Santuário situado em zona privilegiada, quer do nível natural e paisagístico, quer do caráter sagrado do local, com ocupação desde a pré-história, revelando-se um importante local de culto e de peregrinação a partir de Setecentos. É composto por edifícios religiosos dispersos, implantados num parque com várias infraestruturas, acessos pedonais organizados pelo denso arvoredo e por teleférico, e percorrido por cursos de água. No ponto mais elevado, surge o templo, de planta poligonal, e nave centralizada adequada a cerimónias processionais, com quatro colunas de grande porte que ajudam a estabelecer um espaço quadrangular central, com iluminação direta, envolvido por corredor de circulação. A nave forma um volume aproximadamente cúbico, coberta em terraço, de fachadas inscritas em ressaltos e contrafortes que acentuam a linearidade e simetria da sua composição arquitetónica. O tratamento do volume da nave resulta bastante diferente das restantes partes da igreja, em que parece não existir continuidade formal entre as mesmas. A fachada principal possui um nártex com o vão envolvido por gablete angular, assente em colunas cilíndricas, remetendo para um modelo menos moderno, com alguns laivos de revivalismo gótico, contrariando o modernismo da estrutura e dos parcos elementos decorativos a ela aplicados, como os medalhões almofadados. Fachada posterior com torre sineira, possuindo numa posição bastante elevada mísula que alberga anjo. O interior é despojado, predominando as paredes de granito, rasgadas pela luz difusa dos vitrais que iluminam a nave, contrastando com a intensidade lumínica da zona central. No acesso ao templo, surgem duas capelas, ambas antigas, a de Santa Catarina setecentista, mantendo, desta data, os vãos da nave (frestas e portais dintelados), e a oitocentista capela-relicário de Nossa Senhora do Carmo, transformada com a construção do novo templo, em Capela de São Cristóvão. Existe um aproveitamento dos afloramentos graníticos, para a sacralização de penedos, que ostentam esculturas, cruzes da Via Sacra e placas comemorativas. A zona foi arborizada no séc. 19, criando o enorme Parque da Penha, o pulmão da cidade de Guimarães. O terreiro eucarístico é amplo, marcado por um enorme espelho de água crucífero, rodeado por canteiros floridos.
Santuário implantado num ponto elevado, rodeado por afloramentos graníticos, composto pela igreja da Penha, cujo terreiro é antecedido pelo Cruzeiro do santuário, o monumento ao Papa Pio IX, a SE., tendo, em cota mais baixa, a Capela de Santa Catarina, e, no topo, a Capela de São Cristóvão, a N., junto à Torre. No caminho ascensional, as cruzes da Via Sacra, a gruta de Nossa Senhora de Lourdes, situada a S., a gruta do padre Caldas, a gruta de Nossa Senhora do Carmo / Santo Elias, o penedo de São Cristóvão e o Penedo dos Aviadores. A implantação destas estruturas é bastante dispersa e acessível por arruamentos pedonais entre um arvoredo denso, penedos, áreas jardinadas, pontuadas por fontes e cursos de águas, onde surgem zonas de piqueniques. A IGREJA DA PENHA está implantada em amplo terreiro eucarístico, em plataforma artificial, com acesso por escadas e o terreno sustentado por muretes de granito, constituindo terraços. O terreiro é marcado por amplo espelho de água crucífero, bordejado por canteiros relvados e pavimentado a lajeado, envolvendo todo o templo, tendo, a O., um miradouro, denominado Varanda de Pilatos. O terreiro acede a pequeno escadório, ladeado por arbustos, que liga diretamente ao templo. O templo é de planta poligonal composta por nave única, quadrangular, de ângulos e fachada principal salientes, capela-mor retangular, flanqueada por sacristias, também retangulares, e torre sineira quadrada, na fachada posterior, no ângulo NO.. Volumes escalonados com coberturas diferenciadas, na nave, em terraço possuindo, na parte central, uma ligeira inclinação com cobertura em quatro águas, sendo em telhados de uma água nos anexos e duas na capela-mor; a cobertura da torre sineira também é plana, em terraço, assim como a cobertura da fachada posterior da arcada alpendrada. Fachadas em cantaria de granito amarelado com os elementos decorativos a granito