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Teatro Bernardim Ribeiro

Teatro Bernardim Ribeiro

O ponto de interesse Teatro Bernardim Ribeiro encontra-se localizado na freguesia de União das freguesias de Estremoz (Santa Maria e Santo André) no municipio de Estremoz e no distrito de Évora.

Teatro característico da arquitectura de raiz eclética e historicista de inícios deste século, constituindo basicamente por uma «caixa» dividida internamente, denotando algumas influências Arte Nova, particularmente ao nível dos elementos decorativos e revestimentos. Apesar da escala relativamente modesta, o teatro satisfaz as necessidades de carácter cénico e lúdico para que foi concebido, constituindo um interessante exemplar da arquitectura eclética e tardo romântica vigente em inícios deste século.

Edifício de planta rectangular irregular, formando uma massa imponente que se destaca na envolvente; distribui-se em três pisos, visíveis exteriormente através de três registos marcados por frisos em estuque; possui cobertura de duas pendentes alteada na parte correspondente ao palco; a fachada principal, virada a S, é constituída por uma área de entrada avançada (formando interiormente uma zona de distribuição), vão de entrada com três portadas, acessível por três degraus em mármore e sobreposto por uma grande janela de sacada, por sua vez encimada por florões e outros elementos decorativos em estuque; cimalha arredondada, com friso inferior interrompido, em massa, e motivos de grinaldas, festões e máscaras enquadrando o escudo da cidade; ainda na frontaria, nos alçados mais recuados destacam-se as janelas de sacada geminadas, dispostas simetricamente ao lado do corpo avançado, e os pequenos óculos do piso superior, também ornamentados com florões em estuque; um corpo mais tardio, de planta rectangular, foi acrescentado ao alçado O, conhecido como Jardim de Inverno, e destinado a sala de exposições e recepções; os alçados laterais e tardoz não possuem características dignas de nota; interiormente, a sala de espectáculos tem a forma de uma ferradura, com dois balcões, plateia, camarotes e frisos e comporta oitocentos lugares sentados; é antecedida por corpo de sala com átrio, foyer do balcão, bastidores e camarins; o tecto é inteiramente preenchido por uma pintura em tela representando o Triunfo e os camarotes são divididos por painéis de pintura a óleo com representações de artistas e dramaturgos contemporâneos; as divisórias entre plateia, balcão, frisas e camarotes são decoradas com motivos em estuque dourado e pintado, salientando-se os florões, grinaldas e máscaras teatrais.

Materiais

Alvenaria mista de pedra e tijolo rebocada e pintada, cunhais em cantaria de granito; coberturas em travejamento de madeira; proscénio e estrutura de palco em madeira; molduras de vãos e portadas em madeira pintada; escadaria de acesso, alisares de vãos e rodapés exteriores em mármore; coberturas exteriores em telha de canal e cobrideira; pavimentos em soalho encerado; divisórias internas forradas a mármore e madeira; corrimões interiores da parte nova em aço inox; tecto da sala de espectáculos revestido por telas pintadas; estuques nos pormenores decorativos interiores e exteriores; varandas exteriores em ferro pintado.

Observações

*1- Em 1936 o pintor/decorador Benvindo Ceia (de Portalegre) colaborou na decoração do Teatro Politeama, em Lisboa, entre outros edifícios públicos; foi presidente da direcção da Sociedade Nacional de Belas-Artes; *2 - os autores do projecto foram os arquitectos Duarte Nuno Simões e Nuno Simões, cabendo a execução à equipa Projectoplano; optou-se por adoptar uma linguagem claramente contemporânea, suficientemente demarcada da existente e pela adaptação às necessidades funcionais dos espectáculos e actividades actuais, incluindo sala de conferências, equipamento audio-visual, etc.; saliente-se que as obras de remodelação optaram pela adopção de novos esquemas cromáticos para o exterior do edifício: vermelho sangue-de-boi para portadas e caixilharias em vez do anterior verde escuro; destacaram-se os motivos decorativos exteriores em estuque através do uso de cores; foram, na sua maioria, substituídos aquando das obras mais recentes.