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Santuário de Nossa Senhora da Abadia

Santuário de Nossa Senhora da Abadia

O ponto de interesse Santuário de Nossa Senhora da Abadia encontra-se localizado na freguesia de Bouro (Santa Maria) no municipio de Amares e no distrito de Braga.

Santuário mariano, maneirista, barroca e rococó, do tipo sacro-monte, com acesso por ampla rampa, ladeada por capelas da Via Sacra, tendo no terreiro, o edifício dos peregrinos de dois pisos e com arcadas e varandas a enquadrar o templo. Integra o Caminho de Santiago e desenvolve-se a partir de um forte culto medieval numa pequena capela de que não subsistem vestígios, reformada no séc. 17 e com obras de renovação no século imediato, altura em que se edificam as capelas na rampa de acesso ao terreiro, certamente na sequência da visita do arcebispo D. Rodrigo de Moura Teles, responsável pela construção do escadório do Bom Jesus do Monte, em Braga (v. IPA.00005694). A construção seiscentista seria menos elevada que a atual e tem a marcação da antiga estrutura, com fachada tripartida e remate em empena ou frontão, onde se rasgaria um óculo, atualmente entaipado e visível no interior. A ampliação em altura do edifício está bem visível na fachada posterior, onde se mostra a primitiva cornija em cantaria e no interior, onde a grade setecentista encimada pelas armas da Ordem de São Bento, gestores do espaço, resulta desproporcionada em comparação com a altura deste corpo, revelando o seu alteamento no final do séc. 18, para a introdução do novo retábulo-mor. A atual fachada data das obras do séc. 18 e uniu num corpo de exo-nártex, as duas torres sineiras maneiristas, com uma interessante cobertura em cúpula, possuindo um amplo nicho central revestido a azulejo de padrão seiscentista e contendo retábulo de talha pintada rococó com uma imagem do orago. As torres possuem mostradores de relógios em cantaria, envolvidos por molduras recortadas, do tipo cartela. A igreja é de três naves escalonadas, de cinco tramos, definidos por colunas toscanas, permitindo a iluminação direta e uniforme da totalidade do espaço, e capela-mor com sacristia no eixo, tendo coberturas interiores diferenciadas, com anacrónicas abóbadas de arestas de madeira nas naves e abóbada de berço na capela-mor. Fachada principal do tipo harmónico com remate em empena reta, com as torres sineiras salientes, permitindo a criação de um exo-nártex, para onde abrem três portas de verga reta e remates em frontões triangulares. As fachadas têm cunhais apilastrados e remates em frisos e cornijas, as laterais rasgadas por portas travessas. O interior está profusamente revestido a talha e mantém silhares de azulejo de tapete do séc. 17. Os arcos, janelas e todos os vãos possuem molduras de talha e amplas sanefas e sanefões com decoração de enrolamentos e de elementos vegetalistas vazados. Os retábulos são semelhantes, com colunas de fustes lisos e terço inferior marcado por anéis de festões de drapeados, destacando-se o mor, com planta côncava e três eixos, com remate em frontão semicircular. Possui um órgão do mesmo período, simples, com a mísula marcada por uma figura mecanizada, em forma de carranca. A cobertura das naves, em madeira, é tardo-barroca, formando falsas abóbadas de arestas, pintadas e com pingentes de talha. As casas dos romeiros seguem o esquema seiscentista, com dois pisos e a enquadrar o terreiro de acesso ao templo, marcado por cruzeiro do final de Setecentos. Possuem arcadas no piso inferior e varandas alpendradas no superior, o do lado direito adaptando-se ao desnível do terreno, possuindo mais dois pisos inferiores. As Capelas da ladeira de acesso são distintas, as mais simples representando uma Via Sacra de sete Passos, surgindo oito capelas com cenas da vida da Virgem, de maiores dimensões e octogonais com interessantes fachadas tardo-barrocas, com profusas molduras de volutas e óculo de perfil contracurvo no eixo. O local é alvo de devoção dos pescadores da Póvoa de Varzim, com vários ex-votos, como tábuas e telas pintadas e fotografias, arrecadas no Museu.

