Espaço verde de produção agrícola / Espaço verde de recreio. Quinta de Receio. Instalação de olival e vinha *2. Horto em que se destaca um pequeno jardim de gosto vitoriano, junto do caramanchão. Coabitam plantas ornamentais, horticolas e frutíferas, sendo as últimas utilizadas essencialmente pelo carácter lúdico. Casa de fresco e tanque de Neptuno ao estilo Barroco.
Limitada na entrada por muro recortado por quatro janelas que fazem ligação com os campos vinhateiros e extensos olivais. Portal de entrada na quinta enquadrado por duas estátuas de mármore branco sobre altos pedestrais, que simbolizam a Abundância e Magnanimidade ou a Fortaleza e Justiça, indício da dimensão do terreiro de entrada. O terreiro, plano, juntamente com igual extensão de relvado quadripartido, forma praça envolvida em ambos os lados a partir do muro de entrada, edifícios do assento de lavoura, com paredes forradas por rosas de Santa Teresinha. Mais adiante, do lado esquerdo encontra-se edifício apalaçado, com capela, e canteiros preenchidos com cana-da-índia (Canna Índica), de cor de fogo. A completar o quadro do terreiro, avista-se ao fundo cenário verde com diferentes tons e volumetrias dados pelo arvoredo do jardim, atrás do muro, onde portal de mármore branco e brasão de D.Maria, apoiado por tenentes romanos, é ladeado por glicínias. O portal é de mármore branco, próprio da zona, esculpido em colunas toscanas e nichos decorados com vasos. Com linguagem semelhante ao muro de entrada, também este possui seis fenestrações para o pátio com cantarias em mármore e a particularidade de no lado interior serem adornadas com namoradeiras em alvenaria caiada. Ao entrar através da porta de madeira em ripas verdes escuras inicia-se percurso de arbusto de alfazema. O jardim, contruído na primeira metade do séc.18, de planta quadrada e sem relevo, é estruturado por um eixo principal que segue a orientação norte das entradas e por três eixos perpendiculares, formando ao todo oito talhões. Confina com o topo N. do terreiro de lavoura do solar. A intersecção do eixo principal com o eixo transversal do meio é marcada por pequena taça de água cercada por caramachão em ripas, criando espaço de frescura. A ligar estes passeios existe caminho que acompanha os muros do jardim e que revela, no limite nascente do eixo transversal do meio, um pequeno lago, com cascata em estilo grotto, com imagens de tritões e golfinhos e uma estátua central de um "putto". Os três passeios transversais são marcados por espécies diferentes: uma alameda de palmeiras (Phoenix canariensis), uma sebe de grinaldas-de-noiva (Spiraea cantoniensis) e uma latada coberta com roseiras e videiras. O caminho que circunda o jardim é desenhado por sebes de bucho e pontuado por sebes de loureiros. Também os talhões são diversificados, e à medida que se segue o cheiro das alfazemas, à sombra da latada de roseiras no eixo principal, passa-se por pomares de citrinos, hortas e relvados pontuados por sobreiros, ciprestes e freixos. É de destacar a presença de árvores exóticas pouco comuns no Alentejo, Eritryna cristagalis (coraleira), introduzida no séc. 18 em Portugal, e de uma Langestroemia indica. No final deste percurso, o principal elemento do jardim, o Tanque de Neptuno. Neptuno esculpido em mármore branco surge no centro do tanque sobre uma nereida de monstros marinhos. Este elemento descentrado do eixo insere-se patamar acessível por duas escadas laterais com balaústres ornamentados, sendo o seu rebordo em alvenaria de caio, decorado com lunetas discóides. Casa de fresco remata o longo eixo iniciado no portal de entrada da propriedade. O sistema hidráulico constitui um sistema de rega eficaz que alimenta toda a vegetação do jardim, através de rede de caleiras ligadas a nora instalada na casa da água, no torreão adjacente ao tanque, o qual tem a particularidade de servir como miradouro na sua cobertura, com vista privilegiada sobre o jardim e toda a propriedade, da vinha ao olival. Actualmente, a água é proveniente de furo situado no terreiro, que alimenta sistemas de rega actuais.
Materiais
INERTES: Tijoleira e alvenaria (em redor do tanque de Neptuno), chetos rolados (entrada do jardim), madeira (portas em ripas na entrada do jardim), mármore branco, rosa e verde, calcário, ferro, alvenaria, tijoleira, madeira, cal, terra batida; VEGETAL: agapantos (Agapanthus africanus), alfazema (Lavandula officinalis), ameixoeira-dos-jardins (Prunus cerasifera), buxo (Buxus sempervirens), cana-da-índia (Canna Índica), palmeira (Phoenix canariensis), choupo-branco (Populus alba), cipreste (Cupressus sempervirens), escalonia (Escalonia rubra), hera (Hedera helix), hortênsia (Hydrangea macrophylla), lantana (Lantana camara, Lantana aurea), laranjeira (Citrus sinensis), limoeiro (Citrus limon), loureiro (Laurus nobilis), oliveira (Olea europea), romanzeira (Punica granatum), roseira brava (Rosa canina), rosa galica (Rosa gallica), rosa-de-damasco (Rosa damascena), videira (Vitis vinifera), jasmim (Jasminum officinale), evonio-dos-jardins (Euonymus japonicus), grinalda-de-noiva (Spiraea cantoniensis), couves-de-nossa-senhora (Bergenia crassifolia), hibisco (Hibiscus rosasinensis), sardinheira (Pellargonium sp), sobreiro (Quercus suber), freixo (Fraxinus angustifolia), coraleira (Eritryna cristagalis), Langestroemia (Langerstroemia indica);
Observações
*1 - visitável mediante contacto com o proprietário; *2 - Integrada na Rota Histórica da Rota dos Vinhos do Alentejo.