Arquitectura de comunicações e transportes, romana. Ponte de arco com tabuleiro assente em três arcos de volta perfeita, as aduelas geometricamente iguais e regularidade do aparelho. Os talhamares foram colocados posteriormente, uma vez que apenas encostam aos pegões, tal como muitas outras pedras, e a parte superior sobre os arcos é mais recente. Os parapeitos, de construção bastante recente, foram colocados sensivelmente mais adentro em relação à largura do tabuleiro. É interessante a presença de 2 símbolos cristãos, de devoção popular, numa nítida tentativa de cristianizar a ponte, uma obra pagã. Na "alminha", o retábulo azulejar das Almas do Purgatório anichado é bastante curioso e, segundo Rosa José Araújo, só encontra paralelo, na zona da Ribeira Lima, com um outro da freguesia de São João da Ribeira.
Ponte lançada sobre rio com tabuleiro formando cavalete e extremidades rampeadas; assenta em 3 arcos de volta perfeita desiguais, sendo maior o central, com talhamares virados a montante e um olhal já debaixo da rampa de acesso do lado poente. Pavimento de paralelipípedos protegido por parapeito ou guardas que, a meio do lado montante, tem exteriormente cruzeiro, sobre peanha, de coluna jónica e cruz latina de braços rectangulares. Medidas (segundo Maria de Fátima da Silva Melo): 40,20 m. comp. x 3 m. larg. x 6,30 m. abertura do arco central x 4,70 m. altura do mesmo.
Materiais
Granito com aparelho "quadratum". Pavimento de paralelipípedos.
Observações
Considerada medieval por José Rosa Araújo que, contudo, reconhece a necessidade de um estudo mais profundo para confirmar a sua opinião, a ponte de Estorãos foi considerada romana por Maria de Fátima da Silva Melo, depois de efectuar um exame atento. De facto, esta parece ser a opinião mais correcta, não só devido ao enquadramento histórico, visto que por ela passa a via romana ou a chamada "estrada velha" mandada construir pelo Imperador Augusto, como também à análise material, onde notamos algumas características das pontes romanas.