Santuário composto por acesso ascendente, pontuado por várias capelas, criando uma Via Sacra, com grupos de figuras religiosas evocativas de passos da vida de Cristo e da Virgem, que liga a um amplo terreiro, no centro do qual surge a igreja, e fronteiro a esta, dois edifícios confrontantes de apoio aos romeiros, conhecidos como a Casa de Ofertas e os Quartéis, para abrigo noturno dos peregrinos. No centro do largo existe um cruzeiro e junto a um dos edifícios dos romeiros, surgem duas fontes, surgindo, ainda, no acesso a Gruta da Aparição e um recinto para piqueniques. IGREJA de planta poligonal composta por três naves, capela-mor profunda e sacristia em eixo, tendo duas torres sineiras salientes, unidas por um corpo, formando exonártex, de volumes articulados e escalonados com coberturas diferenciadas em telhados de uma água nas naves laterais e duas águas na nave central e capela-mor, sendo em cúpula coroada por pináculo nas torres. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, exceto a principal, em alvenaria de granito aparente, percorridas por socos de cantaria, flanqueadas por cunhais apilastrados e rematadas em frisos e cornijas; todos os vãos estão emoldurados a cantaria. Fachada principal virada a O., com o corpo do nártex rematado em empena reta, interrompida por pedra de armas e coroa fechada, sobre a qual evolui pequeno espaldar recortado e volutado com cruz latina no topo. O acesso ao nártex processa-se por três arcos frontais, dois deles sob as torres, assentes em pilares crucíferos, os laterais de volta perfeita e encimados por cartelas enrolados e o central de perfil em arco abatido e com o fecho marcado por pedra de armas; lateralmente, na base das torres, dois acessos por arcos de volta perfeita. Neste espaço, rasgam-se três portais de acesso ao templo, todos de verga reta e rematados por frontões triangulares, os laterais com bandeira. A fachada principal possui, ainda, no segundo registo, amplo nicho em arco abatido, com acesso por portas de verga reta a partir das torres, tendo o interior revestido a azulejo de padrão policromo e cobertura em falsa abóbada com pinturas murais, contendo estrutura retabular com a imagem do orago. O vão está protegido por guarda metálica pintada de verde. As torres sineiras, vazadas inferiormente, têm mais dois registos, separados pela continuidade da empena, o intermédio com relógios inscritos em cartelas decoradas por volutas e o superior com quatro ventanas de volta perfeita, de fechos salientes e assentes em pilastras. Rematam em friso e cornija, tendo, nos ângulos, pináculos piramidais com bola. As fachadas laterais são semelhantes, rasgadas, nos corpos das naves laterais, por portas travessas de vergas retas e três janelões em capialço, sendo encimado por janelas em capialço no volume da nave central. O corpo da capela-mor possui porta e três janelões, surgindo, no corpo da sacristia, mais baixo, mas com dois pisos, uma janela no piso inferior e duas no superior, todas com molduras a prolongarem-se inferiormente, formando falsos brincos. Fachada posterior rematada, no corpo da sacristia, em empena reta, possuindo registo de azulejo, alusivo ao orago, sendo visível, sobre este corpo, o nível da primitiva empena da capela-mor, marcado a cantaria. INTERIOR com três naves, cada uma delas com quatro tramos, sustentados por colunas toscanas, as dos topos adossadas aos muros, com arcos formeiros de volta perfeita, protegidos por sanefas de talha policroma, que se ligam entre elas; as que iniciam os segundos tramos, têm pias de água benta concheadas e de perfis galbados. As paredes estão rebocadas e pintadas de branco, as das naves percorridas por silhares de azulejo de padrão policromo, com coberturas em falsas abóbadas de aresta de madeira pintada, com pendentes centrais e assentes em mísulas e em cornija de cantaria; pavimento em lajeado. As janelas com molduras de cantaria e pequenas molduras de talha dourada, estão encimadas por sanefas de talha pintada de branco, verde e dourado, com remates recortados. O portal axial está protegido por guarda-vento de madeira, sobrepujado por óculo elíptico, entaipado, e amplo sanefão de talha