Estação Central, ferroviária, de grandes dimensões, para onde afluíam todas as vias férreas nacionais e internacionais. Construída a partir de finais do século 19 de acordo com o projeto de José Luís Monteiro, apresenta-se segundo um modelo revivalista neomanuelino e de arquitetura de ferro, segue os cânones das grandes estações europeias, com uma zona de plataforma, coberta por ampla pala em ferro, sustentada por uma estrutura de colunas, com decoração neogótica, seguindo o modelo da Estação de Saint-Lazare, em Paris, possuindo o interior simples e as fachadas com decoração neomanuelina, onde se introduziu o esquema erudito de um "mezanino". No interior, possuía os elementos mais modernos, como dois ascensores para o público, inicialmente com sistema hidráulico, substituído posteriormente por elétricos; tinha, ainda, uma zona de bilheteira, Alfândega e Guarda Fiscal, demonstrando o seu carácter internacional, sala de espera e os gabinetes para os funcionários, os quais usufruíam de uma série de espaços, como instalações sanitárias, cozinhas e quartos, bem como uma zona VIP, destinada aos monarcas e, posteriormente, aos chefes de Estado. No declive, surgiam várias habitações destinadas aos trabalhadores, constituindo um pequeno bairro ferroviária, que, maioritariamente, terão desaparecido. Edifício que veio fechar o "boulevard" português, fazendo parelha com o Hotel Avenida Palace, com o qual tinha ligação física, facilitando o acesso aos turistas que visitavam o país, adaptando-se a um espaço bastante limitado e com forte desnível do terreno, inteligentemente solucionado pelo esquema de plataformas definido pelo arquitecto José Luís Monteiro. O interior, de cariz moderno, recorrendo à arquitetura do ferro, para permitir a construção de uma ampla nave que cobrisse as plataformas, seguindo um esquema decorativo revivalista neogótico, contrasta com o aspeto neomanuelino da fachada, bastante contestado na época, e povoado por elementos de cariz nacionalista, como a figura de D. Sebastião. Apesar das sucessivas remodelações que a estação sofreu, com a introdução de um centro comercial, da construção das vias de ligação à estação do metropolitano e, mais recentemente, a modernização do espaço de acesso, a estação não perdeu a sua estrutura inicial, delineada no séc. 19. No interior da mesma, existia uma série de equipamentos de apoio e de manutenção das carruagens, que, com a saturação do volume de tráfego da mesma, veio a estar na origem do nascimento da Estação de Campolide, para onde foram transferidas todas as oficinas de manutenção. No séc. 20, surgiram várias campanhas de embelezamento das plataformas, com a introdução de tondos cerâmicos e painéis de azulejo.
Edifício de planta poligonal irregular, evoluindo em dois e três pisos, adaptando-se ao forte declive do terreno, articulando uma larga nave na sua cota alta, onde se situa a gare com os seus cais, à saída do túnel ferroviário, com o edifício dos restantes serviços administrativos e de apoio aos passageiros, com coberturas diferenciadas em telhados de quatro águas. Fachadas em cantaria de calcário aparente, em aparelho isódomo. A fachada principal, virada a este, é simétrica, evoluindo em dois pisos, os dois inferiores separados por friso de rosetões, encimado por um segundo friso cordiforme, dividido em três amplos planos separados por contrafortes escalonados e facetados, que rematam, ao nível do terceiro piso, em pináculos apontados. É coroada por platibanda rendilhada, entrecortada por oito pináculos facetados, rematados em cone; ao centro, possui um elemento de cantaria, ladeado por aletas vazadas e volutadas, flanqueado por pilares e rematado por platibandas, onde se inscreve um relógio circular, envolvido por uma moldura em canopo e possuindo falso varandim rendilhado. No primeiro piso, ao centro, surgem dois arcos de ferradura, constituindo o principal acesso ao vestíbulo do piso inferior, que se interceptam, ostentando uma peanha, onde figurava a escultura de D. Sebastião; ambos apresentam molduras com decoração vegetalista e uma inscrição, surgindo, no da esquerda "ESTAÇÃO" e no da direita "CENTRAL". Cada um dos panos laterais é rasgado por três portas em arco apontado com quatro arquivoltas, a exterior toreada e assente em colunas de fuste liso, com anéis fitomórficos e capitel de colchete, duas delas com colunelos em espira e uma côncava, onde surgem rosetões. O segundo piso apresenta três janelas de varandim em arco de volta perfeita, em cada um dos panos, divididas por pilares facetados, rematados por pináculos rendilhados, e assentes em colunas semelhantes às do piso inferior; o varandim ostenta decoração entrelaçada e vazada. As janelas centrais encontram-se envolvidas por arco em asa de cesto, flanqueado por pilaretes, rematados por agulhas, surgindo, nos seguintes, dois medalhões, a representar as figuras de Stephenson, o inventor dos caminhos-de-ferro, e de Fontes Pereira de Melo, que os introduziu em Portugal. No piso superior, nove janelas de peitoril com perfil retilíneo, rematadas por elemento polilobado e arco canopial; sobre a central, um medalhão a representar a figura de D. Luís I. Todos os vãos possuem caixilharia metálica pintada de vermelho e vidros simples. Fachada lateral esquerda, virada a sul, de perfil bastante irregular e facetado, possuindo, no extremo direito, um pano