Monumento megalítico com dólmen de apreciáveis dimensões, inserindo-se na tipologia do noroeste Peninsular dos dólmens de corredor e, dentro desta, no sub-grupo apontado por G. Leisner com câmara e corredor indiferenciados. Se esta indestinção é nítida ao nível da planta, ela já é mais problemática ao nível do alçado, dado o mau estado do corredor, pois atualmente o seu primeiro esteiro é nitidamente mais baixo do que a câmara, marcando assim uma rutura de volumes. Constitui o monumento megalítico maior, mais importante e mais bem conservado até agora encontrado no Vale de Âncora, zona rica nesta cultura. As suas dimensões fazem-no destacar do megalitismo do noroeste Peninsular, caracterizado pela modéstia de proporções dos dólmens. Excetuando-se a Anta de Santa Marta (Penafiel), o Dólmen da Barrosa é também aquele em que o corredor atinge maiores proporções.
Anta formada por câmara e corredor indistinto. A câmara, de planta poligonal tem 8 esteios, estando o da cabeceira partido, e a mesa (com superfície de 10,50 m2) que assenta sobre 3 deles. Corredor largo e desenvolvido com 6 m. x 1,46 m., segundo João Castro Nunes composto por 4 lajes, 2 de cada lado, estreitando ligeiramente para a entrada, virada a nascente, inflectindo para NE. Escavações de 1948 puseram a descoberto, entre outras, 1 laje que entrava profundamente na parede da anta entre o espaço do último esteio do corredor e o primeiro da câmara. A Anta da Barrosa já não tem mamoa, contudo conserva alguma ornamentação característica da arte dolménica nas 3 lajes encontradas por Castro Nunes durante as escavações. São elas as linhas ondulantes (serpentiformes) e sinais em U obtidos por percussão.
Materiais
Granito.
Observações
Durante as escavações de 1948, Castro Nunes encontrou 2 lajes de granito, de diferente qualidade, à profundidade de 1 m., em posição horizontal do lado oposto à galeria, ali postos a esmo. A 3ª laje, gravada em ambas as faces, foi encontrada, como já anteriormente referimos, criando certa separação entre o corredor e a câmara, e posta de cutelo ao mesmo nível da base das lajes laterais do corredor. Devido ao seu interior estar completamente remexido, não foi possível estabelecer a estatigrafia do espólio. Como é comum nos demais monumentos megalíticos do N. do país, o espólio aqui encontrado é também pobre, em quantidade e qualidade. Resolvido o litígio em que a Câmara e um dos proprietários se envolvem, a Câmara pretende comprar toda a Quinta da Barrosa e ali implantar um conjunto habitacional destinado à venda ou aluguer a preços controlados e com um carácter social das habitações a construir.