e, no lado da Epístola, surgem as escadas de acesso à torre S.. No lado do Evangelho, púlpito de talha quadrangular e assente em pilar do tipo balaústre, com ampla base e guardas plenas de talha pintada de branco, verde e dourado, com cartelas de querubins, envolvidas por folhagem. Confrontantes, surgem quatro capelas retabulares laterais, protegidas por teia metálica interrompida por acrotérios de talha pintada de marmoreados fingidos; são dedicadas a São Sebastião e Santo Amaro (Evangelho) e a São Brás e São José no lado oposto. Ainda confrontantes, surgem dois nichos embutidos na parede e emoldurados a talha pintada, o do Evangelho com Nossa Senhora de Fátima e, no lado oposto, Nossa Senhora da Abadia. Arco triunfal de volta perfeita, assente em pilastras, tudo revestido a talha pintada de marmoreados fingidos, encimado por amplo sanefão; está protegido por grade encimada por espaldar recortado, que centra as armas dos beneditinos. O arco está ladeado por duas capelas retabulares colaterais dedicadas a São Lourenço (Evangelho). Capela-mor com as paredes rebocadas e pintadas de branco e cobertura em falsa abóbada de berço, rebocada e pintada, assente em frisos e cornijas. As janelas possuem guardas metálicas, molduras de talha e sanefas semelhantes às da nave. No lado do Evangelho, surge, sobre tribuna, o órgão de tubos e nas paredes laterais existem portas de acesso a escadas de acesso ao piso superior, encimadas por sanefas. Sobre supedâneo de granito, o retábulo-mor, de talha pintada de castanho, verde, branco, marmoreados fingidos e dourado, de planta côncava e três eixos definidos por quatro colunas de fustes lisos e o terço inferior estriado, assentes em plintos paralelepipédicos, de faces almofadadas e ornadas por motivos fitomórficos. Ao centro, ampla tribuna em arco de volta perfeita, com cobertura em quarto de esfera e fundo apainelado a enquadrar trono expositivo, tendo, na base, pequeno baldaquino de madeira com a imagem do orago. Os eixos laterais formam apainelados com peanhas contendo imaginária, surgindo, na base, as portas de acesso à sacristia. A estrutura remata em espaldar flanqueado por consolas e aletas com anjos dourados, encimados por cartela, ladeada por anjos tenentes, contendo as iniciais "AM" e por frontão semicircular com o topo ornado por folhagem. Altar paralelepipédico, encimado por sacrário. As CAPELAS DA VIA SACRA são sete, de plantas retangulares e representam "Cristo no Horto", "Flagelação", "Coroação de Espinhos", "Ecce Homo", "Queda no Caminho do Calvário", "Despojamento das vestes" e o "Calvário". As CAPELAS DA VIRGEM são octogonais, em número de oito, representando: "Nascimento da Virgem", "Apresentação da Virgem no Templo", "Esponsórios da Virgem", "Anunciação", "Visitação", "Natividade", "Adoração dos Reis Magos" e "Chegada ao Egito". Os EDIFÍCIOS DOS ROMEIROS são idênticos, de plantas retangulares simples, o do lado esquerdo, formando uma pequena inflexão e adaptando-se ao declive do terreno, com coberturas homogéneas em telhados de duas águas. Evoluem em dois e quatro pisos, o do lado S., com fachadas rebocadas e pintadas de branco, as viradas ao terreiro, percorridas por alpendres em arcos em asas de cesto, encimados por varandas alpendradas, sustentadas por colunas toscanas, rasgadas por portas de verga reta e molduras simples; o acesso aos pisos superiores é feito por escadarias de pedra centrais. O corpo S. tem quatro pisos, o inferior marcado por arcadas, a que correspondem, no superior, janelas de peitoril retilíneas. No segundo piso do corpo N., surge o Museu, e, no piso térreo da ala S., a Casa das Estampas.

Materiais

Estrutura em alvenaria e cantaria de granito, parcialmente rebocada e pintada; modinaturas, cunhais, pináculos, pilares, colunas, frisos, cornijas, pias de água benta, pavimentos, supedâneo em cantaria de granito; tetos de madeira; coberturas da nave, molduras, sanefas, sanefões, púlpito, retábulos e órgão de talha pintada e dourada; grades e guardas em ferro; azulejo de padrão tradicional; coberturas exteriores em telha cerâmica.

Observações

*1 - DOF: Santuário de Nossa Senhora da Abadia, incluindo o património integrado.