Antigo moinho de Maré posteriomente ampliando a unidade de moagem industrial, com decoração Arte Nova. As diferentes utilizações foram alterando o seu perfil original, culminando na estrutura actual, onde as referências neoclássicas e Arte Nova são visíveis nas modinaturas e frontões de remate. O enquadramento e o sistema estrutural, arcos sobre estacas, fazem deste imóvel um dos mais importantes da cidade.
Planta rectangular, massa simples e cobertura em telhado de 4 águas. Assenta sobre arcos, que entram dentro das águas da Ria. Varandas em arco abatido num varandim corrido, em serralharia artística com motivos florais. O segundo piso possuiu janelas e somente uma varanda em arco abatido, com os varandins em serralharia igual a de baixo. O remate do edifício é feito por modilhões, e ao centro um triângulo com dois arranques de voluta. A fachada lateral esquerda está voltado para a rua principal, cujo lado direito tem uma janela no primeiro piso com um frontão a rematar a parte superior. A porta de entrada está ornamentada, nos postigos e na bandeira, com gradeamento de temática floral. A mesma porta está encimada por um pequenos painel em azulejo azul e amarelo com data da última intervenção realizada - 1918. O piso seguinte possui à direita uma janela em arco abatido e remate com modilhões, arranque de voluta e grinalda de flores em azulejo. O lado esquerdo é mais alto e destaca-se do outro por formar um torreão rematado em volta por modilhões. A janela do torreão, em arco abatido, está ornamentada por um painel de azulejos onde predomina a temática marítima. Um portão, mais à esquerda, decorado com gradeamento de temática Arte Nova , dá acesso à fachada posterior. A fachada lateral direita, apenas possui uma porta e um simples varandim em metal de acesso à Ria onde está implantada. Na fachada posterior, as janelas estão voltadas para a entrada. Actualmente, apenas existem as paredes exteriores, tendo sido integralmente demolido o interior.
Materiais
Calcário, azulejo (painéis), ferro (varandins e serralharia das portas)
Observações
*1- "Os seu parentes, anteriores proprietários, haviam permitido que a caldeira se entulhasse, que o telhado da casa da azenha ruísse e ficassem apenas as paredes de pé. O edifício era de um só piso, com as janelas viradas para Oeste, e assentava em arcos por onde passava a água que fazia mover as pás."; *2 - Joaquim José de Oliveira "manterá as pequenas abobadas formando vãos em arco, onde as rodas activavam as mós colocadas no amplo salão interior do edifício. Por erro de cálculo nas dimensões da caldeira ou pelo estado de assoreamento em que se encontravam os braços da ria, originado pelo mau estado da barra, o moinho não produziria o resultado esperado e foi abandonado."; *3 - Para realojar a escola em habitação condigna, Silva Rocha transformou o velho casarão num belo edifício, aumentando-lhe um piso e dando-lhe um ar apalaçado, sem contudo, destruir os arcos do moinho de maré. O resultado foi um harmonioso conjunto de características arte-nova. A inauguração fez-se com pompa e circunstância no dia 3 de Novembro de 1903."; *4 - "Durante as obras foi possível observar no interior as zonas da construção primitiva e as sucessivas alterações introduzidas, nomeadamente as duas portas intercaladas por uma janela em cada uma das fachadas laterais do edifício bem como a lareira onde os trabalhadores aqueciam as suas marmitas, uma vez que, sujeitos aos horários das marés, eram obrigados a longas permanências no moinho. Também foram observadas, junto às janelas da fachada poente (a da Ria), sobre a arcaria, a parte superior das abóbadas de pedra que albergavam os rodízios, cobertas que estiveram, durante décadas, por um piso de enchimento de tijolos e cimento. Eram também visíveis, nesta fase da obra, os orifícios por onde passava o freio que ligava as rodas das mós. Todo o edifício correspondente à primitiva área do moinho apresenta ainda, sob uma placa de material de enchimento, o lajeado em pedra em excelente estado de conservação." ( http://moinhosdeportugal.no.sapo.pt).