Espaço verde de recreio. Encontramos espaços com três tipologias diferentes; o fosso como um espaço de circulação automóvel e jardins do estilo pós-moderno, que refletem uma grande importância dada ao tratamento da forma, os taludes, revestidos a prado de sequeiro, numa aproximação com a "paisagem natural" e as zonas de estadia, de acesso pedonal, próximas do edifício central, de cariz puramente lúdico.
O forte (v. IPA.00033634) apresenta uma planta pentagonal irregular, circunscrito por rede. O acesso é feito através de ponte em betão apoiada em pilar retangular, que conduz à porta principal de entrada no forte. Esta porta encontra-se orientada a SO. Os jardins desenvolvem-se em três diferentes níveis. Num NÍVEL INFERIOR, a uma altitude de cerca de 23m, situa-se um FOSSO. Este fosso, de situação periférica, apresenta um percurso aproximadamente pentagonal, que circunscreve o espaço central do forte, inscrevendo-se neste um caminho em macadame, com acesso automóvel a partir de portão situado a 58m. a E. da referida ponte de acesso, com a mesma orientação desta. Este caminho interliga três zonas de jardim localizadas a este nível, com diferentes designações por apresentarem tipologias diversas *1, todas elas situadas a SE. da referida ponte. A partir desta, ao longo do fosso, seguindo a orientação referida em linha reta, situa-se um RELVADO de planta aproximadamente triangular, bordejado por 3 oliveiras (Olea europaea var. europaea) de pequeno porte, equidistantes entre si. Este relvado, apresenta cerca de 35m de frente, junto ao caminho inscrito no fosso, atingindo uma distância máxima de 18m. Frente ao mesmo, a S., na margem oposta deste caminho, situa-se um grande canteiro, de planta aproximadamente semi-eliptica, denominado como MOSAICO DE HERBÁCEAS, subdividido em quatro áreas transversais ao caminho. No primeiro espaço, relativamente à ponte de acesso ao forte, encontram-se plantadas roseiras (Rosa wichuraiana var. branca), a área seguinte encontra-se neste momento livre, a área adjacente encontra-se revestida por cúfias (Cuphea ígnea), encontrando-se uma quarta zona também desocupada. Prosseguindo pelo fosso, para SE, passando frente ao já referido portão de acesso ao fosso, encontra-se a S. o PASSEIO DOS SALGUEIROS também de planta semi-eliptica num espaço situado, em posição simétrica ao mosaico de herbáceas, relativamente a este portão. Esta zona, além de possuir internamente um alinhamento de cinco freixos (Fraxinus angustifolia) é bordejada por seis salgueiros-brancos (Salix alba), em posição paralela a estes, equidistantes entre si, perifericamente, alinhados segundo percurso pedonal com um comprimento de cerca de 35m e largura de cerca de 1m, separado do caminho do fosso por vala de drenagem, marginada por lírios (Iris germânica var. candidíssima). Frente a esta zona, do lado oposto do caminho do fosso, situa-se o POMAR constituído por um conjunto de seis árvores prunóideas, plantadas sobre área relvada, de planta quadrangular. A um NÍVEL INTERMÉDIO, a uma cota de cerca de 26m., com acesso por túnel a partir do portão principal, situa-se a zona da parada, de planta retangular, acompanhando a fachada principal do edifício central do forte, pavimentada a calçada portuguesa. Ao longo do seu limite SO. interrompidos por caminho situam-se dois canteiros, em taludes, revestidos por sedum (Sedum rubrotinatum). Este caminho dá acesso a duas rampas de posição simétrica que conduzem ao nível superior do jardim, situado à cota de cerca de 30m., aproximadamente a mesma do único piso superior do edifício central. Estas rampas são bordejadas bilateralmente por canteiros longitudinais de lírios (Iris germânica var. candidíssima), situados quer em alegretes, em coroamento do muro do lado da parada quer, do lado oposto, ao longo de um muro de suporte de terras com cerca