com tratamento semelhante ao da fachada principal, com remate em platibanda rendilhada e possuindo, no piso inferior, duas janelas e duas portas em arco apontado, com modinaturas semelhantes às da fachada principal, as últimas divididas por mainel e envolvidas por moldura em arco em asa de cesto, surgindo, na seguinte, um medalhão vazio; os superiores com quatro janelas de varandim, envolvidas por moldura de volta perfeita, com canopo e elemento em cogulho, flanqueadas, superiormente, por pilaretes facetados e rematados por pináculos rendilhados; no piso superior, surgem quatro janelas de peitoril, rematadas por elemento polilobado e canopo. Este esquema repete-se na face visível da fachada lateral direita, parcialmente adossada. O restante pano apresenta remate em platibanda plena, rasgado superiormente por seis janelas semelhantes às anteriores, a que se sucedem cinco portas em arco ligeiramente apontado, de acesso ao vestíbulo superior. Estas encontram-se protegidas por enorme alpendre em ferro, pintado de vermelho, assente em quatro colunelos do mesmo material e com guarda vazada. Sob este, um pano de fachada, ao nível do segundo piso, dividido por quatro pilastras, rasgado por porta em arco de volta perfeita, assente em impostas salientes, ladeado por duas janelas geminadas em arco de volta perfeita e, no lado direito, uma janela de peitoril semelhante. Adossado à fachada, um ressalto facetado, de um e dois pisos, adaptando-se ao desnível do terreno, rasgado, inferiormente, por portas em asa de cesto e, superiormente, por janelas em arcos de volta perfeita, sublinhados por uma moldura superior toreada, assente em mísulas. Sobre a fachada, é visível a empena da plataforma da estação, rasgada por três vãos, o central em arco apontado, flanqueado por arcos de volta perfeita e sublinhado por amplo friso de cantaria, abatido e ligeiramente apontado. Fachada posterior adossada a muro de suporte. INTERIOR: composto por amplo vestíbulo no piso inferior, com as paredes rebocadas e pintadas de branco, percorridas por alto lambril de cantaria, com pavimento em lajeado e cobertura em tecto falso, onde se inscreve o sistema de iluminação. É seccionado em duas naves por oito pilares de cantaria. Na parede fronteira à entrada, vários vãos envidraçados, os superiores tapados por elementos metálicos curvos. No lado esquerdo, as escadas de cantaria e escadas rolantes de acesso ao piso superior, bem como um elevador. Estes vão desembocar no vestíbulo superior, amplo e com cobertura metálica, a quatro águas, onde surge uma sala de apoio aos passageiros, as bilheteiras, inseridas num vão retilíneo, encimado por pintura contemporânea. O espaço do vestíbulo encontra-se seccionado por vários passadiços transversais, que permitem circular sobre as escadas. A partir deste, sete portas dão acesso às plataformas da estação, compondo uma grande nave com cerca de 130 metros de comprimento e 21 metros de altura, ladeadas por uma porta de acesso à zona de serviços e pelas instalações sanitárias. As plataformas, em número de cinco, pavimentadas a calçada à portuguesa, com desenhos geométricos, servem nove linhas-férreas. Este espaço encontra-se parcialmente coberto com estrutura em ferro, correspondendo à primitiva estação, formando uma ampla nave, de duas águas, assentes em colunelos de ferro, estriados e com os fustes marcados por anéis, com capitéis coríntios, de onde evoluem feixes que suportam a estrutura. Nos topos, surgem três vãos, refletindo a estrutura interna. A cobertura foi prolongada, acompanhando o crescimento das plataformas, fechando todo o espaço até à entrada no túnel, surgindo um tipo de cobertura dinâmico, composto por duas plataformas planas, que centram uma zona de tramos semicilíndricos, descrevendo uma contracurva, que acompanha a sinuosidade das linhas, possuindo nas suas junções chapas translúcidas, que permitem a iluminação e, no caso das chapas que sugem lateralmente, a ventilação do espaço interno; a estrutura, interiormente, deixa antever forma exterior, com uma zona côncava central, estando apoiada em colunas cilíndricas, revestidas a cantaria. No lado esquerdo, junto à entrada do túnel, surge a antiga torre do chefe da estação, rebocada e pintada de branco, de dois pisos rasgados por vãos retilíneos, o inferior correspondendo a quatro portas de dimensões distintas e duas janelas, surgindo, no superior, duas janelas, uma delas amplas, acompanhando o ressalto que a fachada pronuncia no lado direito, criando uma zona de controlo e de grande visibilidade. A partir das plataformas, acede-se através de escadas ou escadas rolantes a um terceiro vestíbulo, situado a norte, que permite a ligação à estação do Metropolitano. Este espaço é amplo, totalmente revestido a cantaria, com coberturas planas, sustentadas por colunas cilíndricas e pilares, possuindo, na parede junto ao patamar inferior enorme painel azulejar, representando a figura de Ulisses.
Materiais
Estrutura em alvenaria de tijolo e alvenaria argamassada, revestida a placas de cantaria; fachada em cantaria de calcário liós; estrutura da plataforma em ferro e, na zona mais recente, em metal, com respiradouros e poços de luz em vidro; portas em ferro forjado e madeira; janelas com vidro simples.
Observações
*1 - Zona Especial de Proteção Conjunta da Avenida da Liberdade e imóveis classificados na área envolvente.