Igreja paroquial construída no séc. 15 / 16, com planta de três naves, integrada no programa nacional de construção de igrejas paroquiais pelas Ordens Militares, administradas diretamente pela Coroa, tendo os absidíolos sido reconstruídos no séc. 17, e a frontaria e o interior reformado na década de 30 do séc. 19. Tem planta composta por três naves, separadas por arcos de volta perfeita biselados sobre pilares, e cabeceira tripla escalonada, interiormente com iluminação axial e bilateral e coberturas de madeira nas naves e abóbadas de cantaria nos absidíolos, tendo adossado vários corpos e dispondo-se à direita a torre sineira. As fachadas são rebocadas e pintadas, a principal com soco de cantaria, cunhais apilastrados coroados por pináculos, de dois registos marcados por friso e terminada em empena recortada e a formar aletas, sendo rasgada por três portais de arco em asa de cesto, com pináculos e motivos vegetalistas relevados, no central criando falso frontão, e janela superior com modinatura e decoração semelhante. Em 1834, a igreja ainda conserva o portal quinhentista e uma rosácea, à semelhança da fachada da igreja de Vila Franca do Campo. Nas fachadas laterais conserva as portas travessas quinhentistas, em arco apontado e de várias arquivoltas, despojadas de decoração, mas as janelas retilíneas são de feitura posterior, destacando-se na lateral esquerda o volume da capela de Santa Catarina, rematada em empenas retas e coberta por domo coroado por cruz. A torre sineira tinha dois registos, o superior rasgado por ventanas em arco peraltado sobre pilastras e com pano de peito em alvenaria rebocada e pintada, mas, em 1946, foi alteada com mais um registo, para receber o mecanismo do relógio então instalado, tornando-a desproporcionada relativamente ao volume da igreja. No interior a decoração é mais recente, dadas as obras de reedificação na sequência do incêndio de 1832. Na nave central possui, no lado do Evangelho, púlpito de talha em branco, sobre pilar e guarda em balaustrada, com decoração maneirista, semelhante ao existente na Igreja Paroquial da Conceição, na Ribeira Grande (v. IPA.00032570). Destaca-se a capela de Santa Catarina na nave do Evangelho, visto conservar a estrutura quinhentista, com acesso por arco de volta perfeita, de três arquivoltas, sobre colunelos, cobertura em abóbada polinervada sobre trompas de ângulo e mísulas, possuindo lateralmente vão do antigo retábulo, definido por colunelos e remate em friso decorado por edículas com motivos vegetalistas e cruz central. Os retábulos laterais, em talha policroma e dourada, são de feitura novecentista revivalista, e possuem estrutura semelhante, de linguagem barroquizante, sendo o de Santa Teresinha ladeado por troço do arco quinhentista que lhe dava acesso, visto que inicialmente era profunda, mas em 1789 - 1790 foi truncada para ampliação da sacristia do Santíssimo. Os dois absidíolos apresentam o intradorso do arco e pilastras ornadas de decoração maneirista, diferente entre si, e a abóbada de caixotões decorados. O retábulo-mor e o retábulo do Sagrado Coração de Jesus, também revivalistas de linguagem barroquizante, foram executados em 1935 e dourados em 1955. O lavabo da sacristia, maneirista, de espaldar ornado de aletas e ladeado por colunas torsas, pertencia ao antigo convento de São Francisco (v. IPA.00008239) foi aqui colocado em 1941.
