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Ermida de Nossa Senhora da Ajuda

Ermida de Nossa Senhora da Ajuda

O ponto de interesse Ermida de Nossa Senhora da Ajuda encontra-se localizado na freguesia de Santa Cruz da Graciosa no municipio de Santa Cruz da Graciosa e no distrito de Ilha da Graciosa (Açores).

Ermida construída no séc. 16, integrada na denominada arquitetura fortificada e considerada como um dos melhores exemplares do tipo nos Açores, objeto de grande romaria. Apresenta planta composta por nave retangular, interiormente com teto de madeira, e capela-mor quadrangular com abóbada estrelada, tendo adossado à fachada lateral direita sacristia setecentista. Tem as fachadas em esbarro, com os vãos adaptados à pendente, denotando reforma posterior, e com possantes contrafortes, os dos extremos dispostos de ângulo, tendo sobre um deles pequena torre sineira de construção posterior. A fachada principal termina em empena e é rasgada por porta de verga reta e janela, encimada por cruz relevada, e as laterais e a posterior terminam em platibanda plena, abrindo-se na lateral esquerda porta travessa de verga reta e fresta na capela-mor. No interior, a nave possui púlpito de madeira, no lado da Epístola, e arco triunfal, de volta perfeita, envolvido por azulejos figurativos setecentistas. A capela-mor possui as paredes revestidas a painéis de azulejos setecentistas, com cenas da vida da Virgem, e retábulo-mor revivalista, de feitura novecentista, com corpo reto e três eixos. A porta de ligação à sacristia tem inscrita a data da sua feitura (1751). Tem casa dos romeiros construída separadamente, de planta retangular e um piso, tendo a fachada principal rasgada por portas de janelas em ritmo alternado. A pequena cisterna quinhentista, junto à ermida, foi integrada no início do séc. 20, numa segunda casa dos romeiros, construída adossada à ermida e, posteriormente, edificou-se uma maior no adro.

Planta retangular composta por nave retangular e capela-mor quadrangular, mais estreita, tendo adossados à fachada lateral direita sacristia e casa dos romeiros retangular. Volumes escalonados, com coberturas em telhados de duas águas na nave, de uma na casa dos romeiros, em terraço com placa na sacristia e em cúpula facetada na capela-mor. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, a capela com paredes formando esbarro e com seis contrafortes bastante salientes, os frontais e posteriores dispostos de ângulo, com silhares de cantaria aparentes alternados. Fachada principal virada a poente, terminada em empena, coroada por pináculos laterais e, ao centro, por cruz latina biselada, sobre acrotério. É rasgada por portal de verga reta e janela retangular, com caixilharia de guilhotina, ambos com molduras acompanhando o esbarro da fachada; sobre a janela surge ainda, em cantaria relevada, cruz latina sobre globo. Sobre o contraforte esquerdo, rematado em cornija, desenvolve-se torre sineira, com faces de cunhais apilastrados, coroados por pináculos, e em três faces rasgadas por arco de volta perfeita sobre pilastras, a frontal albergando sino; a torre remata em cornija e tem cobertura em coruchéu piramidal octogonal. Sobre o contraforte direito tem uma pequena abertura com um reservatório interno e uma pequena vigia integrada na casa dos romeiros. Fachadas laterais e posterior terminada em platibanda plena, de remate boleado, na lateral esquerda e posterior sobreposta por pináculos piramidais sobre plintos e com gárgulas cerâmicas tipo tubo avançados da parede para escoamento das águas do telhado. Na lateral esquerda, a nave é rasgada por porta travessa de verga reta e com moldura a acompanhar igualmente o esbarro da estrutura e, a capela-mor, por fresta larga. A casa dos romeiros possui dois pisos e é rasgada por vãos retilíneos, moldurados, correspondendo, no piso térreo, a porta e janela de peitoril entre dois janelos quadrangulares e, no segundo piso, a duas janelas de peitoril, com caixilharia de guilhotina. No segundo piso existe comunicação com a placa do terraço da sacristia, a qual possui acesso independente, por porta de verga reta com moldura simples. A fachada posterior da capela-mor termina em empena reta, com cornija, sobreposta pela platibanda plena e, na sacristia abre-se janela de peitoril. INTERIOR com as paredes rebocadas e pintadas de branco e pavimento em soalho de madeira. A nave tem, junto ao portal axial, do lado da Epístola, pia de água benta circular e, junto à porta travessa, uma outra, com motivos decorativos relevados. No lado da Epístola dispõe-se púlpito de madeira envernizada, com guarda plena, acedido por escada do mesmo material, com guarda em falsos balaústres planos. Arco triunfal, de volta perfeita, assente em pilastras, com a parede envolvente revestida a azulejos, azuis e brancos, de composição figurativa, representando a Assunção da Virgem e símbolos Marianos. Cobertura de madeira em masseira, pintada de branco. Capela-mor com as paredes revestidas a azulejos, azuis e brancos, de composição figurativa, envolvendo a janela, do lado do Evangelho, e a porta de acesso à sacristia, do lado da Epístola, esta em arco quebrado biselado de moldura inscrita; a cobertura é em abóbada estrelada, com bocetes decorados. À parede testeira encosta-se retábulo-mor em talha, pintada de branco e dourado, de corpo reto e três eixos, definidos por colunas de fuste liso, possuindo ao centro tribuna em arco de volta perfeita, interiormente com imagem sobre mísula, possuindo duas outras dispostas lateralmente. Nos eixos laterais existem apainelados, inferior e superiormente com elementos vegetalistas. A estrutura remata em espaldar recortado, marcado por friso, ornado de açafates e elementos volutados. Sacristia com pavimento sobrelevado relativamente à capela, contendo lavabo com bica carranca e espaldar rematado em cornija angular coroada por cruz. A casa dos romeiros adossada integra no piso térreo, na área da cozinha, a antiga cisterna, cilíndrica, de pedra e cal. Junto à porta exterior desta casa situa-se a cisterna maior e mais recente, construída em cimento. CASA DOS ROMEIROS de planta retangular e coberturas em telhados de duas águas. As fachadas, de um piso, são rebocadas e pintadas de branco, terminadas em platibanda plena, escondendo o arranque do telhado, a principal sobreposta por pináculos e com os cunhais em cantaria. Esta fachada, percorrida por bailéu capeado a cantaria, é rasgada por quatro portas e cinco janelas de peitoril, dispostas em ritmo alternado, e com molduras simples. A fachada lateral esquerda é rasgada por janela de peitoril com portadas de madeira, e a oposta é cega. A fachada posterior, com corpo adossado ao centro, possui fenestração mais irregular, formanda por janelas de peitoril, algumas sem moldura.

