motivos vegetalistas e encimada pela designação do estabelecimento; as caixilharias destacam-se pelo seu desenho curvilíneo. INTERIOR - sala estreita e comprida, com pavimento em mosaicos de mármore de cores alternadas (branco e preto), tecto com estuques ornamentais e panos ritmados, a espaços regulares, por duplas pilastras em mármore negro com capitéis decorados, encimadas, na sanca, por ornatos de estuque (concha central, envolta por volutas e elementos vegetalistas); nas paredes laterais, lambril de madeira à altura da base das pilastras, seguido de painéis espelhados rematados por destacado entablamento de madeira; entre os painéis e a sanca, enquadradas lateralmente pelas pilastras, estão expostas telas da autoria de pintores contemporâneos portugueses; as paredes de topo incluem também, a todo o comprimento, uma tela, apresentando a do fundo, sobre os painéis espelhados, um relógio ao centro, ladeado por 2 frontões triangulares com decoração vegetalista. A zona de serviço ao balcão situa-se à direita, ao longo de toda a parede E.; à esquerda, depois da escada que, em 2 lanços rectos conduz à cozinha instalada na cave, segue-se a zona de mesas - de tampos rectangulares em mármore branco sobre estrutura curvilínea de ferro fundido. LOJA DAVID & DAVID - Planta rectangular. Fachada principal definida por uma superfície de cantaria até à altura do primeiro piso do Hotel, sobre a qual se rasgam três vãos em arco de asa de cesto, distribuídos por duas portas laterais, em caixilharia de madeira envidraçada, e pela montra, ao centro, de maiores dimensões. Ladeiam a montra duas placas com a identificação do estabelecimento, encimadas por elementos decorativos em pedra, de temática naturalista. Acompanhando a curva da bandeira das portas, observa-se decoração em pedra de motivos florais. INTERIOR - Pavimento de soalho e tectos com estuques ornamentais para um espaço dividido em duas zonas distintas. Na primeira, expositores de madeira em estilo neoclássico (corpo fechado com gavetas, aberto por prateleiras em cima), a toda a altura, encostados às paredes, balcões (uns acompanhando a disposição dos expositores, outros centrados no espaço), igualmente em madeira decorados com motivos vegetalistas, e cinco vitrines de vidro com base em madeira e estrutura em latão (localizadas junto à porta de entrada e na traseira da montra); o tecto, em caixotões, apresenta decoração geométrica com motivos vegetalistas em estuque cor marfim e dourado; nesta zona sobressaem ainda três colunas (elementos estruturais) de ferro, pintadas a marfim e rematadas por capitel decorado. Segue-se, ao fundo, uma segunda zona constituída por duas salas com comunicação directa entre os três espaços da loja, com a da esquerda a fazer ligação com o escritório, revestidas por móveis idênticos aos descritos. PASTELARIA BÉNARD - Planta trapezoidal, de dois pisos, incluindo sobreloja. Fachada principal com demarcação dos pisos, assinalada por moldura saliente apoiada em mísulas. Piso térreo revestido a cantaria, rasgado por três vãos rectos correspondentes, o central, à porta envidraçada de acesso à pastelaria, demarcada verticalmente por duas colunas adossadas e encimada por elementos decorativos em pedra, e os laterais, a duas montras com emolduramento simples de cantaria; por cima correm duas janelas, abertas no pano de reboco comum a todo o edifício. INTERIOR - Diferenciação funcional de espaços. O primeiro, que funciona como pastelaria, tem zona de serviço ao balcão à esquerda, enquanto a parede oposta é ocupada por um armário de portas, encimado alternadamente por espelhos e expositores, seguindo-se a zona de mesas; pavimento em pedra, tecto com ornamentos de estuque e lambril de madeira nas paredes. Ao fundo situa-se o segundo espaço, com acesso por uma porta envidraçada à esquerda, constituído por: zona de recepção, onde se situa uma escada em caracol de acesso à sobreloja (escritório), seguida pela sala de jantar e instalações sanitárias, separadas por construção de madeira e vidro. O tecto da zona de recepção é em estuque simples e o da zona das mesas em abóbada de aresta. O pavimento revestido a tijoleira, as paredes apresentam lambril de madeira e o mobiliário é em madeira de linhas sóbrias. Este segundo espaço conta com um piano e um bar de estrutura em madeira. LIVRARIA SÁ DA COSTA - Planta rectangular, de dois pisos, incluindo a sobreloja. A decoração exterior da livraria abrange dois alçados (principal e lateral). A composição da frontaria (S.) é enquadrada pelo revestimento do cunhal e por um friso superior saliente que corre junto às sacadas do 1º piso do hotel. Piso térreo aberto por três vãos de moldura recta, correspondentes a uma porta central, coroada por frontão e tendo no tímpano um livro aberto em baixo relevo. Esta porta dá acesso a pequeno átrio, a anteceder uma porta interior. Lateralmente, duas montras à face da fachada com emolduramento simples em mármore preto, encimadas pelas designações "livros estrangeiros" e "livros nacionais". No piso superior, fenestração contínua tripartida, figurando entre as janelas e as montras, a todo o comprimento da fachada, o nome do estabelecimento com o número de polícia.
Materiais
Alvenaria mista, reboco pintado, cantaria de calcário, mosaico de mármore, estuque pintado, ferro forjado e fundido, bronze, vidro, madeira
Observações
*1 DOF: Edifício na Rua Garrett, onde se encontra instalado o café A Brasileira, também denominado «Brasileira do Chiado», incluindo o próprio café e o troço de calçada fronteiro à porta em que se lê o nome do estabelecimento e os números de polícia.