Casa abastada de construção seiscentista ou setecentista, transformada recentemente em albergue de peregrinos de Santiago de Compostela, e uma outra parte, em Museu do Brinquedo Português. Apresenta planta retangular irregular e fachadas de dois pisos, com pilastras nos cunhais, terminadas em friso e cornija, a principal de dois panos, rasgada, no piso térreo, por portas e janelas de peitoril num ritmo alternado e, no segundo, por janelas de sacada.
Planta retangular irregular, com corpo prolongado no ângulo esquerdo posterior. Volumes escalonados com coberturas diferenciadas em telhados de quatro águas no corpo principal, rematadas em beirada simples, e em terraço no corpo posterior prolongado. Fachadas rebocadas e pintadas de vermelho, com pilastras toscanas nos cunhais, percorridas por embasamento de cantaria, terminadas em friso, ritmado por argolas de ferro, e cornija e rasgadas por vãos retilíneos sobrepostos, com moldura terminada em cornija. Fachada principal virada a S., de dois panos definidos por pilastras toscanas, o direito sensivelmente mais largo, rasgado no piso térreo por portas e janelas de peitoril, num ritmo alternado, com molduras encimadas por falsas bandeiras de cantaria de lados curvos, e as das janelas prolongadas inferiormente, interligando-se ao embasamento. No segundo piso rasgam-se janelas de sacada com guarda em ferro; todas as janelas têm caixilharia de duas folhas e bandeira. Fachada lateral direita rasgada ao nível do piso térreo por duas portas e no segundo piso por quatro janelas de peitoril com molduras formando brincos retos. Fachada posterior mais irregular, possuindo no pano esquerdo varanda avançada ao nível do segundo piso, assente em pilares quadrangulares com chanfro; no piso térreo abrem-se vãos com molduras formando falsa empena. INTERIOR com organização espacial possível de se tornar independente. Nas águas furtadas localizam-se as camaratas dos peregrinos, com capacidade para 49 pessoas.
Materiais
Estrutura de cantaria de granito rebocada e pintada; embasamento, frisos, cornijas, pilares, pilastras, molduras dos vãos e outros elementos em cantaria de granito; paredes divisórias em tabique; tetos de estuque; pavimento de madeira; portas, portadas e caixilharia de madeira; vidros simples; grades de ferro; revestimento de azulejos, cobertura de telha sobre estrutura de madeira.
Observações
EM ESTUDO. *1 - "Trata-se do primeiro espaço museológico em Portugal, e único deste género no país, a integrar milhares de peças que retratam a história do brinquedo fabricado no nosso país durante 100 anos, e mostra como se brincava em Portugal, antes da era tecnológica. É constituído por dois edifícios distintos contíguos, mas que se complementam. No primeiro edifício apresenta-se a receção deste museu e exibe-se a exposição permanente, que é constituída por mais de 3.000 brinquedos desde o século XIX até 1986. Esta baliza cronológica foi estabelecida com base no início do fabrico de brinquedos em série, os ditos de perfil industrial, e termina com a data de entrada de Portugal na Comunidade Económica Europeia, que coincide com a decadência e falência da maioria das empresas de brinquedos no nosso país" (CARNEIRO, 2018). O segundo edifício, a norte do corpo do Albergue de Peregrinos inclui a Sala das Brincadeiras, a "Oficina Rocha Brito", a Sala ARLO, a sala de exposições temporárias, a Loja do Museu e espaços de apoio. *2 - ARLO foi uma empresa portuguesa de brinquedos que iniciou a sua produção na década de 1940 e cujo proprietário foi Rocha Brito.