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Farol da Ínsua

Farol da Ínsua

O ponto de interesse Farol da Ínsua encontra-se localizado na freguesia de União das freguesias de Moledo e Cristelo no municipio de Caminha e no distrito de Viana do Castelo.

Fortificação marítima construída em meados do séc. 17, com traçado abaluartado, no reinado de D. João IV, no contexto da Guerra da Restauração, integrando-se na linha defensiva estrategicamente colocada nas margens do rio Minho e ao longo da Costa Atlântica. Implantando-se num ilhéu do oceano Atlântico, cruzando fogo com a Praça de Caminha, integra no interior um convento, de construção medieval, com o qual forma um conjunto indissociável, conferindo-lhe grande originalidade e caráter excecional em Portugal, tendo apenas como paralelo o Forte da Berlenga (v. IPA.00004062). O Forte tem a data de 1650 inscrita no portal e os próprios monges colaboraram na sua construção. Apesar de ter-se adaptado à morfologia do terreno do ilhéu e ao convento pré-existente, a sua planimetria é bastante regular, com planta inscrita num retângulo, definido por cortinas de traçado plano, com dois baluartes poligonais irregulares de ângulo, na frente norte, e dois meios baluartes de ângulo e uma tenalha central, na frente sul. A escarpa exterior é em talude, com os paramentos rematados em cordão e parapeito liso, tendo nos ângulos flanqueados, dos baluartes e meios baluartes, guaritas facetadas, e, na cortina da frente poente, uma ladroneira retangular, assente em cachorros lobulados, com matacães. Possui duas portas de acesso ao interior, a principal na frente nascente, virada a terra, com arco de volta perfeita, entre pilares, suportando arquitrave e espaldar, alteado ao centro, com as armas de Portugal e as do governador das Armas da Província do Minho, num esquema semelhante à porta magistral do Forte de Santiago de Viana do Castelo (v. IPA.00002215); esta porta e a cortina nascente tinha pequeno fosso frontal, com ponte, e é coberta por uma tenalha, rasgada superiormente por frestas de tiro e com portal em arco, simples. A porta secundária ou poterna abre-se no flanco menos exposto do baluarte da frente nascente, com verga reta sobre impostas, para acesso às fontes existentes nas imediações. Interiormente é circundado por adarve lajeado, com baluartes e meios baluartes, também lajeados, acedidos por escadas dispostas na gola, tendo as dependências adossadas, de fachadas de um piso e vãos retilíneos, conservando a estrutura do paiol, com célula retangular envolvida por anteparo de proteção. O transito, de perfil reto, tem dupla porta, com arco de volta perfeita de acesso à praça, que tem espaço exíguo, devido à integração do convento e cerca.

Planta composta por dois baluartes, poligonais irregulares nos ângulos da frente norte, dois meios baluartes nos ângulos da frente sul e por uma tenalha a meio desta última, interligadas por cortinas de traçado plano, definindo um retângulo; as frentes sul e poente assentam numa sapata em talude. Apresenta a escarpa exterior em talude, com os paramentos em alvenaria de pedra, e remate em cordão e parapeito liso, atingindo nalguns pontos 2.80m. Nos ângulos flanqueados dos baluartes e meios baluartes, dispõem-se guaritas facetadas, assentes diretamente sobre o cordão, rasgadas por pequenas frestas de tiro, rematadas em cornija e com cobertura em domo coroada por pináculo. A frente principal surge virada sensivelmente a nascente, com cortina protegida por revelim que consiste mais numa tenalha, visto não ter terrapleno, apresentando paramentos em talude, em alvenaria de pedra e em cantaria no ângulo, rematados em parapeito rasgado por frestas de tiro. No ângulo flanqueado possui guarita facetada, com cobertura campaniforme e rasgada por frestas de tiro. Na face norte abre-se porta, em arco de volta perfeita, de moldura simples, interiormente em arco abatido, conservando ainda os gonzos da porta. As faces internas são percorridas por estreito adarve. A meio da cortina nascente do forte abre-se a porta fortificada, em arco de volta perfeita, ladeada por pilares sustentando arquitrave, sobre o qual se dispõe espaldar retangular, rematado em cornija alteado ao centro, coroado por plintos; o espaldar surge tripartido, contendo ao centro as armas de Portugal entre as armas do governador. Inseridas no parapeito surgem, ladeando o portal, duas lápides inscritas. No flanco poente do baluarte da frente norte abre-se pequena poterna, de verga reta sobre impostas. Na cortina da frente poente, existe ladroneira retangular, com balcão em cantaria, totalmente fechado, assente em três cachorros lobulados, tendo matacães no pavimento e cobertura campaniforme, coroada por pináculo. INTERIOR acedido pelo trânsito da porta fortificada, de perfil reto, com pavimento em lajes de cantaria e cobertura de madeira, de duas águas, sobre travejamento, com telhado de duas águas; no seu término, um vão em arco de volta perfeita, tem porta para a praça. Os paramentos são circundados por adarve, pavimentado a lajes de cantaria, que também surge nos baluartes, protegidos na face interna por parapeito simples. Encostado ao terrapleno interior das frentes nascente, norte e poente, desenvolvem-se as antigas dependências do forte, de planta retangular, as da frente poente mais exíguas e com o ângulo sul cortado. Correspondiam ao corpo da guarda e à casa do governador, respetivamente a norte e a sul do trânsito da frente nascente, aos quartéis militares, na frente norte, e a um paiol na frente poente, todos atualmente sem cobertura, e fachadas de um piso, em alvenaria de pedra, rasgadas por vãos retilíneos. Nas fachadas laterais das dependências da frente nascente dispõem-se chaminés. As cinco dependências dos antigos quartéis têm a fachada principal rasgada por porta e janela, em módulo alternado, a porta precedida por dois degraus. Os baluartes e meio baluartes são acedidos por escadas desenvolvidas entre as dependências, sensivelmente na gola dos mesmos, existindo junto às escadas do baluarte norte da frente nascente pequeno corredor de acesso à poterna. No baluarte e meio baluarte da frente nascente dispõem-se duas bocas-de-fogo, assentes em reparos de ferro. O acesso às guaritas é feito por porta de verga reta. O recinto interior do forte é de dimensões exíguas, devido à existência do convento e da respetiva cerca.

Materiais

Estrutura em alvenaria ou cantaria de granito aparente; pavimento em lajes de cantaria de granito; portas de madeira; gatos e ferragens das portas em ferro; cobertura do trânsito em madeira e, exteriormente, em telha.

Observações

*1 - Segundo Frei Pedro de Jesus Maria José na Chronica da Santa, e Real Provincia da Immaculada Conceição de Portugal, "Concluida a obra da Fortaleza, se cuidou com maior fervor no reparo do Convento (...) as duas fontes (...) a principal, e a milagrosa (...) fica logo a sahida da porta menos principal da Fortaleza, e em distancia de noventa e tantos passos esta a outra (...) para a parte do Poente. (...) Desta he sempre preciso alimpalla todos os annos, que he necessario usar della; e estando limpa, da agua em abundancia, e tem huma famosa cova feita em pedra, que ordinariamente se conserva com huma pipa de agua, mais, ou menos, segundo o gasto, que della se faz".