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Povoado do Alto do Couto da Pena

Povoado do Alto do Couto da Pena

O ponto de interesse Povoado do Alto do Couto da Pena encontra-se localizado na freguesia de União das freguesias de Caminha (Matriz) e Vilarelho no municipio de Caminha e no distrito de Viana do Castelo.

Aglomerado proto-urbano. Povoado da Idade do Ferro com anterior ocupação do sítio da Idade do Bronze Final e com posterior ocupação romana e medieval. Povoado fortificado / castro implantado num morro junto à zona litoral, que dominava. Segue o ordenamento característico dos castros do Noroeste, com adaptação à figuração do terreno pela muralha e casas, que têm plantas circulares, alongada e para-rectângular, com ângulos arredondados. Povoado bastante original no contexto da arqueologia castreja do Noroeste Peninsular, pela natureza das suas estruturas, amplitude cronológica e variedade de espólio conexos com uma implantação de relevante interesse. As casas de planta quadrangular e rectangular são geralmente construídas sob influência romana, mas aqui detectou-se no 1º nível de ocupação - Bronze Final - pelo menos uma casa de planta alongada e perfil curvilíneo adaptada aos rochedos, e com paredes muito espessas feitas de pedra miúda ligada com saibro, anterior às de planta circular também existentes.

Povoado fortificado formado por uma linha de muralha (a única até agora confirmada) e casas de habitação. A muralha, envolvendo a plataforma superior do povoado, assenta em superfície preparada na rocha natural, com espessura irregular (1.80 m. a 2.60 m.) e é constituída por fiadas de pedra de diversos tamanhos, dispostos horizontalmente sem argamassa. As unidades de habitação, de pedra, no perímetro interior e exterior da muralha, apresentam planta circular, de forma alongada e outras para o rectangular com ângulos arredondados, aproveitando para implantação os espaços, os desníveis e os rochedos existentes. O pavimento exterior é de saibro arenoso e o interior mais espesso. Algumas casas têm lareira de barro encostada à face exterior do muro.

Materiais

Granito

Observações

O castro do Couto possuia uma situação privilegiada para exploração agro-pecuária, marítima e outras, numa rota importante de comércio tradicional. Possuía uma longa fase de ocupação que vai desde o Bronze Final até ao séc. 12, distiguindo-se assim várias fases. Em termos de ocupação, teve 5 fases: a 1ª com afinidades predominantemente Atlânticas; a 2ª ligada à metalurgia do ferro - fase halstática -, denotando-se no espólio um crescente afluxo de influências meridionais, relacionadas com o mundo tartéssico; a 3ª manifesta grande prosperidade, surgindo juntamente com cerâmica manual a importada, de proveniência e / ou tradição púnica, com ocupação exterior da linha de muralhas, o que leva a pensar na possibilidade de uma 2ª linha de defesa; a 4ª fase de ocupação romana tem algumas alterações de ordenamento, culminando com um incêndio generalizado no séc. IV d.c., provavelmente ocasionado pelas invasões germânicas; a 5ª fase é de ocupação medieval. Frente ao castro do Couto, na foz do Minho, implanta-se o castro de Santa Tecla, ambos com espólio concordante.