Arquitectura civil comercial, arte nova. Loja em arquitectura do ferro com referências Arte Nova e Rocaille nas formas aconcheadas e onduladas com volutas. Afinidades com a Ourivesaria Cunha e Casa Vicent. Constitui um dos raros exemplares da arquitectura comercial com referências Arte Nova (o busto da mulher na esquina) muito semelhante a outros dois casos de devantures na mesma R., a Ourivesaria Cunha e a Casa Vicent. Todas elas foram construídas pela Companhia Aliança. O trabalho em ferro fundido assemelha-se à arte de ourivesaria da prata lavrada e cinzelada.
Esta loja insere-se ao nível do r/c de um edifício de três pisos e um amansardado e prolonga-se para O. num outro edifício da R. 31 de Janeiro, de dois pisos. A fachada principal orientada a S. e E. é constituída pela associação de duas devantures em ferro fundido. A de gaveto é constituída por duas grandes montras para cada rua (2.58 m), definindo no cunhal um alpendre coberto, rematado na parte superior por elementos vegetalistas sobrepujados por frontão de volutas com um busto feminino ao centro. No prolongamento desta devanture e para a R. 31 de Janeiro uma outra formada por uma porta central de duas folhas, ladeada por duas montras. O entablamento é suportado por duas pilastras. A partir da entrada no gaveto chega-se ao designado Salão Luís XV (antigamente destinado a Exposição de Pratas), que estabelece ligação com o Salão Império (destinado outrora à Exposição de Jóias). A primeira Sala encontra-se decorada com o mobiliário original em nogueira dourado e a segunda com móveis em mogno decorado com elementos em bronze dourado e patinado e vidros em cristal. A vitrine principal deste Salão é encimada por uma águia e a base é constituída por dragões alados. Os dois Salões ainda apresentam os tectos com pinturas.
Materiais
Devanture em ferro fundido; Paredes interiores forradas a papel; Tectos em estuque trabalhados com pinturas; Pavimentos em soalho de madeira; Caixilhos interiores e rodapés em madeira pintada.
Observações
A Companhia Aliança, foi fundada no Porto em 1852 pelo Barão de Massarelos e de Gaspar da Cunha Lima. A R. 31 de Janeiro transformou-se numa importante artéria comercial no século passado. Aqui se instalaram alguns comerciantes estrangeiros como: Vicent, Delage, Buisson e etc. Actualmente este espaço comercial está dividido em dois sectores: o de pronto-a-vestir e de ourivesaria. O Salão Império já comunicou em tempos com uma outra sala designada por Salão Luís XVI, projecto do Arq.º José Teixeira Lopes. Existe ainda uma abertura em arco de ligação a esta sala, preenchida actualmente por um espelho. Este Salão foi ocupado por uma Discoteca.