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Fábrica de Papel do Tojal

Fábrica de Papel do Tojal

O ponto de interesse Fábrica de Papel do Tojal encontra-se localizado na freguesia de União das freguesias de Santo Antão e São Julião do Tojal no municipio de Loures e no distrito de Lisboa.

Arquitetura industrial, do séc. 19. Fábrica de papel instalada junto ao rio Trancão, a S. da Quinta da Abelheira. Edifício principal em alvenaria de pedra e tijolo maciço, com interior de duas naves, formadas por fiada de colunas em ferro fundido. O processo de fabrico beneficia do aproveitamento de água do rio e de água proveniente de captações subterrâneas; dispõe de uma reserva de água a céu aberto (lagoa); utiliza energia elétrica e vapor produzidos numa central termoelétrica.

Espaço industrial em parcela de configuração irregular, composto por áreas de produção, embalagem e armazenamento, integrando uma reserva de água (lagoa) a N., poços, tanques e depósitos subterrâneos de armazenamento de água. O conjunto construído é formado por vários edifícios retangulares, dispostos paralela e perpendicularmente entre si, estando envolvido perimetralmente por área livre de circulação, a S. e a E., através da qual se acede a um pátio de distribuição, em posição central. Este pátio, de configuração irregular, abre do lado N. para a lagoa. O EDIFÍCIO PRINCIPAL, localizado a O., resulta de ampliações sucessivas, a partir de ocupação inicial dos séculos 17 e 18, junto ao rio, ligada a este por canais adutores a N. e de escoamento a S., cujos traçados se mantiveram até à atualidade. Constitui um volume composto por corpos de diferentes cérceas, com coberturas múltiplas, de duas águas, revestidas a telha cerâmica e a chapa metálica ondulada, possuindo lanternins de ventilação; no ângulo NO., telhado de quatro águas, rematando em beirada. Fachada virada a O. voltada para o Rio Trancão, rasgada por catorze janelas nos primeiro e segundo pisos e ainda cinco janelas no terceiro e último piso; todos os vãos são em lintel curvo e emoldurados em alvenaria de tijolo, rebocada a maça, com caixilharias fixas, em ferro; os do primeiro piso estão entaipados e, no terceiro, as janelas, sem molduras, posicionam-se a diferentes alturas mostrando que neste piso os pavimentos possuem três níveis. A fachada virada a N., evolui em dois e três pisos, apresentando maior altura no troço situado a O.. Ostenta uma varanda ao nível do terceiro piso, com guardas de ferro laterais, sugerindo uma função de descarga. Os vãos são também emoldurados a alvenaria de tijolo rebocada a massa e as caixilharias fixas, em ferro, têm, ao centro uma folha pivotante de configuração quadrada. O INTERIOR tem acesso pela fachada N., para uma grande nave cuja cobertura é suportada ao centro por colunas em ferro fundido *1. A linha de colunas, que sustentam as vigas de ferro em I, separam o local onde se localiza as máquinas de fabrico de papel; na nave mais ocidental do edifício situam-se no seu extremo S., os tanques oitocentistas destinados à lixivia para branqueamento do trapo. No piso superior observa-se ainda em laboração uma máquina oitocentista de depuração da pasta de papel, cujas pás em madeira, são mecanicamente acionadas por correias de ferro. A. E. deste edifício principal, deitando para o pátio, situa-se um CONJUNTO DE EDIFÍCIOS contíguos, destinados aos geradores de energia elétrica, à armazenagem e serviços, sendo parte em alvenaria de pedra e parte em betão armado. Para N., existem depósitos de água, poços, tanques e um edifício desativado, em betão armado, de grandes janelas envidraçadas com desenho modernista. Para S., do edifício principal, desenvolvem-se edifícios recentes, que albergam uma máquina de fabrico de papel e, ainda outras, destinadas ao corte, dobragem e embalagem. A SE.do conjunto fabril, junto à E.N., localizam-se duas moradias da fábrica, construídas no séc. 19, que se encontram devolutas.

Materiais

O EDIFÍCIO PRIMITIVO tem paredes em alvenaria de pedra ordinária e tijolo maciço, rebocadas e pintadas; estruturas de suporte das coberturas em madeira e em ferro, colunas em ferro fundido; coberturas em telhado com revestimento de telha cerâmica e chapas metálicas; caixilharias em ferro.

Observações

*1- De acordo com a planta de 1905, esta sala destinava-se, no seu lado sul, às grandes prensas cilíndricas para alisar e amaciar a pasta de trapo de modo a convertê-la em papel, bem como às máquinas de enrolar. No lado N. da sala, situavam-se as máquinas Yankee ou seja os cilindros para remoção da humidade da pasta e sua secagem e a máquina de fabrico de papel n.º1, tipo Fourdrinier. Um compartimento mais pequeno servia para as máquinas de aplicação de goma ou produto impermeabilizante. Ao centro deste edifício situavam-se pequenos compartimentos para os recipientes em que o trapo já cortado e lavado era mexido numa solução de lixivia, junto a um compartimento destinado aos rolos batedores. A N. desta sala, situavam-se os mecanismos de transmissão de energia, a partir da fonte de produção, até aos vários sectores da fábrica. Na ala N. do edifício, localizavam-se os motores. No extremo S. do edifício situavam-se duas baterias de tanques de lixivia para branqueamento do trapo, com cinco tanques de cada lado. A N. dos tanques, uma ala longitudinal que se estendia para N., era destinada à trituração do trapo. *2 - Antes da industrialização existiu no local uma fábrica que produzia pelo sistema de forma. *3 - A disponibilidade de água é factor essencial para a fabricação de papel (actualmente são necessários 1000 l de água para fabricar 1 kg de papel). De igual importância é a garantia de escoamento dos produtos aquosos resultantes da laboração. *4 - o Mosteiro de São Vicente de Fora tinha todo o quarteirão limitado pelo Rossio, Praça da Figueira, Rua da Betesga e Rua do Amparo.