Materiais

Estrutura em alvenaria de pedra, rebocada e pintada de branco, silhares dos contrafortes, cornijas, molduras dos vãos, sineira, cruz, capeamento dos bancos, pináculos e outros elementos em cantaria basáltica aparente; pias de água benta, arcos, molduras dos vãos e abóbada da capela-mor em cantaria aparente; painéis de azulejos azuis e brancos; retábulo de talha pintada; pavimento em soalho de madeira; guarda do púlpito e escada de acesso em madeira envernizada; portas em madeira pintada; cobertura em telhado de telha e placa de betão.

Observações

*1 - Na Relação descreve-se com algum pormenor o caminho de acesso à ermida e o próprio templo: "junto da vila está o monte de Nossa Senhora da Ajuda, redondo e só pela parte da vila tem uma estrada ou caminho com muralha de uma parte e outra, de largura em partes de dez e vinte e todos os muros caiados com lajeamento de cantaria por cima, que hão-de ter mais de quatrocentas braças de distancia, que dentro da vila sobem ao monte correndo os passos da Via Sacra, pelas cruzes que tem até chegar à igreja da Senhora da Ajuda que está no alto do monte". Tem imagem da Senhora, "com sua capela de boboda, com molduras de pedra, com retábulo dourado que está em um nicho com vidraça por fora, de muitos milagres, com três lâmpadas e o seu arco com grades de ferro em todo, com graves molduras e esses bem feitos, com sacristia, e adjunto uma boa cisterna que por devoção, todos bebem água por devoção que quotidianamente está todos os dias e horas gente no dito lugar, que na quaresma de noite e dia, não está sem gente, muitas vezes não tem número que e uma continua procissão; há missa todos os dias. Tem casa de romeiros de homens e mulheres e cozinha para os romeiros que, na maior parte do ano, estão de romaria no dito lugar, de dia e de noite". Nesta data já existiam as três ermidas no monte: a da Ajuda, a de São João e a do Salvador.