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Quinta do Outeiro

Quinta do Outeiro

O ponto de interesse Quinta do Outeiro encontra-se localizado na freguesia de União das freguesias de Santo Antão e São Julião do Tojal no municipio de Loures e no distrito de Lisboa.

Arquitetura agrícola, seiscentista. Quinta de produção agrícola com acesso por amplo portal setecentista, tendo casa construída no séc. 17, de planta quadrangular simples, com a zona inferior destinada a lojas e funções utilitárias e a área residencial no segundo piso, com acesso por escadas exteriores, paralelas à fachada principal. As fachadas são enquadradas por fortes cunhais de cantaria, rasgadas regularmente por vãos retilíneos, os da fachada posterior, virados à quinta com janelas de sacada. Na encosta que desce para o rio, amplos campos de cereal bordejados por olival. Na base da encosta, uma grande estrutura circular de paredes duplas articula-se com uma levada sobre arcaria de pedra e tijolo.

Propriedade de planta irregular alongada no sentido N./S., delimitada na sua maior extensão pela EN 115 a O. e pelo rio Trancão a E.. É composta por casa, dependências anexas de apoio à atividade agrícola, campos de cultivo, olival e estruturas de captação, armazenamento e distribuição de água. O relevo é ondulado suave destacando-se o promontório onde se situam a casa e dependências anexas, sensivelmente a 45m de altitude; junto ao rio Trancão a altimetria varia entre os 26m no extremo NE. da propriedade e os 14m no extremo SE.; nos terrenos mais altos, que ladeiam a EN 115, a altimetria chega aos 67m no extremo NO.. A quinta não se apresenta murada, sendo o acesso principal à casa efetuado pelo antigo portal, que se localiza na lateral à EN 115, em frente ao acesso ao nó da CREL, e que conduz a uma azinhaga ladeada por oliveiras. CASA de planta quase quadrangular, correspondendo à repetição de três módulos idênticos, de volume único com três coberturas paralelas, em telhados de quatro águas, com telha de aba e canudo, e rematadas em beiradas simples. Evolui em dois pisos, a zona inferior correspondente à área de serviço e a superior destinada a habitação. Fachadas em alvenaria, parcialmente rebocadas, flanqueadas por cunhais robustos, em silharia de calcário e mais largos na base; são rematadas superiormente em frisos de massa, reforçados a cantaria nos cunhais, e em cornijas de perfil côncavo na parte superior e convexo na inferior. São rasgadas por vãos retilíneos, emoldurados a cantaria. Fachada principal virada a N., tendo, no piso inferior, duas portas, uma delas sob o patamar de acesso ao superior, sendo marcada, no lado direito, por escada exterior de acesso ao piso residencial, paralela à fachada e composta por degraus de grandes lajes de pedra com focinhos boleados; tem guarda de grande espessura, em alvenaria de pedra, capeada superiormente. Acede a patamar onde se rasga a porta emoldurada a cantaria de calcário, com duplo lintel e cornija saliente. Ladeada por duas janelas de peitoril. A fachada lateral esquerda tem, no piso inferior, uma porta e uma pequena janela gradeada, encimadas por duas janelas de peitoril no superior. A fachada lateral direita possui três janelas de peitoril em cada piso, os do piso térreo de menores dimensões. A fachada posterior virada à paisagem que se estende para S., tem tratamento diferenciado. No piso inferior tem apenas uma janela de sacada e dois pequenos vãos jacentes e abertos nos intervalos existentes entre os pares das sacadas do andar de cima. O piso superior ostenta seis janelas de sacada, agrupadas dois a dois, ritmo que se acorda com a divisão tripartida do telhado. Um friso em cantaria trabalhada percorre todo este alçado ao nível das bases das sacadas, prolongando-se até aos dois cunhais que o enquadram. No INTERIOR do edifício só restam as paredes-mestras. No exterior, junto à casa há dois edifícios de apoio à produção agrícola, de plantas retangulares, o do lado SO. com cobertura a duas águas e o do lado oposto, de planta mais irregular, com quatro águas. No interior da propriedade, para E., perto do rio Trancão, descobre-se uma levada sobre arcaria em alvenaria de pedra e tijolo que se dirige a uma grande estrutura circular de paredes duplas, em alvenaria de pedra.

Materiais

Paredes exteriores em alvenaria de pedra ordinária, rebocada; molduras das janelas e portas, cunhais e degraus das escadas em cantaria de calcário; cobertura inclinada com revestimento de telha lusa e beirado em telha de canudo; caixilharias em madeira; grades das janelas em ferro. ÁRVORES: oliveira (Olea europaea var. Europaea); pinheiro manso (Pinus pinea); REVESTIMENTO DO SOLO: Prado natural e culturas arvenses de sequeiro.

Observações

*1 - Maria de Sequeira era casada com Manuel Soares, residente na Índia, filho de André Soares, fidalgo da Casa Real e Escrivão da Fazenda de D. João III e de sua mulher Maria Botelha. Manuel Soares era primo em primeiro grau de João Álvares Soares, vedor da Fazenda, sepultado na capela do Santo Cristo Crucificado da Igreja Matriz (v. IPA.00020201) e fundador das casas nobres que deram origem à Quinta da Bandeira (v. IPA.00034919). Manuel Soares era igualmente primo em primeiro grau de Francisco Lagarto, fundador das casas nobres da Quinta de Valbom (v. IPA.00034927).