Igrela paroquial maneirista, do tipo igreja salão integrável no grupo das igrejas inspiradas nas hallenkirchens alemãs. Exemplo de um tipo de igrejas alentejanas construídas por influência do Cardeal D. Henrique sob provável desenho de Miguel de Arruda, com paralelos em Santa Maria de Estremoz (v. PT040704030022), Santo Antão de Évora (v. PT040705050057), Nossa Senhora da Lagoa de Monsaraz (v. PT0407110003). Planta rectangular de três naves, capelas laterais, capela-mor, colunas toscanas que suportam a abóbada nervurada, cuja tipologia é própria do estilo chão. O equilíbrio dos volumes e materiais. Simplicidade e austeridade da arquitectura. Grande destaque físico do edifício muito marcante no conjunto urbano.
Planta retangular, composta pelo corpo de três naves, capela-mor e sacristia. Volumes escalonados com cobertura diferenciada em telhado de duas águas nas naves e capela-mor e telhado de uma água na sacristia e anexos. Fachada principal a E., divide-se em três tramos marcados por pilastras que assinalam a divisão das naves e entre as quais se rasgam, nos panos laterais, janelas rectilíneas gradeadas, de profundos enxalços. Portal axial adintelado com verga direita e decorações de pontas de diamante nas jambas e no lintel. Sobre o portal uma grande luneta emoldurada e gradeada. Encima este conjunto a empena, de enrolamento com vieiras, palmetas e fogaréus estilizados, centrada pela cruz de São Bento de Avis; a S. a torre com cúpula bolbosa, e quatro olhais com três sinos. Os alçados laterais têm contrafortes apilastrados entre os quais se rasgam frestas rectilíneas gradeadas para iluminação interior. No alçado posterior formado pelos volumes da capela-mor e da sacristia apenas se registam três óculos gradeados. Interior: espaço diferenciado, planta rectangular composta de coro, três naves com três tramos e cabeceira com capela-mor e duas capelas colaterais. Tecto em abóbada à mesma altura nervurada de arestas vivas fechada por bocetas cilíndricas com as cruzes da ordem de São Bento e de Avis, na nave central e com florões simples nas laterais. A abóbada assenta em colunas com capitéis decorados por acantos e anjos que configuram os três tramos das três naves. O coro distribui-se por três arcadas redondas com tecto em abóbada nervurada. Vão central descoberto defendido por balaustrada e dois grandes balcões adintelados nos corpos laterais. Baptistério de secção redonda, assente em peanha piriforme, atarracada. Púlpito no fuste central do lado do Evangelho, de forma coleante, com corrimão de volutas com enrolamento e balaústres cilíndricos. Cabeceira formada por três capelas. A capela-mor, de planta quadrangular, separada da nave central por um arco de volta perfeita, de secção rectangular e tecto em abóbada de meio canhão, é antecedida de seis degraus e constituída por um enorme retábulo de talha dourada, de quatro fustes salomónicos e de capitéis compósitos, axialmente composto por grande tabela dourada, com representações de anjos e do Espírito Santo. As capelas colaterais, dedicadas a Nossa Senhora do Rosário, do lado do Evangelho, e a Santo António do lado da Epístola, estão decoradas por colunas compósitas com duplos frontões que encimam o nicho pouco profundo. As naves laterais possuem quatro capelas rasgadas nas fachadas, de arco redondo, apilastradas e dedicadas respectivamente ao Senhor Crucificado, a Santa Ana, do lado da Epístola a contar da cabeceira, São Brás e às Almas, do lado do Evangelho. No lado da Epístola, situada no sub-coro encontra-se a Capela de São João Baptista *2.
Materiais
Alvenarias mistas de pedra e tijolo, rebocadas e caiadas, telha de canudo nas coberturas, mármore nos pavimentos e cantarias, madeira nas caixilharias, pavimento e altares de talha.
Observações