Planta poligonal composta por três naves e cabeceira tripartida, tendo adossado de ambos os lados uma capela profunda, sacristia e vários corpos retangulares e à fachada lateral direita torre sineira quadrangular. Volumes escalonados com coberturas diferenciadas em telhados de uma, duas, três e quatro águas, rematadas em beiradas simples. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, as laterais com faixa a almagre, a igreja e torre de cunhais apilastrados. Fachada principal virada a poente, percorrida por soco de cantaria, seccionada em dois registos por friso e terminada em empena recortada e formando aletas, coroada por pináculos sobre plintos e, ao centro, por cruz latina, de braços quadrangulares terminados em botão, sobre acrotério volutado. É rasgada por três portais de arco em asa de cesto, o central maior, prolongados lateralmente por pináculos relevados, o central com volutas e motivos vegetalistas criando falso frontão, tendo no tímpano vieira sobre o fecho, e os laterais com fecho sobreposto por elementos vegetalistas relevados. Sobre o portal, abre-se janela, com arco em asa de cesto, com pináculos laterais relevados e fecho sobreposto por motivos vegetalista igual ao dos portais laterais. Sobre as pilastras dos cunhais existem pináculos. Torre sineira de três registos, o inferior cego, o intermédio vazado, em cada uma das faces por ventana de arco peraltado, sobre pilastras, com pano de peito rebocado e pintado, albergando sino; o terceiro registo, com cunhais pintados a almagre, possui em cada face um relógio circular. A estrutura remata em friso, cornija e balaustrada com acrotérios sustentando pináculos nos cunhais, pintados a almagre. Fachadas laterais rasgadas, na nave, por janelas retangulares e porta travessa de arco apontado, de três arquivoltas, a exterior plana, e, na capela-mor, mais alta, por janela retangular. Na fachada esquerda, o corpo adossado é rasgado a poente por porta de verga reta e moldura simples e a norte por pequeno vão quadrangular, sem moldura; a capela lateral de Santa Catarina, terminada em empena reta, é rasgada a norte por janela de capialço e é coberta por domo, pintado de branco, sobreposto por cruz latina, de braços quadrangulares sobre acrotério. Segue-se corpo retangular, rasgado por pequenos vãos jacentes e, a nascente, por porta de verga reta; entre a capela-mor e o corpo retangular existe um outro, menor e mais baixo, com janelo a nascente. Na fachada lateral direita a torre é rasgada, no primeiro registo, por duas frestas; o portal é ladeado por dois corpos, o primeiro tendo a nascente janela de capialço e o segundo, de dois pisos, rasgado por porta de verga reta e janela, no piso térreo, e por duas janelas de peitoril, no segundo. No absidíolo abre-se janela de capialço. A fachada posterior da capela-mor termina em empena e é rasgada por janela retangular. No INTERIOR possui as paredes rebocadas e pintadas de branco, as naves percorridas por silhar de cantaria, com as juntas pintadas de branco, pavimento de cantaria e coberturas de madeira sobre travejamento, na nave central de três panos e nas laterais de um. As naves separam-se por cinco arcos de volta perfeita, biselados, assentes em colunas, abrindo-se sobre o arco central e no seguinte do último arco vãos retangulares. No pilar do arco central dispõe-se, do lado do Evangelho, púlpito de talha, de bacia retangular, assente em coluna balaústre, de talha em branco, com anel central, guarda em balaustrada e quarteirões nos ângulos, encimado por baldaquino retangular, rematado por volutas, aves, motivos vegetalistas e concheados e, inferiormente, com resplendor e folhas de acantos. As naves laterais têm a porta travessa ladeada por pequenas pias de água benta, em mármore, com bacia hemisférica gomeada, rematada em botão, e anel superior côncavo e liso. Na nave do Evangelho possui uma capela lateral dedicada às Almas, com retábulo de talha pintada e dourada, a de Santa Catarina, profunda e coberta por abóbada polinervada sobre trompas de ângulo. Segue-se porta de verga reta de acesso à sacristia. Esta tem pavimento de cantaria e teto plano, de madeira, e amplo lavabo com espaldar ornado de volutados e motivos