Forte marítimo construído no séc. 17, em local estratégico, com pequenas dimensões. Apresenta planta estrelada, composta por face virada a terra com tenalha, formada por dois redentes, unidos por pequena cortina onde se rasga o portal, e face virada ao mar com dois outros redentes, mais pequenos, enquadrando uma bateria a barbete, em forma de meia lua. Tem paramentos em talude, em alvenaria de pedra e cunhais em cantaria, rematados em cordão e parapeito com merlões e canhoneiras, sobre nos ângulos flanqueados guaritas. Possui a mesma conceção geral e o tipo de planta empregue no Forte de Montedor (v. IPA.00005168) e o da Areosa (v. IPA.00004126), denotando assim a repetição do mesmo programa construtivo ao longo da costa, possivelmente com vista a uma maior rapidez de construção.
Planta estrelada composta por tenalha na face virada a terra, disposta a nascente, formada por dois redentes, unidos por pequena cortina, e por dois outros redentes, mais pequenos, enquadrando bateria a barbete, em forma de meia lua, na face virada ao mar. Apresenta paramentos em talude, em alvenaria de pedra e cunhais em cantaria aparelhada, já não tendo remate, ainda que em alguns ângulos flanqueados conserve o arranque das antigas guaritas. Na pequena cortina virada a terra, rasga-se portal em arco de volta perfeita, sobre os pés direitos, encimado por vão profundo cego. Entre o redente esquerdo e a bateria existem dois silhares salientes, possivelmente de sustentação de um balcão.
Materiais
Granito
Observações
Foi uma das fortalezas construídas durante o séc. 17 para reforço da costa portuguesa perante a ameaça espanhola, integrando-se na linha defensiva estrategicamente colocada nas margens do rio Minho e ao longo da costa atlântica. Um autor espanhol na análise feita às fortificações da costa a norte do Douro, entre Vila Praia de Âncora e Esposende (Fernández, 1987), constata que estas são iguais na forma, possivelmente resultam da elaboração do mesmo arquitecto ou projectista, e representam, para a época, um avanço no sistema de defesa e vigia. Este autor não exclui a hipótese de semelhante sistema se estender até ao Guadiana, como plano integrador de uma política nacional de defesa da costa atlântica. Em 1979 realizaram-se sondagens arqueológicas na jazida da Gelda (Forte do Cão), pois, em consequência do temporal de Fevereiro, afloraram várias canalizações, 1 lajedo bem ordenado composto de pedras pequenas de arestas vivas e irregulares e 1 fiada de pedras, talvez 1 pavimento ou leito de preparação de 1 pavimento; em 1982, durante as escavações arqueológicas, conseguiu-se detectar a sequência estatigráfica de toda a jazida. O espólio foi depositado no Museu Regional de Arqueologia de D. Diogo de Sousa, em Braga. Ainda que de pequenas dimensões, a sua planta estrelada com baluartes, faz deste imóvel 1 verdadeira fortaleza, tornando-se portanto, incorrecta a designação de forte ou fortim.