Arquitectura residencial, romântica. Palácio oitocentista. Trata-se de um bom exemplo de palácio inserido numa quinta, caracterizado pela sobriedade de fachadas e com espaços de recreio articulados. O Teatro Tália é um raro exemplo de teatro privado em Portugal.
Planta em E, definida pelo núcleo principal do palácio (volume paralelepipédico rectangular, com cobertura em telhado a 4 águas) e os 3 corpos avançados no alçado SO. (com cobertura a 3 águas). Apresenta 3 fachadas, sendo as mais extensas a NE. (virada à rua) e a SO. (dando sobre o jardim). A fachada NE. do palácio, delimitada lateralmente por cunhais e ritmada por pilastras de cantaria, é constituída por um só corpo, que ostenta no piso térreo 5 portas e 6 janelas de peito. Já no andar nobre são visíveis 11 janelas de sacada, sendo a do centro mais larga e guarnecida superiormente. A fachada é rematada em altura por cornija, interrompida sobre os vãos centrais por frontão triangular. Na sequência desta fachada, para o lado N., localiza-se o grande portão de ferro que dá acesso ao pátio. É desde o pátio que se avista o alçado principal do palácio (NO.), de corpo único, onde se destaca a porta principal com emolduramento de cantaria ladeada por 2 pares de janelas. A fachada SO., organiza-se em 3 corpos, sendo o central recuado, dando desse modo lugar a um terraço do qual se acede ao jardim por meio de um lanço desdobrado de escadas, guarnecidas de cortina de cantaria. A parte central do corpo intermédio avança, ostentando uma janela de sacada em arco de volta inteira e sendo coroada por frontão triangular. INTERIOR(palácio): destacam-se: o átrio (com acesso pela porta principal do alçado NO., apresenta um tecto de estuque relevado envolvendo uma pintura central de temática alegórica e silhares de azulejos de grinalda); a escadaria, à esquerda do átrio, abrindo com um arco abatido, de doid lanços, termina numa galeria cujo tecto apresenta, ao centro, pintura a óleo, uma alegoria representando "Psiché e o Amor"; algumas salas, nomeadamente as antigas Sala de Jantar, Sala de Música, Salão de Baile e quarto do conde de Farrobo, que ostentam pinturas a óleo aplicadas nos tectos e sancas - sendo algumas da autoria de António Manuel da Fonseca (1796 - 1890) -, bem como estuques (de artistas como João Paulo da Silva e do italiano Felix Salla). O TEATRO TÁLIA apresenta dois pisos, mais um sobre a cimalha; a fachada de sete vãos apresenta 4 colunas de ordem dórica sobre as quais assenta um frontão triangular de tímpano liso, sobre o qual e estátua de Érato; sobre os acrotérios duas urnas; no prolongamento das colunas, e sobre plintos que avançam do peristilo, quatro esculturas, em pedra, representando esfinges deitadas e apoiadas sobre as patas; a fachada E. apresenta corpo simples com oito vãos simples simétricos distribuidos por dois níveis e porta central. INTERIOR: encontra totalmente esvaziado (todos os elementos de arquitectura e decoração do revestimento desapareceram) apenas existindo, de pé o grande arco em alvenaria que separa o palco da plateia. ANEXOS: a S., no seguimento da fachada lateral, existem as antigas cavalariças e casas dos cocheiros constituídos por edificações de dois pisos seguidas de terreiro irregular que confina com os jardins. A N. no seguimento do Teatro Tália e anexo a este, habitação de dois pisos (antigos camarins do teatro); mais a N. e, acompanhando o muro, passando o lago junto à escadaria monumental, outro grupo de habitações antigas, com poço e pequeno pavilhão.
Materiais
Alvenaria mista, cantaria de calcário, reboco pintado, ferro forjado, madeira, estuque pintado
Observações
*1 - DOF: "Palácio dos Condes de Farrobo, incluíndo os jardins e o chafariz localizado na Estrada de Benfica junto à Azinhaga que limite a Norte o Jardim Zoológico". Com o Decreto nº 5 de 19 de Fevereiro de 2002 foi determinada a alteração da designação passando a ter a seguinte redacção: " Palácio e Jardins do Conde de Farrobo (conjunto intramuros), no qual se encontra instalado o Jardim Zoológico, delimitado nomeadamente pela Estrada de Benfica, pela Praça do Marechal Humberto Delgado, pela Estrada das Laranjeiras, pela Travessa das Águas Boas e pela Rua de Xavier de Oliveira".