vegetalistas, contendo duas bicas, vertendo para bacia retangular estreita, onde assentam duas colunas torsas que ladeiam o espaldar, com capitéis vegetalistas coroados por pináculos. Sob o espaldar existe silhar retangular, liso. Na nave da Epístola a torre tem acesso por portal de verga abatida, biselado, existindo superiormente porta de varandim retilínea comunicando com a escada. Possui capela lateral de Nossa Senhora da Conceição, antiga capela de Santo André e mais tarde batistério, profunda, e duas laterais à face, uma dedicada a Nossa Senhora do Carmo, com retábulo semelhante à da nave oposta, e a do Bom Jesus, atualmente dedicada a Santa Teresinha do Menino Jesus, ambos com retábulo de talha pintada e dourada semelhante aos anteriores. A capela colateral do Evangelho tem acesso por arco, de volta perfeita, sobre pilastras almofadadas e ornadas de friso de denticulado, com intradorso decorado com almofadas côncavas ou convexas. No interior, com cobertura em falsa abóbada de berço, de estuque, sobre cornija, sobre supedâneo de madeira, dispõe-se retábulo dedicado ao Sagrado Coração de Jesus (primitivamente de Nossa Senhora do Rosário), de talha pintada a marmoreados fingidos rosa, bege, azul e dourado. A capela colateral da Epístola, dedicado ao Santíssimo e primitivamente a São Matias, é acedido por arco de volta perfeita, sobre pilastras, ornado por motivos vegetalistas, e sendo interiormente coberto por abóbada de caixotões, decorados por motivos geométricos, sobre vários frisos, um deles denticulado, e cornija. Sobre supedâneo de três degraus, possui retábulo de talha policroma e dourada, de corpo côncavo e um eixo. As capelas colaterais comunicam por arcos de volta perfeita sobre pilastras com a capela-mor. Esta tem cobertura em falsa abóbada de berço, de estuque, com pinturas murais, de quadraturas singelas, motivos vegetalistas, integrando nos ângulos cartelas concheadas com símbolos Marianos e, ao centro, tondo com monograma "AM". Sobre supedâneo de cantaria, com vários degraus centrais, dispõe-se o retábulo-mor, em talha pintada a marmoreados fingidos, a rosa, azul, verde e bege, e dourado, de corpo reto e três eixos, definidos por duas pilastras exteriores, de fuste almofadado e ornado de motivos vegetalistas e quatro colunas estriadas e de terço inferior marcado, assentes em duplos plintos, decorados de concheados, e de capitéis coríntios, que se prolongam na estrutura do remate em igual número de arquivoltas, igualmente decoradas com elementos vegetalistas e concheados, com cartela no fecho contendo coroa. No eixo central abre-se tribuna, de boca rendilhada, interiormente facetado, pintado de azul e albergando trono. Banco e sotobanco com apainelados de acantos. Altar paralelepipédico coberto por pano de altar.
Materiais
Estrutura rebocada e pintada; soco, molduras dos vãos, colunas, pilastras, cruzes, elementos decorativos exteriores, lavabo, pia batismal, pavimentos e outros elementos em cantaria de basalto aparente; pias de água benta e lápide em mármore; cruzes da Via Sacra e umbrais do portal central em pedra da Cré, da ilha; nicho da capela de Santa Catarina em pedra da baía do Anal; lambril de cantaria; retábulos de talha policroma e dourada; púlpito em talha a branco; portas de madeira; janelas com vidros simples ou vitrais; cobertura interior de madeira ou abóbada de cantaria ou estuque; cobertura de telha.
Observações
*1 - Em todas as igrejas paroquiais da ilha havia duas fábricas, a grande e a pequena. A grande em Santa Maria era paga pela comenda de Nossa Senhora da Assunção para todas as paroquiais. Inicialmente era de 10 cruzados, depois passou para 6$000. A receita da fábrica pequena provinha do produto das esmolas dos fregueses, das sepulturas das igrejas, multas, etc. *2 - Na capela-mor foram sepultados João Soares de Sousa, 3º capitão donatário e suas mulheres D. Guiomar da Cunha e D. Jordoa Faleiro e sua sogra D. Beatriz da Câmara, filha de Rui Gonçalves da Câmara, capitão donatário de São Miguel. Foi também aí sepultado Pedro Soares de Sousa, 4º capitão e sua mulher D. Beatriz de Morais; D. Doroteia de Melo, mulher do 5º capitão donatário Brás Soares de Sousa e sua segunda mulher, D. Ana de Melo.