de 1m. de altura, situado na base de um talude localizado em frente á referida fachada principal do edifício central. No topo de cada uma destas rampas situam-se os dois jardins do NÍVEL SUPERIOR. A O. do edifício central, encontra-se o JARDIM DA PALMEIRA, que ocupa uma zona declivosa em cujo ponto mais elevado se encontra plantado um exemplar notável de uma palmeira-das-canárias (Phoenix canariensis), a uma cota de cerca de 32m., no centro de um canteiro sobrelevado cerca de 0.70 m. de planta circular com cerca de 2,5 m de diâmetro, envolvido por banco em alvenaria. Em redor desta situam-se dois canteiros sobrelevados cerca de 0.2 m., de planta assimétrica, de limites retilíneos em relação aos caminhos envolventes. Estes canteiros são ocupados por plantas aromáticas, dispostas em três faixas, uma de alecrim (Rosmarinus officinalis), uma de alfazema-dentada (Lavandula dentata) e uma de alfazema (Lavandula spica). A O. deste jardim encontra-se uma zona de estadia sob pérgula. Em frente deste jardim, no topo da rampa simétrica á que conduz ao jardim da palmeira, a E do edifício central, situa-se o JARDIM NASCENTE, constituído por uma zona de prado onde se encontram plantado um pomar de citrinos, constituído por nove exemplares ainda jovens de laranjeira-amarga (Citrus aurantium), distribuídas por três alinhamentos paralelos. Separado por caminho com cerca de 1 m. em macadame, este prado é envolvido a E. e a S. um canteiro de planta em L, com hipérico (Hypericum calycinum) e murta-dos- jardins (myrthus communis), sendo que a S. este canteiro possui hibiscos (Hybiscus rosa sinensis) junto ao seu limite externo e hortenses (Hydrangea macrophyla) no seu extremo S. Na proximidade do limite O. do caminho, encontramos em ambos os canteiros deste jardim, um exemplar de médio porte de palmeira-das-canárias (Phoenix canariensis). A rodear o edifício principal a NE., situa-se uma elevação contínua do terreno, constituída por um talude de aterro a que se segue, após uma zona aproximadamente plana de maior cota, um outro enorme talude, de 10 a 12m de comprimento, até ao referido fosso, ambos revestidos a prados de sequeiro. Entre o muro limítrofe do fosso e a rede que delimita a propriedade encontramos um pequeno talude, com cerca de 2m. A SO. e a NE. do edifício central respetivamente, situam-se dois edifícios, construídos em escavação no terreno, cuja cobertura se encontra revestida por prado, de sequeiro, encontrando-se assim camuflados na paisagem. Os níveis inferior e superior são unidos por escadas, acompanhando a superfície do talude, situadas uma junto à ponte em betão, que conduz à zona da pérgula, e outra sobre o extremo NE, deste talude. Não existe qualquer caminho direto entre o fosso e o piso intermédio.
Materiais
INERTES: Pérgula em madeira e ferro, escadas em alvenaria, lancis em alvenaria ou madeira, pavimento em macadame, calçada portuguesa, ou betonilha. VEGETAL: árvores - amendoeira (Prunus amigdalus), cerejeira-silvestre (Prunus avium), damasqueiro (Prunus armeniaca), freixo (Fraxinus angustifolia), laranjeira-amarga (Citrus aurantium), oliveira (Olea europaea var. europaea), palmeira-das-canárias (Phoenix canariensis), salgueiro-brancos (Salix alba); arbustos - alecrim (Rosmarinus officinalis), alfazema (Lavandula spica), alfazema-dentada (Lavandula dentata), hibisco (Hybiscus rosa sinensis), roseira (Rosa wichuraiana var. branca); herbáceas - cúfia (Cuphea ígnea), hipérico (Hypericum calycinum), hortense (Hydrangea macrophyla), lírio (Iris germânica var. candidíssima), murta-dos- jardins (Myrthus communis), sedum (Sedum rubrotinatum), mistura de gramíneas e leguminosas para prado de sequeiro.
Observações
*1 - A nomenclatura utilizada no campo descrição da ficha corresponde à referida no "Projecto de Recuperação dos Espaços Exteriores do Forte de Sacavém".