cinzento. Fachada principal virada a E., enquadrada por dois contrafortes rematados por elementos retangulares almofadados, que se elevam sobre o remate, interrompido por cruz latina sobre plinto paralelepipédico. É rasgada por amplo vão retangular, que enquadra o acesso ao nártex, assente em duas colunas cilíndricas, que sustentam entablamento e gablete agudo, vazado por grelhagem, protegida por vitrais, tendo, no vértice, um pelicano de granito. No topo, surgem duas tríforas jacentes, seccionadas por pequenos cilindros. As fachadas laterais são semelhantes no corpo da nave, marcado por dois contrafortes rematados por medalhões semelhantes aos da fachada principal; enquadram um portal duplo, de duas portas de verga reta com os ângulos superiores arredondados, encimado por um vão amplo com grelhagem protegida por vitrais; no topo, uma cruz inscrita num círculo. A fachada lateral esquerda é marcada pelo corpo da sacristia, a atual sala dos retratos, rematada em friso e cornija, rasgada por porta de verga reta, acedida por escadas de cantaria com guardas plenas laterais, ladeada por tríforas também retas; todos os vãos são rematados por um friso em granito mais claro, que se repete nas molduras das janelas. Na fachada lateral direita, surge o corpo da sacristia, de menor dimensão, rasgada por uma porta de verga reta, precedida por escada que atinge o nível de embasamento, ladeada por dois postigos retilíneos, possuindo do lado direito um conjunto de duas janelas de verga reta. Fachada posterior constituída por vários corpos, o da capela-mor em aparelho tosco, rematada em empena coroada por duas cruzes inseridas em duplo círculo; é rasgada por várias frestas. Na base, surge um pequeno alpendre saliente, rematado por platibanda plena, que serve de guarda ao terraço que o cobre, com acesso pela torre sineira; é composto por três arcos de volta perfeita, protegidos por grades metálicas, para o qual abre uma porta lateral de acesso à igreja. No lado esquerdo, destaca-se o volume da torre sineira, coroada por uma cruz apoiada na figura de um anjo sobre mísula. É rasgado, em cada uma das faces, por frestas em níveis alternados, e no topo abrem-se duas sineiras simétricas. INTERIOR da nave com paredes em cantaria de granito, teto de betão, rebocado e pintado de branco e pavimento em mosaico cerâmico. É marcada por um espaço centralizado quadrangular marcado por quatro colunas cilíndricas, com o terço superior estriado, encimadas por ábaco paralelepipédico no contacto com as vigas aparentes, de suporte da cobertura, que ajudam a delimitar este espaço central, iluminado diretamente por cinco frestas em cada face. A quadrícula é envolvida por um estreito espaço de circulação, para onde abrem duas capelas colaterais, formadas por nichos retilíneos, rebocados e pintados de branco, a do Evangelho dedicada ao Sagrado Coração de Jesus, sendo a oposta dedicada ao Santo Pio X. Possuem estruturas em cantaria, que servem de peanhas aos oragos, antecedidas por altares em granito, com suportes tronco-cónicos e tampo simples. Sobre o do Evangelho, sacrário em forma de templete, com cobertura em domo e ladeado por colunas cilíndricas, tendo a porta decorada por cruz. Arco triunfal de volta perfeita, com moldura em cantaria, de acesso à capela-mor, bastante elevada por dois lanços de escadas em granito, o superior com degraus centrais e maciços protegidos por guardas metálicas. Tem cobertura em falsa abóbada de berço. Sobre supedâneo de dois degraus, a mesa de altar em cantaria de granito, composta por pilares e tampo simples. Ainda mais elevada e enquadrada por amplo nicho de volta perfeita e de perfil facetado, surge uma estrutura em cantaria, escalonada, que sustenta a imagem do orago. Lateralmente, duas portas de verga reta, de acesso às sacristias, com paredes rebocadas e pintadas de branco, a do lado do Evangelho, a atual sala dos retratos.
Materiais
Estrutura em cantaria de granito e betão, parcialmente rebocada no interior; colunas, escadarias, modinaturas, mísulas, anjo, mesas de altar, pavimentos em cantaria de granito; portas em madeira; janelas protegidas por vitrais; sinos em bronze; coberturas exteriores em telha cerâmica.
Observações