Arquitectura religiosa, românica - gótica. Igreja românica de estrutura muito simples com nave e capela-mor quadrangulares e cobertura de madeira. O portal axial apresenta já uma organização gótica, embora as arquivoltas sejam de meio ponto, e as bases têm também recorte gótico. Os capitéis, cachorradas e o arco cruzeiro apresentam solução tardia. Igreja de duplo eixo e formas irregulares. As paredes interiores conservam algumas pinturas a fresco dos séc. 15 / 16 e dois retábulos de talha policroma de estilo rococó.
Planta composta por nave longitudinal e capela-mor quadrangular com sacristia adossada a N. Volumes articulados com coberturas diferenciadas em telhados de 2 águas. Empenas sobrepujadas por cruz. Fachada principal orientada a E. - O., com um pórtico, de volta inteira, de duas arquivoltas ornamentadas, assentes em impostas sobre dois pares de colunas com capitéis de decoração vegetalista, antropomórfica e zoomórfica. Na parede N., a nave possui uma fresta, e a S. uma porta estreita, com arco em volta perfeita, assente em impostas e duas frestas. A capela-mor apresenta duas frestas laterais e no topo uma fresta que exteriormente tem um arco de volta quebrada, com ornamentações de bolas, assente sobre duas colunas com capitéis, um decorado com folhagens e o outro com motivo zoomórfico, apresentando na base da janela um ornato enxaquetado. Toda a igreja e a sacristia é percorrida por cachorrada com representações faciais humanas, animais, rolos e bolas. No INTERIOR, as paredes da nave e capela-mor estavam integralmente revestidas de pinturas murais, com representações do Novo Testamento e do Agiólogo. Conservam-se as existentes na parede N., alusivas a Nossa Senhora e os Apóstolos, a São Cristóvão, e à Ceia e à Degolação dos Inocentes, enquanto as da parede S. se reportam a uma composição com figuras de santos, ao Baptismo de Cristo, a uma figura de Bispo, à Paixão de Cristo, Descimento da Cruz, Deposição no Túmulo e à Ressurreição. Junto à porta principal, conserva-se a pia baptismal, toda decorada com rosetas e no topo da nave, dois retábulos colaterais confrontantes, em talha policroma. Arco triunfal de volta perfeita moldurada, com a arquivolta exterior decorada com bosantes, encimado por uma cartela com a inscrição indicativa das obras realizadas em 1767. Na capela-mor as pinturas representavam a Anunciação, São Francisco de Assis e São Jerónimo.
Materiais
Construção em granito unido por argamassa, com cobertura de madeira telhada.
Observações
Os frescos, afectados pela humidade e pela fumigação das velas, foram restaurados pelo Instituto José de Figueiredo e estão depositados 3 exemplares no mesmo Instituto, 3 no Museu Nacional Soares dos Reis, do Porto, e 2 no Museu Regional Alberto Sampaio, em Guimarães. No início do séc. 20, o frontispício terminava em empena truncada por dupla sineira de arco pleno e rematada também em empena; possuia sobre o portal friso de apoio a um antigo alpendre e tinha adossado à fachada e da altura da mesma um alpendre, de construção seiscentista ou setecentista, aberto nas três faces por arco pleno. As obras de restauro realizadas, pela DGEMN nos anos 30, ao removerem a sineira e rematarem a fachada por empena simples adulteraram pois a sua tipologia. Aquando do restauro foram removidas para o exterior 4 lápides sepulcrais.